Brasil
MMA apresenta ações de enfrentamento à mudança do clima na Semana de Ação Climática de Londres
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou da Semana de Ação Climática de Londres (London Climate Action Week – LCAW) 2026, um dos principais encontros internacionais dedicados ao enfrentamento à mudança do clima. Realizado entre os dias 21 e 25 de junho na capital londrina, o evento reuniu representantes de governos, organismos internacionais, setor privado, academia, instituições financeiras e sociedade civil para discutir a implementação do Acordo de Paris e dar continuidade às iniciativas apresentadas durante a COP30, realizada em Belém (PA) em novembro de 2025.
A delegação brasileira foi representada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; pelo secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, Adalberto Maluf; pelo Secretário Nacional de Mudança do Clima, Aloisio Melo; e pelo diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Garo Batmanian. Ao longo da semana, eles participaram de reuniões ministeriais, encontros bilaterais e eventos técnicos voltados à proteção das florestas, ao financiamento climático, à transição ecológica, ao combate ao desmatamento, à redução das emissões de metano e à implementação das decisões da COP30.
“A Semana de Ação Climática de Londres confirmou que a cooperação internacional permanece essencial para enfrentar a crise climática. O Brasil participou ativamente desse esforço, contribuindo para avanços em agendas estratégicas como superpoluentes, financiamento para florestas, natureza e adaptação climática. Nosso compromisso é transformar o legado da COP30 em ações concretas que gerem resultados para as pessoas e para o planeta.” afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
Superpoluentes
O combate aos superpoluentes foi um dos principais temas discutidos pelos representantes do MMA ao longo da semana. Seu ponto alto foi a Cúpula de Alto Nível sobre Superpoluentes, realizada no Palácio de St. James, com a presença do Rei Charles III e do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
O ministro Capobianco participou do encontro, que reuniu os integrantes da Coalizão Clima e Ar Limpo (Climate and Clean Air Coalition – CCAC), da qual o Brasil e o Reino Unido exercem a co-presidência.
No encontro, o secretário Adalberto Maluf, na condição de co-chair da CCAC pelo Brasil, apresentou contribuições do país e da coalizão para o avanço da agenda global de redução de superpoluentes, em articulação com parceiros internacionais.
Na mesma cúpula, foi lançado o Call to Action, um chamado internacional para acelerar a redução das emissões de metano, elaborado com a contribuição do Governo do Brasil. O documento, lançado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, identifica medidas prioritárias nos setores de agricultura, resíduos e petróleo e gás para ampliar a mitigação das emissões de superpoluentes.
“Os superpoluentes climáticos respondem a cerca de metade do aquecimento no curto prazo. O metano representa cerca de 30% e eles representam a via mais rápida para frear a curva da temperatura nesta década. Como co-presidente da Coalizão Clima e Ar Limpo, o Brasil trabalha para transformar esse consenso em ação concreta nos setores de energia, agricultura e resíduos, com ganhos diretos para a qualidade do ar e a saúde das pessoas”, destacou Adalberto Maluf.
Reunião Ministerial do Global Methane Pledge
Ainda no âmbito da agenda sobre a mitigação das emissões de metano, foi realizada a reunião ministerial do Global Methane Pledge, com a participação de ministros do Reino Unido, Noruega, Canadá, França, Alemanha, Brasil e Austrália, além de representantes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da CCAC, do Banco Mundial, União Europeia e da Global Methane Hub.
O encontro reforçou o compromisso político para acelerar a redução global das emissões de metano em setores estratégicos e ampliar a cooperação internacional para a implementação das metas do pacto.
A agenda incluiu ainda a Ministerial Roundtable on the Global Methane Pledge in the Energy Sector, o Working Breakfast with the Global Methane Pledge Champions Group, o High-level Event on Climate, Clean Air and Health – The Economic Case for Action e outros encontros voltados ao fortalecimento da cooperação internacional sobre metano, qualidade do ar, saúde e calor extremo.
