Brasil
MMA apresenta ao Consórcio Nordeste ações contra desmatamento, incêndios e desertificação na Caatinga
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apresentou, na última quarta-feira (6/5), as ações para conter o desmatamento, os incêndios florestais e a desertificação na Caatinga, em reunião com os secretários de Meio Ambiente do Consórcio Nordeste.
Entre medidas destacadas está a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que prevê articulação entre os entes federativos para reduzir a incidência e os danos de incêndios florestais. Para 2026, o planejamento federal inclui a ampliação da capacidade de combate com 4.410 brigadistas, 240 brigadas operacionais, 19 aviões, 19 helicópteros e nove bases estratégicas, além de até R$ 371 milhões em novos projetos de prevenção e resposta.
As iniciativas em curso já demonstram resultados no Nordeste. Dados apresentados durante o encontro indicam redução de área queimada no bioma: de janeiro a abril de 2024, foram 111 mil hectares atingidos pelo fogo, já neste ano, no mesmo período, a área identificada foi de 69 mil hectares, segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, ressaltou a importância da cooperação entre os diferentes níveis de governo. “O Consórcio Nordeste é muito importante nesse trabalho. Essa articulação com o governo federal faz parte do objetivo de progredir. Temos muitos desafios na região e, por outro lado, muitas oportunidades para realizar um trabalho conjunto, inovando e avançando em políticas que possam trazer mais segurança ambiental e desenvolvimento local e sustentável”, disse.
Os estados e o Distrito Federal são responsáveis por preparar os seus Planos de Manejo Integrado do Fogo locais, contando com o apoio do Governo do Brasil. O secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, reforçou a necessidade de ação preventiva e de valorização da Caatinga.
“Não podemos apenas agir reativamente para minimizar efeito, é preciso agir preventivamente. É preciso que nós tenhamos muita clareza da necessidade do desenvolvimento para o Nordeste. Mas, em momento algum, tratamos do desenvolvimento descolado do cuidado com o meio ambiente. É preciso olhar para os biomas, e a Caatinga acaba sendo uma forma de subsistência de muitas famílias que, com seu manejo, conseguem preservá-la”, destacou.
El Niño
Visando à preparação e ações preventivas, durante a reunião, o professor José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), apresentou projeções indicando sinais de aquecimento incomum no Oceano Pacífico, que podem levar à formação de um novo El Niño entre 2026 e 2027.
A previsão aponta para impactos a partir da segunda metade deste ano. No Nordeste, o fenômeno pode influenciar o regime de chuvas e intensificar as secas no semiárido, agravados pela vulnerabilidade social e pelo uso inadequado do solo.
Nesse sentido, as políticas públicas do Governo do Brasil buscam mitigar os efeitos de fenômenos como esse. Já em curso, o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil) estabelece 38 objetivos estratégicos e 175 ações com indicadores de monitoramento para nortear esforços de prevenção e combate à desertificação e recuperação de terras degradadas em todos os biomas até 2045. As ações beneficiam diretamente cerca de 39 milhões de pessoas que residem nos mais de 1,6 mil municípios localizados em áreas suscetíveis à desertificação (ASD).
A desertificação é um processo complexo de deterioração da terra em áreas de climas áridos, semiáridos e subúmidos, como a Caatinga. O fenômeno é provocado por dimensões ambientais, sociais, culturais e econômicas que esgotam a capacidade de regeneração do solo e o torna improdutivo. Em casos de eventos climáticos extremos, a situação é agravada.
Outra política pública para controlar esse cenário são os Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Incêndios (PPCDs) da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Estes instrumentos combinam ações para impulsionar atividades produtivas sustentáveis, monitoramento e controle ambiental, ordenamento fundiário e territorial e instrumentos normativos e econômicos.
Recaatingar
Voltado às comunidades que convivem com a desertificação na Caatinga, o programa Recaatingar será lançado no próximo mês e foi apresentado para os secretários do Meio Ambiente do Consórcio Nordeste.
A iniciativa tem o objetivo de realizar a recuperação socioprodutiva de 10 milhões de hectares de terras degradadas na Caatinga nos próximos 20 anos. Para isso serão executadas ações de conservação do solo, recomposição da biodiversidade e restauração da água e outros serviços ecossistêmicos, além da promoção da resiliência e justiça climática para os povos que vivem na Caatinga.
