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No Balanço Ético Global, lideranças africanas refletem sobre impactos e modos de enfrentar mudança do clima com base em realidades locais

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O Balanço Ético Global (BEG) realizou seu Diálogo Regional da África nesta sexta-feira (5/9) em Adis Abeba, na Etiópia. O quarto de uma série de seis encontros, que ocorrem em todos os continentes do planeta, reuniu 28 participantes africanos para refletir sobre as ações e mudanças de trajetórias que a humanidade precisa adotar ou ampliar para atingir a principal meta do Acordo de Paris: conter o aquecimento médio do planeta a 1,5ºC em relação aos níveis industriais.

O diálogo levou à capital etíope lideranças políticas, empresariais, religiosas e da sociedade civil, ativistas, artistas, representantes de populações indígenas e povos e comunidades tradicionais e empreendedores de toda a África. Também estiveram presentes a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; a colíder do Balanço Ético Global para a África, Wanjira Mathai; e o embaixador do Brasil na Etiópia, Jandyr Ferreira dos Santos. A COP30 esteve representada pelo presidente, embaixador André Corrêa do Lago; a CEO, Ana Toni; a Campeã de Juventude, Marcele Oliveira; e o Enviado Especial da África, Carlos Lopes. 

Um dos quatro pilares de mobilização social da COP30, o BEG traz a reflexão sobre até onde avançamos e as medidas que ainda precisamos colocar em prática para enfrentar a mudança do clima. A iniciativa parte do princípio de que a humanidade já dispõe das soluções técnicas para realizar a transformação ecológica, o que falta é o compromisso ético para executá-las.

O objetivo é apontar caminhos para que isso ocorra, mirando um futuro sustentável e próspero construído a partir da ciência tradicional, os saberes ancestrais de populações indígenas e povos e comunidades tradicionais e as soluções climáticas praticadas por pessoas ao redor do mundo. 

O BEG fortalece o mutirão global convocado pela Presidência da COP30 para a implementação dos acordos climáticos firmados pelos quase 200 países signatários do Acordo de Paris na última década, desde sua assinatura, em 2015. 

O ponto central são as resoluções do Consenso dos Emirados Árabes Unidos, pactuado na COP28 após o primeiro balanço geral do Acordo de Paris. Por meio dele, as nações concordaram em triplicar as energias renováveis, duplicar sua eficiência, interromper o desmatamento e fazer a transição para o fim do uso dos combustíveis fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa.  

“O presidente Lula diz que a COP30 tem que ser a COP da verdade. Exatamente por isso, ele propôs o Balanço Ético Global em cada continente, por meio dos Diálogos Regionais e autogestionados. Os resultados irão para uma plataforma que pode ser entregue ao prefeito, governador, presidente”, pontuou a ministra Marina Silva. Ela destacou a importância dos balanços técnicos, como o que resultou no Consenso dos Emirados Árabes Unidos, e o potencial do BEG para estimular a implementação dessas decisões diante de “todas as contradições que estamos vivendo.” 

Para Wanjira Mathai, o BEG nos lembra que as negociações do clima são, antes de qualquer coisa, sobre a vida das pessoas, além de jogar luz sobre as raízes e características da crise climática. “Essa não é uma crise de fracasso técnico, mas moral. Nós, como africanos, sabemos bem disso. Conhecemos e carregamos as cicatrizes da destruição, o peso das promessas não cumpridas e, ao mesmo tempo, o brilho da resistência. Levamos também a sabedoria de nossos ancestrais e o poder da nossa juventude”, enfatizou. 

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Da esquerda para direita, Ana Toni, André Corrêa do Lago, Marina Silva, Wanjira Mathai e Marcele Oliveira

Liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o processo resultará em seis relatórios regionais e um relatório-síntese a ser entregue na Pré-COP, em outubro, em Brasília. O documento será submetido à Presidência da COP30 para ser considerado nas negociações climáticas que ocorrerão na conferência.

