Brasil
Operação Contenção mira núcleo financeiro de facção e bloqueia cerca de R$ 600 milhões
Brasília, 17/12/2025 – Investigações apontam que uma organização criminosa movimentou aproximadamente R$ 600 milhões em um esquema de lavagem de dinheiro, por quase dois anos. A apuração foi realizada com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ). A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), com o suporte da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), e resultou, nessa terça-feira (16), na deflagração de mais uma fase da Operação Contenção, voltada ao núcleo financeiro do grupo criminoso.
As diligências ocorreram de forma simultânea no Rio de Janeiro (capital, Baixada Fluminense e Silva Jardim), em Juiz de Fora, Minas Gerais, e em Pontes e Lacerda, Mato Grosso. A ofensiva tem como alvos a liderança da facção criminosa e o operador financeiro do grupo.
A investigação contou com o apoio do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), coordenado pela Diopi/Senasp, o que evidencia a atuação integrada entre o Governo Federal e as forças de segurança estaduais no enfrentamento qualificado ao crime organizado. Os levantamentos indicam que a sustentação econômica da organização criminosa vai além do tráfico de drogas e se baseia em um sistema estruturado de ocultação, dissimulação e reinserção de recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
De acordo com as apurações, os investigados estruturaram e coordenaram o esquema por meio de terceiros e de empresas de fachada, com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem criminosa dos valores movimentados. Esse mecanismo financeiro permitia a circulação de grandes somas com aparência de legalidade, ao mascarar os vínculos com as atividades ilícitas da facção.
No centro da operação econômica, foi identificado um responsável por concentrar e movimentar elevados volumes de recursos em contas bancárias pessoais e empresariais sob seu controle. As movimentações suspeitas foram identificadas a partir da análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), que subsidiaram as representações judiciais e as medidas cautelares adotadas no âmbito da operação.
Segundo a Polícia Civil, os valores lavados eram utilizados para financiar a compra de drogas, armas de fogo, veículos e imóveis e custear a manutenção do domínio territorial exercido pela organização criminosa. Ao atingir diretamente esse fluxo econômico, a Operação Contenção busca enfraquecer a base econômica da facção e comprometer sua capacidade operacional e logística.
Com base nas provas reunidas ao longo da investigação, a Polícia Civil representou judicialmente pelo bloqueio de cerca de R$ 600 milhões, montante correspondente à movimentação financeira considerada suspeita no período analisado. As medidas alcançaram contas bancárias pessoais e empresariais, bem como ativos vinculados a pessoas físicas e jurídicas utilizadas para operacionalizar o esquema criminoso.
Além dos bloqueios financeiros, houve o sequestro de bens móveis e imóveis, incluindo uma propriedade rural localizada no Estado do Mato Grosso, considerada incompatível com a renda formal declarada pelos investigados. As ações visam impedir a ocultação patrimonial, assegurar a recuperação de ativos de origem ilícita e fortalecer a responsabilização penal dos envolvidos.
Para o diretor da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, Rodney Silva, o enfrentamento ao crime organizado passa, necessariamente, pelo estrangulamento de suas estruturas financeiras. “A atuação integrada coordenada pelo MJSP permite atingir o coração econômico das organizações criminosas. Ao interromper o fluxo de recursos, reduzimos significativamente a capacidade dessas facções de financiar crimes e de manter suas atividades ilícitas”, destaca.
A Operação Contenção reforça o papel do MJSP na coordenação de ações estratégicas de inteligência, na integração entre os entes federativos e no fortalecimento do combate à lavagem de dinheiro. A iniciativa integra um conjunto de esforços voltados à descapitalização de organizações criminosas, à recuperação de ativos e ao aprimoramento da cooperação institucional no enfrentamento ao crime organizado em todo o País.
Brasil
Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.
Confira o cronograma das medidas:
- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
INTERESSE PÚBLICO
A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.
A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.
As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.
PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES
Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:
- exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
- divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
- uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
- facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
- fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
- localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).
SAÚDE PÚBLICA
As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.
Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.
Fonte: Ministério da Saúde
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