Governança climática e implementação das NDCs
A Secretaria Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou de debates voltados ao fortalecimento da governança climática, da participação social e da implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
Durante o Fórum de Governança Climática, promovido pela Rede Internacional de Conselhos Climáticos (ICCN) e pela consultoria E3G, o secretário nacional de Mudança do Clima, Aloísio Lopes Pereira de Melo, integrou a mesa Engajamento em Políticas Públicas para Apoiar a Transição no Setor Empresarial, na qual apresentou a experiência brasileira de participação do setor privado na formulação e implementação de políticas climáticas.
Na Força-Tarefa Blue NDC Challenge, promovida pelos governos da França, Bélgica e Reino Unido, com apoio de organizações internacionais, foram apresentados os avanços da iniciativa e defesa d o fortalecimento das ações voltadas à integração da agenda dos oceanos às NDCs, além de contribuições para as discussões preparatórias da agenda de oceano para a COP31.
A agenda incluiu ainda a participação no lançamento da iniciativa South-South Confluence, voltada à articulação de organizações da sociedade civil do Sul Global para ampliar sua participação nas decisões das Conferências das Partes (COPs), fortalecendo a transição justa e a justiça climática.
“Na Semana de Ação Climática de Londres, a Secretaria Nacional de Mudança do Clima apresentou a experiência brasileira em temas estratégicos para a implementação da agenda climática, como governança, participação social e integração da agenda dos oceanos às NDCs”, afirmou o secretário nacional de Mudança do Clima.
Balanço Ético Global
Entre os destaques da participação brasileira esteve a estreia mundial do documentário “Vozes em Mutirão – Uma história do Balanço Ético Global” (“A People’s Stocktake – A Story of the Global Ethical Stocktake”), exibido em Londres nos dias 22 e 25 de junho. Realizado pelo MMA e pelo Ministério das Relações Exteriores, com direção de Leonardo Menezes e Eduardo Carvalho, produção da Outra Onda Conteúdo e coprodução da Marahu Filmes, o filme reúne registros exclusivos dos diálogos do Balanço Ético Global (BEG) realizados em 2025 em todos os continentes do mundo – Europa (Londres, no Reino Unido), América do Sul e Central e Caribe (Bogotá, na Colômbia), Ásia (Nova Delhi, na Índia), África (Addis Abeba, na Etiópia), Oceania (Sydney, na Austrália) e América do Norte (Nova York, nos Estados Unidos).
Proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o Balanço Ético Global foi um dos quatro círculos de liderança da COP30 e teve como objetivo engajar a sociedade em uma reflexão ética sobre a crise climática, reforçando a dimensão moral das decisões tomadas em Belém. Até a COP30, foram realizados 125 balanços éticos autogestionados, com mais de 15 mil participantes de 49 nações, em um processo que resultou em um manifesto ético voltado a qualificar as negociações climáticas.
O documentário destaca a contribuição de povos indígenas, comunidades tradicionais, juventudes e populações vulneráveis para a construção das respostas globais à crise climática, abordando temas como justiça climática, responsabilidade intergeracional, direitos humanos e proteção de defensores ambientais.
Ao longo de 2025, o processo reuniu lideranças globais como o Prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, a ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, a diretora regional do World Resources Institute (WRI), Wanjira Mathai, o ex-presidente do Kiribati, Anote Tong, e a fundadora do Center for Earth Ethics Karenna Gore, entre outras.
Fortalecimento de sinergias
Outro destaque da agenda brasileira em Londres foi a proteção da biodiversidade e o fortalecimento das sinergias entre natureza e clima.
O MMA participou das sessões “COP30 Deforestation Roadmap, London Nature Day: Nature-Climate Synergies e High Level Dialogue on Nature Metrics and Policy”.
O London Nature Day, organizado pelo Royal Botanic Gardens, Kew, e pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra), apresentou mecanismos de financiamento da natureza e ações voltadas à implementação conjunta das agendas de clima e biodiversidade antes das Conferências das Partes das Convenções do Rio previstas para este ano.
