Paraná
Morre Enrique Dussel
A notícia da morte do filósofo argentino Enrique Dussel aos 88 anos ocorrida no último domingo (5), na Cidade do México onde residiu desde 1975, quando para lá foi exilado devido a perseguição político-ideológica da ditadura peronista por seu pensamento libertário em contraposição à doutrina então do poder portenho, deve nos provocar profunda reflexão, em especial daqueles que têm por missão institucional combater as relações de verticalidade quanto à nossa humanidade não raras vezes perdida nos corredores da exploração e da opressão.
Com efeito, Dussel concebeu a filosofia da libertação a partir da realidade periférica latinoamericana em relação ao centro europeu, pregando a práxis da libertação dos oprimidos, uma teologia ética de matriz cristã, na perspectiva dos marginalizados por uma dimensão de poder opressor, concebida em contraste e além das fronteiras de uma Europa então tida como colonizadora.
Destacam-se de seu pensamento, com contornos de viva atualidade, a opção preferencial pelos pobres, o combate à redução da mulher a mero objeto sexual e o método pedagógico para adotar esse pensar na prática, contrapondo-se a outras teorias de justiça focadas em utópicos e artificiais igualitarismos meramente formais, como a de equações doutrinárias comportadas na predominância da teoria liberal, a exemplo da esboçada por John Rawls, que ele tanto criticou em Sua Ética da Libertação.
Contribuiu, assim, decididamente para fundar uma nova matriz filosófica baseada na vida, e vida digna. Se antes dele se teve, desde a Grécia Socrática, o ser como referência filosófica, com Kant o conhecer, com Habermas o comunicar, com Dussel é o valor da vida em sua majestade moral que importa como ponto de partida para qualquer reflexão filosófica. Romper a bolha da opressão e da exploração, como já pregara poeticamente o uruguaio Eduardo Galeano nas “Veias abertas da América Latina”, constitui fundamentalmente o repto de seu legado intelectual.
Concorde-se ou não com a essência de suas ideias, não pode ficar sem destaque, com sua morte, a passagem entre nós, latinoamericanos, de alguém que ousou tentar revolucionar, pela pedagogia da libertação, mesmo que impregnado da crença num cristianismo profético e libertador até mesmo eventualmente incorporador da crítica marxista à religião, esta fetichista em seu entender, o viés filosófico concentrador do centro, apresentando-se como corajoso profeta da esperança na construção de um mundo melhor e mais justo, o que de certa forma converge com nossa ministerial missão constitucional, pela cláusula pétrea do pacto social brasileiro baseada no princípio da fraternidade, de construir uma sociedade quanto mais livre, justa e solidária.
Fica aqui, pois, o registro dessa pregação focada em nossa realidade latinoamericana, que talvez nos permita compreender melhor nossa própria história, no sentido desse valioso contributo acadêmico dusseliano, compondo sua despedida os versos de Pessoa, “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”.
Fonte: Ministério Público PR
Paraná
Em Paranaguá, Gaeco denuncia 15 pessoas por organização criminosa com atuação no Litoral, e quatro alvos, incluindo o líder foragido, tiveram prisão decretada
O núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia contra 15 pessoas por integrarem uma organização criminosa com atuação no Litoral do estado, voltada especificamente para o tráfico de drogas. A denúncia foi recebida pelo Judiciário e tramita na 1ª Vara Criminal da comarca. A partir de requerimento formulado pelo Gaeco, o Judiciário deferiu a decretação da prisão preventiva de quatro desses denunciados, que foram presos nos últimos dias.
Áudio do Promotor de Justiça Edson Ricardo Scolari Filho
Entre os denunciados que tiveram a prisão preventiva decretada, está o líder da organização criminosa, que figurava na lista dos criminosos mais procurados do Brasil. De acordo com os autos do procedimento investigatório, ele comandava o esquema ilícito a distância, emitindo ordens para seus subordinados em Paranaguá enquanto residia em outros estados, operando sob identidades falsas para fugir da Justiça. Ele foi preso recentemente pela Polícia Civil do Paraná no estado do Espírito Santo, onde usava documentos falsos.
As investigações demonstraram que as identidades falsas adotadas pelo líder foram criadas com o auxílio direto de uma então escrevente de um cartório no Maranhão, que também integra a lista dos 15 denunciados.
Além do líder da organização, os outros três alvos com mandados de prisão preventiva expedidos exerciam funções de alto escalão na estrutura ilícita, sendo responsáveis pela administração financeira, pela logística de armazenamento dos entorpecentes e pela supervisão de pontos de comercialização na cidade de Paranaguá.
Os envolvidos na ação penal responderão por diversos delitos, como constituição de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsificação de documento público, uso de documento falso e posse irregular de munição.
Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4249
Fonte: Ministério Público PR
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