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Na COP30, painel destaca marco regulatório robusto do Brasil em financiamento climático

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O painel “Acelerando o financiamento climático: ecossistema brasileiro de instrumentos financeiros inovadores”, realizado na última sexta-feira (14/11) durante a programação oficial da Zona Verde, na COP30, revelou um marco regulatório robusto, que coloca o Brasil em papel de destaque no que tange à gama de mecanismos para prover financiamento climático.

Mediado pelo coordenador-geral de Instrumentos de Implementação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Érico Rocha, o evento reuniu representantes de bancos públicos e do setor empresarial para apresentar as possibilidades de recursos para projetos sustentáveis. “O Brasil tem liderado pelo exemplo, especialmente a partir da estruturação de um verdadeiro ecossistema de financiamento climático, com participação dos Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima, da Fazenda, de bancos públicos e privados e de empresas nesse processo”, disse Rocha.

O destaque do painel foi o fundo Eco Invest Brasil, que teve seu 4º leilão anunciado pelo governo federal no mesmo dia. A representante da Assessoria do Tesouro Nacional, Marina Jabur, disse que mais de R$ 75 bilhões já foram alocados pelo mecanismo em projetos sustentáveis. 

Segundo ela, o mecanismo se diferencia pela modelagem blended finance, na qual o Tesouro Nacional disponibiliza recursos para bancos privados exigindo uma contrapartida, a ser definida a cada leilão, de alavancagem de recursos privados, bem como uma participação mínima de capital de investidores estrangeiros. “É uma forma de dar escala ao financiamento de projetos estratégicos, como recuperação de pastagens degradadas, bioeconomia e turismo sustentável”, ponderou Jabur.

A assessora citou também as emissões de títulos soberanos verdes que vêm sendo realizadas pelo Tesouro desde 2023. Pela regra, o governo se compromete a alocar uma parte do montante em despesas que contribuam diretamente com o desenvolvimento sustentável, como transporte de baixo carbono e energias renováveis. De acordo com Jabur, já foram captados mais de US$ 6 bilhões com as três primeiras emissões, realizadas em 2023, 2024 e 2025. 

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O superintendente de Planejamento e Pesquisa Econômica do BNDES, Gabriel Aidar, também salientou o caráter inovador dos mecanismos brasileiros, com destaque para o Fundo Clima. “O Fundo chega na COP com uma carteira acumulada de R$ 25 bilhões, com salto significativo nos últimos dois anos e um aumento na carteira de 12 vezes em relação a 2009, quando foi criado”, afirmou. 

A diretora de Clima e Energia e Finanças Sustentáveis do Conselho Empresarial para Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Viviane Romeiro, falou sobre a relação do governo com o setor privado. Ela citou a elaboração do Plano de Transformação Ecológica, a cargo do Ministério da Fazenda, e da nova NDC brasileira, apresentada à Convenção do Clima no final de 2024, como casos em que as empresas foram consultadas sobre suas demandas em relação à sustentabilidade.

O evento teve ainda a participação do especialista sênior em finanças sustentáveis na Unidade ASG do Banco do Brasil, Jorge Gildi, e do gerente nacional da Unidade de Finanças Sustentáveis e Bancarização da Caixa Econômica, Morenno de Macedo.

Mercado de carbono

Na manhã do mesmo dia, o painel “Implementando o mercado regulado de carbono” debateu, com mediação do MMA, a regulamentação do Sistema Brasileiro do Comércio de Emissões (SBCE), aprovado no final de 2014 e que institui um mercado formal e regulado de emissões. O secretário nacional de Mudança Climática do MMA, Aloisio Melo, que apresentou a pasta no evento organizado pelo Banco do Brasil (BB), destacou a “alta integridade” dos créditos a partir da regulação do mercado. 

