Agro
Monitora Caju: aplicativo da Embrapa revoluciona o manejo de pragas e doenças na cajucultura no Brasil
O avanço da tecnologia no campo ganha um novo reforço com o lançamento e aprimoramento do aplicativo Monitora Caju, desenvolvido pela Embrapa Agroindústria Tropical. A solução digital apoia produtores e técnicos no monitoramento, diagnóstico e manejo integrado de pragas e doenças do cajueiro, com foco na redução de perdas produtivas e no aumento da eficiência no controle fitossanitário.
A ferramenta é voltada especialmente para o combate ao oídio (Pseudoidium anacardii), à traça-da-castanha (Anacampsis phytomiella) e à broca-das-pontas (Anthistarcha binocularis), consideradas as principais ameaças à cajucultura brasileira.
Aplicativo funciona offline e fortalece a assistência técnica no campo
Disponível para sistemas Android, iOS e também em versão para computador, o Monitora Caju pode ser utilizado sem conexão com a internet, o que amplia seu alcance em regiões rurais com baixa conectividade.
O aplicativo reúne informações organizadas por categorias como:
- pragas e doenças
- sintomas
- monitoramento em campo
- manejo fitossanitário
Além disso, disponibiliza um amplo acervo de pesquisas da Embrapa sobre sanidade do cajueiro, funcionando como uma base técnica de apoio à tomada de decisão no campo.
Diagnóstico orientado e manejo integrado de pragas (MIP)
A tecnologia foi desenvolvida com base nos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), permitindo que o produtor avalie o estado sanitário do pomar a partir de observações em campo.
Com o auxílio de imagens comparativas de plantas sadias e atacadas, o aplicativo orienta:
- identificação de sintomas
- cálculo do nível de incidência
- recomendação de controle conforme o grau de infestação
Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões mais rápidas e precisas, reduzindo o uso desnecessário de defensivos e otimizando custos de produção.
Tecnologia de fácil uso e foco na agricultura familiar
Segundo pesquisadores envolvidos no desenvolvimento, a ferramenta foi projetada com linguagem simples e comandos autoexplicativos, facilitando o uso por agricultores familiares, que representam a maior parte da cajucultura brasileira.
A expectativa é que o aplicativo contribua para:
- maior eficiência no manejo fitossanitário
- redução de perdas na produção
- fortalecimento da assistência técnica no campo
Principais pragas e impacto na produção de caju
A cajucultura brasileira enfrenta alta pressão de pragas durante o período de frutificação. Entre as principais estão:
- Traça-da-castanha: Ataca diretamente as castanhas de caju, perfurando o fruto e comprometendo a amêndoa, o que gera prejuízos diretos ao produtor. Em áreas sem monitoramento, a infestação pode atingir níveis elevados de perdas.
- Broca-das-pontas: Afeta ramos florais e interrompe o fluxo de seiva, prejudicando a formação de frutos e reduzindo a produtividade do pomar.
- Oídio: Considerada a doença mais agressiva da cultura, o oídio atinge folhas, flores e frutos, podendo impedir a frutificação quando não controlado adequadamente.
Monitoramento contínuo reduz custos e aumenta eficiência
O aplicativo orienta o monitoramento sistemático das áreas cultivadas desde a implantação do pomar. A metodologia recomenda amostragens proporcionais ao tamanho da área e estabelece níveis de alerta para intervenção.
Entre os parâmetros utilizados estão:
- presença de furos nas castanhas
- murcha e secamento de ramos
- sintomas de pó branco característico do oídio
Esse acompanhamento permite ações preventivas, reduzindo custos com defensivos e aumentando a sustentabilidade da produção.
Mapeamento de ocorrências fortalece políticas públicas
O Monitora Caju também gera mapas georreferenciados de ocorrência de pragas e doenças, permitindo ao produtor construir um histórico próprio da área cultivada.
Esses dados podem:
- apoiar políticas públicas para a cajucultura
- orientar pesquisas científicas
- melhorar estratégias regionais de controle fitossanitário
Impacto na agricultura familiar e expansão da tecnologia
A cajucultura tem forte presença da agricultura familiar no Brasil, com milhares de pequenos produtores concentrados principalmente no Nordeste.
De acordo com dados oficiais, a maior parte da produção nacional de castanha-de-caju está nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, reforçando a importância de tecnologias acessíveis como o Monitora Caju.
Técnicos de assistência rural destacam que a ferramenta pode ampliar a capacidade de diagnóstico e resposta rápida no campo, especialmente em regiões com menor acesso à assistência técnica.
Conclusão
O Monitora Caju representa um avanço estratégico para a cajucultura brasileira ao integrar tecnologia, pesquisa e manejo agrícola em uma única plataforma. Ao facilitar o diagnóstico de pragas e doenças e orientar decisões de manejo, o aplicativo contribui para aumentar a produtividade, reduzir custos e fortalecer a sustentabilidade da produção de caju no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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