Brasil
MTE afasta nove menores do trabalho infantil na Bahia
A Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRTE/BA) realizou em outubro um conjunto de ações de fiscalização voltadas à prevenção e erradicação do trabalho infantil em Salvador e região metropolitana. Durante as operações foram constatadas ocorrências de trabalho infantil em sete estabelecimentos, alcançando 9 adolescentes entre 13 e 17 anos encontrados em situação irregular que foram imediatamente afastados das atividades ou tiveram prazo determinado para adequação de função, conforme a legislação trabalhista vigente.
Segundo o coordenador regional da Atividade de Combate ao Trabalho Infantil na Bahia, Antônio F. Inocêncio Neto, chamou a atenção a reincidência e o discurso recorrente entre alguns empregadores notificados que justificaram a contratação irregular de adolescentes com frases como “é melhor trabalhar do que roubar”. Para o coordenador, esse tipo de argumento reflete uma visão social equivocada, que naturaliza a exploração de adolescentes sob o pretexto da vulnerabilidade social, reforçando estigmas e perpetuando práticas ilegais.
Casos identificados em vias públicas de Salvador
Nas operações a Auditoria-Fiscal do Trabalho identificou situações graves de trabalho infantil em vias públicas da capital baiana. Em uma ação conjunta com a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (DERCCA) foram encontradas duas famílias expondo crianças e adolescentes ao trabalho precoce e perigoso nas proximidades do Vale do Nazaré, região da Baixa dos Sapateiros. As famílias submetiam crianças e adolescentes a riscos físicos, sociais e psicológicos ao permanecerem em semáforos solicitando valores a motoristas durante o tráfego intenso. Todas foram levadas à DERCCA e posteriormente encaminhadas ao Conselho Tutelar, tendo na semana seguinte comparecido à SRTE/BA, para assinar o Termo de Notificação aos Pais ou Responsáveis Legais, comprometendo-se, formalmente, a não expor novamente seus filhos ao trabalho precoce nas vias públicas da capital.
Um dos adolescentes identificados durante a ação atende aos requisitos legais para ingresso na aprendizagem profissional, sendo então encaminhado a uma entidade formadora de jovens aprendizes, com expectativa de contratação.
Riscos e repercussões à saúde das crianças
De acordo com o Decreto nº 6.481/2008, o trabalho em vias públicas expõe crianças e adolescentes a riscos de violência, assédio sexual, tráfico de pessoas, acidentes de trânsito, exposição a intempéries e substâncias nocivas, entre outros fatores que comprometem o desenvolvimento físico e emocional. As repercussões podem incluir ferimentos, doenças respiratórias, desidratação, queimaduras, envelhecimento precoce, dependência química e maior vulnerabilidade social.
Denúncias
Denúncias de trabalho infantil podem ser registradas de forma anônima pelo Sistema Ipê – Trabalho Infantil, disponível no endereço eletrônico ipe.trabalho.gov.br.
Brasil
Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.
Confira o cronograma das medidas:
- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
INTERESSE PÚBLICO
A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.
A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.
As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.
PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES
Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:
- exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
- divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
- uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
- facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
- fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
- localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).
SAÚDE PÚBLICA
As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.
Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.
Fonte: Ministério da Saúde
-
Paraná3 dias agoEm Marialva, homem denunciado pelo Ministério Público do Paraná por estuprar e engravidar a própria filha adolescente é condenado a quase 56 anos de reclusão
-
Paraná3 dias agoMPPR ajuíza ação para a suspensão de contratações temporárias na Secretaria Estadual de Saúde e convocação de candidatos aprovados em concurso público
-
Esportes6 dias agoBrasileirão: 28ª rodada tem líder em campo e clássicos na briga pelo topo
-
Esportes6 dias agoMirassol vence o Botafogo na estreia de Tite e se afasta da zona de rebaixamento
-
Esportes6 dias agoSantos vence o Remo no fim e chega à quarta vitória consecutiva no Brasileirão
-
Esportes6 dias agoSão Paulo vence o Internacional e deixa rival na zona de rebaixamento
-
Agro6 dias agoClima causa perdas de R$ 455,5 bilhões e ameaça infraestrutura do agro
-
Agro4 dias agoTrigo sobe com safra 27% menor e qualidade ameaçada pelas chuvas