Também com o objetivo de lidar com o uso inadequado do solo, no âmbito internacional, o Governo do Brasil se comprometeu a construir sua Meta Voluntária para Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês). O compromisso deverá unir ações para evitar, reduzir e restaurar áreas degradadas, e deve ser apresentado pelo país na próxima Conferência das Partes (COP) da UNCCD, que ocorrerá em agosto na Mongólia.
Participaram também do encontro a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes; o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima; o diretor do Departamento de Políticas, de Controle do Desmatamento e Incêndios do MMA, João Paulo Sotero; e o diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do MMA, Alexandre Pires;
Além disso, integraram a comitiva do Consórcio do Nordeste o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas, Ygo Costa; o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré; o Secretária do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará, Vilma Freire; o secretário de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade da Paraíba, Adroílzo Carlos Júnior; a secretária-executiva do Meio Ambiente de Pernambuco, Helena Saboya; a superintendente do Meio Ambiente do Piauí, Vitória Nascimento; o diretor-geral do IDEMA do Rio Grande do Norte, Werner Farkatt; e a secretária de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas de Sergipe, Ingrid Feitosa.
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Brasil
MJSP cria grupo de trabalho para regulamentar banco nacional de dados sobre facções criminosas, milícias e grupos paramilitares
Brasília, 5/6/26 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) iniciou a construção da regulamentação do Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas Ultraviolentas, Grupos Paramilitares ou Milícias Privadas. Para isso, foi instituído um Grupo de Trabalho Técnico (GTT), responsável por elaborar a proposta normativa que definirá as regras de funcionamento, governança, compartilhamento de informações, interoperabilidade e segurança do sistema.
Previsto no artigo 29 da Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, o Banco Nacional será uma ferramenta estratégica de integração de dados e produção de inteligência no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), destinada ao fortalecimento das ações de prevenção, monitoramento, investigação e repressão qualificada ao crime organizado.
A proposta em elaboração prevê a criação de uma base nacional unificada com informações sobre integrantes, colaboradores, financiadores e pessoas vinculadas a organizações criminosas ultraviolentas, milícias privadas e grupos paramilitares, além de registros sobre estruturas organizacionais, vínculos operacionais, financeiros e territoriais, dados de inteligência, investigações criminais e articulações interestaduais e transnacionais dessas organizações.
O sistema será coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Gestão e Integração de Informações (DGI), e deverá funcionar de forma integrada aos bancos estaduais que serão implementados pelas unidades da Federação. A proposta também prevê mecanismos de interoperabilidade, auditoria permanente, rastreabilidade dos acessos e elevados padrões de segurança da informação e proteção de dados.
Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a iniciativa representa um avanço estrutural na capacidade do Estado brasileiro de enfrentar organizações criminosas que atuam de forma articulada em diferentes regiões do país. “O crime organizado não respeita divisas estaduais. Por isso, precisamos de ferramentas capazes de integrar informações, identificar conexões e permitir uma atuação coordenada entre as forças de segurança. O Banco Nacional nasce com esse propósito: transformar dados em inteligência, fortalecer as investigações e ampliar a capacidade do Estado de enfrentar facções criminosas, milícias e grupos armados que ameaçam a população brasileira”, afirmou.
O grupo de trabalho reunirá representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil (Concpc) e Conselho Nacional dos Comandantes-Gerais das Polícias Militares (CNCG).
Também deverão ser convidados representantes do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central, Receita Federal, Ministério Público Federal, além de pesquisadores e instituições de referência na área da segurança pública, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), o Instituto Sou da Paz e o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).
Além de apoiar investigações e ações de inteligência, o banco permitirá identificar vínculos operacionais, financeiros e associativos entre indivíduos e organizações criminosas, fortalecer a cooperação entre os entes federativos, subsidiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e ampliar a integração entre os sistemas de segurança pública de todo o país.
A regulamentação também deverá estabelecer critérios objetivos para inclusão, atualização e exclusão de registros, protocolos de compartilhamento nacional e internacional de informações, mecanismos de auditoria e responsabilização, além da utilização de tecnologias avançadas para correlação de dados, análise de vínculos e apoio à atividade de inteligência.
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