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André Corrêa do Lago ressaltou que o funcionamento do regime climático multilateral nas últimas três décadas trouxe avanços essenciais. “Estamos todos falando sobre mudança do clima hoje devido a esse processo, que fez os países tentassem entendê-la melhor, ouvissem cientistas, especialistas e lideranças comunitárias locais”, afirmou. “Por isso, a proposta do Balanço Ético Global é brilhante: quanto mais discutimos, mais identificamos o quão longe chegamos.”

Segundo Ana Toni, o BEG pode estimular os tomadores de decisão a colocar as pessoas no centro das negociações. “Na maior parte das vezes, na preparação para as COPs, há muitos números e disputas. Mas, se conseguirmos levar para a COP30 o que estamos fazendo aqui, acho que faremos com que seja não apenas a COP do Brasil, mas a COP das pessoas, como o presidente Lula nos pediu para fazer”, disse.

Marcele Oliveira salientou que não é possível construir os caminhos para a transição ecológica sem atacar o problema das emissões de gases de efeito estufa, as grandes responsáveis pela mudança do clima, como fizeram os participantes do Diálogo da África. “Existe liberdade nesta sala, que precisa também chegar às salas de negociação. Não porque há consenso, mas porque há coragem de falar do problema. Liberdade de colocar o que está errado, e se está errado para alguém, está errado para todo mundo, isso é ética. Se tem alguém sofrendo, seja um ser humano, animal ou floresta, então está ruim. Precisamos inventar formas diferentes e, para isso, é preciso dar nome às coisas”, declarou.

Diálogos Regionais

O BEG ocorre a partir de Diálogos Regionais a serem realizados até outubro em diferentes continentes. O primeiro encontro foi realizado em Londres, no Reino Unido, representando a Europa; o segundo, em Bogotá, na Colômbia, representando a América do Sul, Central e o Caribe; e o terceiro, em Nova Délhi, representando a Ásia. O papel de colíder nessas regiões foi desempenhado pelas ex-presidentes da Irlanda, Mary Robinson, e do Chile, Michelle Bachelet, e pelo ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Kailash Satyarthi, respectivamente.

Os próximos diálogos ocorrerão na Oceania, sob a coliderança do ex-presidente de Kiribati, Anote Tong; e na América do Norte, com a estadunidense e fundadora do Center for Earth Ethics, Karenna Gore.

Além dos Diálogos Regionais, o BEG propõe Diálogos Autogestionados, promovidos por organizações da sociedade civil e governos nacionais e subnacionais seguindo a mesma metodologia e princípios do processo central.

O encontro em Adis Ababa foi realizado na sede do Creative Hub Ethiopia e organizado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Grupo Colaborativo de Emergência Climática (CECG).

Lista completa de participantes do Diálogo Regional da África do BEG:

    • Aishah Ali Abdallah, líder ambiental e educadora, é pioneira em programas de liderança em áreas naturais e conservação e atua como coordenadora nacional do programa Leave No Trace na Arábia Saudita;

    • Alfred Brownell, advogado ambiental e defensor de direitos humanos da Libéria, reconhecido por seu trabalho na proteção de comunidades locais ameaçadas por projetos de desmatamento em larga escala e exploração de recursos;

    • Ana Toni, CEO da COP30;

    • Bishop Stephen Dami Mamza, bispo católico da Diocese de Yola, no nordeste da Nigéria, é reconhecido por sua atuação humanitária e de reconciliação em meio à violência da insurgência de Boko Haram;

    • Carlos Lopes, Enviado Especial da África da COP30;

    • Cécile Bibiane Ndjebet, ativista ambiental e engenheira florestal comunitária de Camarões;

    • Chiyedza Her, empreendedora e ativista ambiental, fundadora da Ubuntu Alliance, que apoia agricultores locais na transição para práticas agrícolas sustentáveis;

    • Dorothée Lisenge, líder indígena e fundadora da CFLEDD (Coalition des Femmes Leaders pour l’Environnement et le Développement Durable), organização vencedora do Gender Just Climate Solutions Award em 2018;

    • Embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30;

    • Emmanuel Jal, músico e ativista sudanês-canadense e ex-criança-soldado no Sudão do Sul, é fundador da Gua Africa, instituição que apoia a educação de pessoas afetadas por guerras e conflitos na África Oriental;

    • Faten Aggad, chefe de gabinete do vice-presidente da Comissão da União Africana (AUC) e fundadora do African Future Policies Hub (AFPH);

    • Hindou Oumarou Ibrahim, ativista ambiental do Chade que defende os direitos das mulheres indígenas e a justiça climática, é presidente da Associação das Mulheres e Povos Indígenas do Chade (AFPAT);

    • Hubert Danso, CEO do Africa Investor Group e um dos principais especialistas em banco de investimentos com foco em infraestrutura na África;

    • Jandyr Ferreira dos Santos, embaixador do Brasil na Etiópia;

    • Jeanne Biloa, presidente da Bagyeli’s Cultural and Development Association (BACUDA), em Camarões, e atua há anos em iniciativas de desenvolvimento sustentável voltadas à melhoria da qualidade de vida das comunidades de Campo Ma’an e regiões vizinhas;

    • Jibril Omar, empreendedor queniano e CEO da OFGEN Africa, empresa fundada em 2013 e referência em soluções de energia solar e armazenamento na África Subsaariana;

    • Kapupu Diwa, líder indígena Twa da República Democrática do Congo e presidente da Liga das Associações Indígenas Pygmy do Congo (LINAPYCO);

    • Kerezhi Sebany, associate director de Desenvolvimento Financeiro e Instituições Multilaterais na ONE Campaign, onde lidera o engajamento de políticas junto ao FMI, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento;

    • Kumi Naidoo, ativista sul-africano pela justiça social e ambiental e presidente da Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative;

    • Lindi Dlamini, curandeira tradicional, cientista social e executiva pioneira, com mais de 25 anos de experiência em serviços financeiros e 20 anos em cargos de liderança;

    • Marcele Oliveira, Campeã de Juventude da COP30;

    • Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil;

    • Million Belay, membro do painel IPES-Food; cofundador e coordenador- geral da Alliance for Food Sovereignty in Africa (AFSA) e especialista em conservação florestal, modos de vida indígenas, soberania alimentar e de sementes;

    • Mithika Mwenda, cofundador da organização africana de ativismo climático Pan African Climate Justice Alliance (PACJA);

    • Mohamed Adow, fundador e diretor-executivo da Power Shift Africa, é uma das principais vozes pela justiça climática no continente;

    • Nisreen Elsaim, jovem ativista climática e negociadora júnior do clima, integra o Grupo Consultivo de Jovens sobre Mudança do Clima da ONU;

    • Ollier Andrianambinina, geógrafo e ambientalista de Madagascar, com foco em desenvolvimento sustentável e conservação;

    • Pato Kelesitse, jovem ativista de justiça climática com forte atuação em gênero, juventude e sustentabilidade. Fundadora da Sustain267, iniciativa que inclui o Sustain267 Podcast para amplificar vozes africanas sobre clima;

    • Pauline Nantongo Kalunda, diretora-executiva da ECOTRUST, com mais de 20 anos desenvolvendo soluções inovadoras de financiamento para conservação;

    • Philip Osafa-Kwako, fundador da Akosombo Textiles, em Gana, promove a manufatura local, a inovação e práticas sustentáveis;

    • Tracy Atieno, jovem líderança surda da organização Young Women of Africa;

    • Wangui Kaniaru, advogada queniana especializada em fusões e aquisições e regulação corporativa, com atuação crescente em temas ligados à sustentabilidade, transição climática e governança empresarial responsável;

    • Wanjira Mathai, diretora-executiva para África e Parcerias Globais da the World Resources Institute (WRI) e colíder do Balanço Ético Global para a África.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051

