Brasil
MMA apresenta avanços da política nacional de OMECs em debate latino-americano sobre conservação da biodiversidade
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apresentou, na última terça-feira (20), os avanços do Brasil na construção da política nacional de reconhecimento de Outras Medidas Eficazes de Conservação (OMECs), durante mesa-redonda realizada no XII Seminário de Áreas Protegidas e Inclusão Social (SAPIS) e VII Encuentro Latinoamericano de Áreas Protegidas y Conservación Comunitaria (ELAPIS), em Brasília.
Com o tema “Avanços e panorama latino-americano sobre as áreas conservadas – OMECs e sua contribuição com a Meta 3”, a atividade reuniu representantes de governos, organizações da sociedade civil e especialistas de diferentes países da América Latina discutir experiências, desafios e estratégias de implementação do instrumento. O evento foi promovido pela Wildlife Conservation Society Brasil (WCS Brasil), The Nature Conservancy Brasil (TNC Brasil) e WWF-Brasil.
As OMECs são reconhecidas internacionalmente como instrumento complementar às áreas protegidas, permitindo identificar e valorizar territórios e iniciativas que já geram resultados efetivos para a conservação da biodiversidade. Entre os exemplos estão territórios indígenas, áreas de povos e comunidades tradicionais, propriedades privadas, assentamentos da reforma agrária e áreas públicas sob diferentes formas de gestão.
Durante o debate, o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Carlos Eduardo Marinelli, o processo de construção da política nacional de reconhecimento de OMECs. Segundo ele, a iniciativa vem sendo desenvolvida de forma participativa e já mobiliza 113 instituições representativas dos diversos setores da sociedade, dos biomas brasileiros e da zona marinho-costeira, além de 13 ministérios do governo federal.
O representante do MMA ressaltou ainda que a política em construção busca fortalecer uma abordagem de conservação inclusiva, valorizando o papel histórico desempenhado por povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, pescadores artesanais, extrativistas, produtores rurais e outros atores sociais na proteção da biodiversidade brasileira.
A integração das OMECs com políticas públicas nacionais também foi destacada durante a apresentação. Entre os instrumentos relacionados está a Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB 2025-2030), que prevê ações voltadas ao fortalecimento da conectividade ecológica, da conservação comunitária e da valorização dos povos e comunidades tradicionais.
No painel internacional, Carolina Hazin, da TNC Internacional e copresidente do Grupo de Especialistas sobre OMECs da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), apresentou perspectivas para a agenda global e os esforços em curso para consolidar diretrizes e referências comuns para o reconhecimento dessas áreas.
Também foi apresentado o panorama regional no âmbito da Agenda Colaborativa OMEC LAC 2025-2030. Johanna Dezza, especialista do WWF-USA em áreas protegidas e conservadas, destacou que o número de OMECs reconhecidas globalmente passou de cerca de 50 para mais de 7 mil entre 2021 e 2025. Segundo ela, a América Latina tem se consolidado como uma das regiões mais ativas na implementação do instrumento, com Colômbia, Peru e Equador já somando aproximadamente 15,1 milhões de hectares reportados à base global de dados de OMECs.
A experiência colombiana também foi apresentada durante a mesa-redonda. Alexandra Areiza, da WCS Colômbia, compartilhou os avanços do país na construção de uma política baseada em governança compartilhada entre Estado e sociedade civil, envolvendo instituições públicas, organizações ambientais e centros de pesquisa.
De acordo com Marinelli, as lições aprendidas pela Colômbia contribuíram para a criação, pelo MMA, de cinco grupos temáticos de especialistas responsáveis por discutir critérios e parâmetros de avaliação das OMECs sob diferentes abordagens ecossistêmicas, abrangendo ambientes terrestres, de águas doces e marinho-costeiros.
O representante do MMA destacou ainda que o Brasil vem desenvolvendo mecanismos inovadores para cadastramento, análise automatizada de dados, elaboração de relatórios e divulgação das futuras OMECs reconhecidas no país, com apoio de ferramentas de inteligência artificial.
Estudo de caso
Outro destaque da programação foi a apresentação do relatório “Do potencial à ação: OMECs e conservação inclusiva na América Latina”, coordenado pela Equipe Global de Ciências da Rede WWF. A publicação reúne seis estudos nacionais e um relatório síntese regional, incluindo o estudo brasileiro elaborado a partir de entrevistas, revisão bibliográfica e análises de casos em diferentes territórios do país. Saiba mais sobre a publicação aqui
Para Marinelli, o avanço da agenda de OMECs na América Latina depende da cooperação entre os países e da troca de experiências entre governos, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil. “Embora cada país avance a partir de seus próprios contextos políticos, ambientais e sociais, as experiências se fortalecem coletivamente e se complementam na construção de estratégias regionais de conservação inclusiva”, afirmou.