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“A partir da estrutura formal, coordenada pelo Ministério da Fazenda, será possível estabelecer um padrão de qualidade e de integridade capaz de nos colocar de forma competitiva no mercado internacional. Será, com certeza, um indutor de crescimento econômico com inovação”, afirmou. Segundo ele, para transformar a economia em direção a atividades de baixo carbono é necessário investimento. “O mercado regulado é fundamental para que a transformação ocorra”, sustentou.

O SBCE estabelece limites de emissão de gases de efeito estufa (GEE) para empresas, incentivando a redução de CO2 e criando um mercado formal em que quem emite menos pode vender o excedente de cotas de emissão a quem ultrapassou sua meta. Os principais ativos do mercado, ainda em fase de regulamentação, são as Cotas Brasileiras de Emissões (CBEs) e os Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVEs). O processo de implantação prevê cinco fases.

A secretária extraordinária de Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, disse que a governança em torno do SBCE será baseada no diálogo com o setor privado. “O que conseguimos é muito grande. Levamos dez anos para estruturar o projeto, mas só será bem-sucedido se todos estiverem na mesma página”, afirmou.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Brasil

Autoridades públicas e especialistas debatem custos operacionais e segurança jurídica no setor aéreo

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O secretário Nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, participou, nesta quinta-feira (24), do Fórum Brasileiro de Aviação, que reuniu autoridades públicas, especialistas e representantes do setor para debater desafios regulatórios e o avanço da judicialização na aviação brasileira. No centro das discussões estiveram a segurança jurídica, a previsibilidade regulatória e a redução de custos como pilares para o desenvolvimento sustentável do setor.

Promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o encontro abordou temas estratégicos para o ambiente de negócios, como regulação econômica, custos operacionais, impactos da reforma tributária e a preparação do Brasil para sediar o congresso da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), um dos principais do setor aéreo mundial.

Durante o evento, Daniel Longo destacou que o Governo Federal acompanha de perto as discussões e tem duas preocupações centrais no contexto da reforma tributária: o possível aumento de custos e a garantia de segurança jurídica. “Temos duas preocupações. A primeira é o custo. Antecipamos que a carga tributária pode triplicar para as empresas, o que precisa ser analisado à luz das características do setor. A segunda é a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória, fundamentais para atrair investimentos”, afirmou.

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Longo ressaltou, ainda, que, embora existam limitações na atuação direta, cabe ao governo promover o diálogo e buscar soluções estruturais. “Temos pouca ingerência sobre o preço do QAV e sobre a política tributária. Nosso papel, como formuladores de política pública, é abrir o diálogo com quem tem competência sobre esses temas e construir caminhos viáveis”, explicou.

A procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida, apontou lacunas no debate regulatório e defendeu o avanço em instrumentos ainda pouco explorados. “Há pontos que ficaram cegos na discussão. Estamos diante de uma transformação. Teremos um desafio operacional grande, mas vejo, em um curto espaço de tempo, como um ano, benefícios relevantes”, afirmou.

O economista e professor José Roberto Afonso chamou atenção para o cenário internacional e para a oportunidade estratégica do Brasil com a realização do Congresso da Iata no país. Segundo ele, o país apresenta vantagens competitivas, como a ausência de escassez de combustível de aviação, realidade diferente de outros mercados.

“O Brasil está em uma boa situação, porque não há escassez de QAV. Em Lisboa, por exemplo, já há dúvidas sobre o abastecimento para o período de férias. Precisamos deixar claro que o país tem capacidade de desenvolvimento de longo prazo, com estratégia política e segurança jurídica e econômica”, destacou.

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O Fórum reforçou a importância da coordenação entre governo, setor produtivo e órgãos reguladores para enfrentar os desafios estruturais da aviação brasileira. A construção de um ambiente mais previsível, com regras claras e custos equilibrados, foi apontada como essencial para ampliar investimentos, fortalecer a conectividade e preparar o país para um novo ciclo de crescimento no transporte aéreo.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Fonte: Portos e Aeroportos

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