Acesse o Flickr do MMA 

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Em ação inédita, Ministério do Turismo conta histórias de quem faz das festas juninas um dos maiores atrativos turísticos do país

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Antes de se abrirem os portões e os grandes shows começarem, há quem passe meses costurando figurinos, moldando peças de barro, preparando receitas tradicionais ou ensaiando apresentações que duram apenas alguns minutos. É esse universo de saberes, trabalho e tradição que o Ministério do Turismo (MTur) vai revelar por meio do projeto “Destino: Festas Juninas”‘. A iniciativa reúne uma websérie, disponível nas redes sociais da pasta, e uma série de rádio nas principais plataformas de áudio para contar as histórias de quem mantém viva uma das mais importantes manifestações culturais e turísticas do Brasil.

A iniciativa vai percorrer cinco dos principais destinos juninos do Nordeste, berço dessa manifestação popular, passando por Campina Grande (PB), Caruaru (PE), Mossoró (RN), Maracanaú (CE) e Petrolina (PE) para registrar personagens, tradições e atividades econômicas que ajudam a manter viva a cultura e transformam essas festas em importantes motores do turismo e do desenvolvimento regional.

Acesse aqui o primeiro episódio da série, no Youtube, Facebook ; Instagram do Ministério do Turismo e Spotify.

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, as festas juninas são uma das maiores demonstrações de como cultura e turismo caminham juntos. “Milhões de pessoas viajam para viver essas experiências, mas o que torna tudo isso possível são as histórias de quem trabalha nos bastidores. Este projeto nasceu para mostrar essas trajetórias e revelar como a tradição ajuda a movimentar a economia, fortalecer os destinos e manter viva a identidade cultural brasileira”, afirmou.

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Turismo que transforma
Ao longo da expedição, o MTur vai acompanhar trabalhadores da economia criativa, artistas populares, músicos, cozinheiros, produtores culturais, artesãos, comerciantes e pequenos empreendedores. São pessoas que ajudam a construir as festas juninas todos os anos e que encontram nas celebrações uma oportunidade de fortalecer tradições, impulsionar negócios e movimentar as economias locais.

Para apoiar essa cadeia produtiva, o MTur tem atuado, em parceria com estados e municípios, na promoção e valorização dessa cultura.

“É uma engrenagem de cultura e desenvolvimento, que beneficia desde o público e a hotelaria até o artesão e o vendedor ambulante”, afirmou Gustavo Feliciano.

Impacto econômico
A força dos festejos juninos também pode ser medida pelo impacto econômico gerado nos destinos do projeto. Em Caruaru (PE), a expectativa é receber mais de 4 milhões de visitantes e movimentar cerca de R$ 800 milhões na economia local. Em Petrolina (PE), a previsão é de mais de 1 milhão de participantes e uma movimentação econômica de R$ 325 milhões.

Campina Grande (PB) espera receber 3,5 milhões de visitantes e movimentar aproximadamente R$ 800 milhões. Em Maracanaú (CE), a expectativa é reunir cerca de 2,7 milhões de espectadores e gerar mais de R$ 100 milhões em movimentação econômica. Já Mossoró (RN) projeta receber 1,2 milhão de visitantes e injetar cerca de R$ 360 milhões na economia local.

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Cinco destinos
Cada destino vai retratar uma faceta diferente do universo junino. Em Campina Grande, o foco estará nas histórias de amor, tradição e economia criativa, que se espalham pelo Parque do Povo. Em Caruaru, a produção acompanha o trabalho dos artesãos do Alto do Moura e a tradição das Comidas Gigantes.

Em Mossoró, a narrativa passa pelo espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró” e pela relação entre cultura, memória e turismo. Em Maracanaú, os episódios mostram os bastidores das quadrilhas juninas e a cadeia produtiva envolvida na realização dos espetáculos. Já em Petrolina, o destaque será a conexão entre cultura sertaneja, gastronomia, agronegócio e enoturismo às margens do Rio São Francisco.

Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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