OMECs no SAPIS-ELAPIS
As discussões sobre OMECs integraram a programação temática “Outras Medidas Eficazes de Conservação (OMECs), Biodiversidade, Corredores Ecológicos e Coexistência” do SAPIS-ELAPIS e reforçaram o compromisso dos países latino-americanos com a Meta 3 do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, que prevê a conservação de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.
O SAPIS e o ELAPIS são eventos técnico-científicos que promovem o intercâmbio de conhecimentos e o debate sobre conservação da biodiversidade, áreas protegidas e inclusão social no Brasil e na América Latina.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Brasil
Viaje por São Miguel das Missões (RS), um encontro com a história do Brasil
Entre igrejas de pedra, esculturas sacras e vestígios de construções que atravessaram séculos, São Miguel das Missões (RS) preserva um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil. Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1983, o local guarda as ruínas do antigo povoado de São Miguel Arcanjo, criado por missionários jesuítas e indígenas guaranis durante o período colonial.
Instalado entre os séculos 17 e 18, no território que hoje corresponde ao Brasil e à Argentina, o sítio integra um conjunto de antigas missões. Essas comunidades foram criadas pelos jesuítas para catequizar os povos guaranis, mas também funcionavam como centros de moradia, agricultura, educação, música, arte e produção artesanal.
Com o fim das missões, parte das construções foi abandonada e as ruínas preservadas hoje ajudam a contar essa história.
Reconhecimento
A Unesco reconheceu São Miguel das Missões por preservar o mais importante conjunto preservado das Missões Jesuítico-Guaranis no Brasil. As ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo, da praça central e de outras estruturas do antigo povoado ajudam a compreender como viviam indígenas guaranis e missionários jesuítas entre os séculos 17 e 18.
O sítio brasileiro integra um Patrimônio Mundial compartilhado com quatro antigas missões na Argentina, formando um dos mais importantes conjuntos históricos da América do Sul.
O que fazer
Entre os principais atrativos estão:
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Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo: principal atração da cidade, reúne as ruínas da antiga igreja, da torre e de construções que faziam parte do povoado missioneiro.
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Museu das Missões: apresenta imagens sacras, esculturas e objetos produzidos nas antigas missões, além de ajudar o visitante a entender a organização desses povoados.
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Espetáculo Som e Luz: realizado à noite, usa iluminação e narração para contar a história das Missões Jesuítico-Guaranis.
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Praça das Missões: em frente às ruínas, oferece uma das principais vistas do conjunto histórico.
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Artesanato missioneiro: produzido por artesãos da região, reúne peças inspiradas na cultura guarani e na história das missões.
Quem estiver de carro pode aproveitar a viagem para conhecer outros destinos da Rota das Missões, como Santo Ângelo, São João Batista e o Santuário do Caaró, que ajudam a compreender a história da presença jesuítica no Sul do Brasil.
Quando visitar
São Miguel das Missões pode ser visitada durante todo o ano. Entre outubro e maio, as temperaturas são mais altas e favorecem os passeios ao ar livre.
Entre os principais eventos estão:
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Espetáculo Som e Luz: realizado regularmente junto às ruínas.
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Réveillon nas Missões: com apresentações culturais.
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Semana Nacional dos Museus: com programação especial no Museu das Missões.
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Semana Farroupilha: celebrada em setembro, com atividades culturais em toda a região.
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Celebrações religiosas e eventos ligados à cultura missioneira: ao longo de todo o ano.
Como chegar
São Miguel das Missões está localizada na Região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. O acesso mais rápido é pelo Aeroporto Regional Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo, a cerca de 50 quilômetros do município. A partir dali o trajeto pode ser feito de carro, ônibus ou traslado.
Também é possível chegar pelo Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Nesse caso, a viagem até São Miguel das Missões é feita por rodovia, em um percurso de aproximadamente 480 quilômetros.
Para quem viaja de carro, o principal acesso é pela BR-285, que liga a cidade a municípios da Região das Missões e a outras rodovias do estado.
Patrimônio Mundial
A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de valor universal excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios, cuja preservação é de interesse mundial.
O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.
Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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