Agro
Nova levedura pode elevar receita de usinas de etanol de milho em até R$ 34 milhões por ano
Nova tecnologia impulsiona eficiência no etanol de milho
Uma nova geração de leveduras desenvolvida pela Lallemand Biofuels & Distilled Spirits promete transformar a eficiência das usinas de etanol de milho.
A tecnologia reduz o tempo de fermentação de 55 para até 45 horas, uma diminuição de 18%, permitindo maior número de ciclos produtivos sem necessidade de ampliação da estrutura industrial.
Redução do tempo de fermentação aumenta produção
Com a fermentação mais rápida, as usinas conseguem liberar os tanques com maior agilidade, possibilitando até quatro bateladas adicionais por mês.
No Brasil, unidades que já adotaram a tecnologia registraram aumento médio de 16% no número de moagens, o que representa cerca de 50 mil toneladas adicionais de milho processado por ano.
Ganho de produtividade chega a 9%
O avanço operacional se traduz diretamente em maior produção de etanol.
Segundo a empresa, usinas com capacidade de moagem de 1.000 toneladas por dia podem alcançar um incremento de até 10 milhões de litros de etanol por ano, com ganho de produtividade de até 9%.
Receita pode crescer até R$ 34 milhões anuais
Os resultados financeiros também são expressivos.
O aumento da velocidade de fermentação pode gerar até R$ 30 milhões adicionais por ano em receita, equivalente a cerca de R$ 85 por tonelada de milho processado, sem necessidade de novos investimentos em infraestrutura (Capex) ou aumento relevante dos custos operacionais (Opex).
Somando a redução de custos com insumos, o ganho total pode ultrapassar R$ 34 milhões anuais por usina.
Redução de custos com enzimas reforça competitividade
Outro diferencial da nova levedura é a produção própria de glucoamilase, enzima essencial no processo de fermentação.
Com isso, a necessidade de aplicação externa pode ser reduzida em até 89%, gerando economia estimada em aproximadamente R$ 4,2 milhões por ano para usinas com capacidade de moagem de 1.000 toneladas diárias.
Melhor aproveitamento do amido aumenta rendimento
A tecnologia também conta com um pacote enzimático adicional que permite maior quebra das cadeias de amido, elevando a conversão em etanol.
Esse processo reduz o Açúcar Residual Total (ART), aumentando a eficiência da fermentação e o rendimento final da produção.
Maior resistência operacional reduz riscos
A nova levedura apresenta maior tolerância a condições adversas comuns no ambiente industrial.
Entre os principais avanços estão:
- Resistência a temperaturas de até 37°C
- Redução de 14% na produção de glicerol
- Maior tolerância a ácidos orgânicos e contaminações
- Melhor desempenho em ambientes com maior concentração de sólidos
Essas características reduzem o risco de falhas no processo e aumentam a estabilidade da produção.
Tecnologia acompanha crescimento do setor
O desenvolvimento da nova levedura está alinhado ao crescimento acelerado do mercado de etanol de milho no Brasil.
De acordo com a Lallemand Biofuels & Distilled Spirits, o objetivo é elevar a eficiência operacional das usinas, garantindo maior produtividade e sustentabilidade ao setor.
Com isso, a inovação reforça o papel da tecnologia como um dos principais vetores de competitividade na indústria de biocombustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol
A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.
Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.
Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola
A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
O desempenho foi desigual entre os estados:
- Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
- Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)
A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.
Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.
Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo
A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.
Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.
O detalhamento mostra movimentos distintos:
- Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
- Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica
O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.
Vendas de etanol: mercado interno segue dominante
No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.
- Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
- Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)
No consumo interno:
- Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
- Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
- No acumulado da safra:
- Hidratado: 20,34 bilhões de litros
- Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)
O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.
Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.
Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte
A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.
Ao todo, 195 unidades estavam em operação:
- 177 com moagem de cana
- 10 dedicadas ao etanol de milho
- 8 usinas flex
A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.
Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar
O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.
- Como consequência:
- Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
- Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
- Desse total:
- Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
- Anidro: 350,20 milhões de litros
- Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.
Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo
Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:
- Hidratado: 820,15 milhões de litros
- Anidro: 460,87 milhões de litros
No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).
A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.
CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio
Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.
O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.
Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais
O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:
- demanda doméstica consistente
- políticas de descarbonização
- maior previsibilidade no mercado interno
- cenário internacional de incertezas energéticas
Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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