A programação incluiu ainda a abertura da exposição “Caatinga: Stitching Resilience” e a apresentação das mostras “Afluentes” (COP30) e “Amazônia Pra Sempre VR”, que destacaram a biodiversidade brasileira e os preparativos para a COP30.
Cooperação internacional
O Brasil também participou de discussões voltadas ao fortalecimento de mecanismos inovadores de financiamento para florestas tropicais e restauração ambiental.
Nos encontros dedicados ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e ao Tropical Forest Investment Fund (TFIF), foram apresentados os avanços alcançados desde o lançamento da iniciativa durante a COP30.
“As florestas tropicais são parte central da solução climática, e mecanismos como o Tropical Forest Forever Facility mostram que é possível remunerar quem mantém a floresta em pé. Levamos a Londres os avanços construídos desde a COP30 para transformar a proteção das florestas em uma agenda permanente de investimento”, afirmou o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian.
A programação contemplou ainda reuniões bilaterais e encontros com representantes de diversos países e organismos internacionais, voltados a fortalecer a cooperação em financiamento climático, conservação ambiental, transição energética e implementação dos compromissos do Acordo de Paris.
Enfrentamento ao calor extremo
A participação brasileira incluiu ainda a reunião do programa Beat the Heat, iniciativa global de enfrentamento ao calor extremo e de fortalecimento da resiliência urbana.
Aproveitando a presença de parceiros na Semana de Ação Climática de Londres, a reunião promoveu uma discussão focada no compartilhamento de avanços, no alinhamento de prioridades e no fortalecimento da cooperação no âmbito da iniciativa. A sessão teve contextualização do Pnuma e apresentação do Brasil sobre o Beat the Heat e o Compromisso Global de Resfriamento, com destaque para o papel do MMA na implementação da agenda.
O encontro, realizado pela Coalizão Cooling, da qual o Brasil exerce a co-presidência ao lado dos Emirados Árabes Unidos, teve como objetivo preparar a Assembleia Global de Resfriamento (Global Cooling Pledge Assembly), prevista para ocorrer em setembro deste ano em Singapura, para discutir medidas de resfriamento e adaptação frente aos eventos climáticos extremos.
No Brasil, o Beat the Heat foi integrado ao Programa Cidades Resilientes Verdes e já conta com 113 cidades participantes, abrangendo todas as regiões e zonas bioclimáticas do país, incluindo 20 capitais e 26 estados.
Entre os principais resultados recentes estão:
- reunião do Programa Cidades Resilientes Verdes com 781 inscritos e 506 participantes presenciais;
- realização de quatro sessões de capacitação sobre calor extremo;
- participação de 28 cidades brasileiras na iniciativa;
- lançamento do módulo de ilhas de calor urbanas do MapBiomas;
- lançamento do edital ArborizaCidades (R$ 19 milhões);
- fortalecimento da agenda de calor urbano nas políticas climáticas nacionais.
A participação na Semana de Ação Climática de Londres integra a estratégia do Governo do Brasil de ampliar o diálogo internacional e fortalecer a implementação dos resultados da COP30.
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Brasil
“A redução da jornada leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, diz Luiz Marinho no Senado
O Senado Federal realizou, nesta quarta-feira (1º), sessão temática para debater os impactos sociais e econômicos da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019), que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 no país.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou dos debates a convite da mesa, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Também participaram da sessão o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira; além de outros representantes do governo, lideranças sindicais, representantes de entidades de empregadores e trabalhadores e da sociedade civil.
Luiz Marinho ressaltou que o debate sobre a redução de jornada surgiu a partir de uma demanda da sociedade, especialmente das mulheres e da juventude. Ele chamou atenção para estudos e experiências de empresas que apontam aumento da produtividade e redução das taxas de absenteísmo após a diminuição da jornada de trabalho.
“Algumas empresas relatam que reduziram a jornada de 6×1 para 5×2 e verificaram melhorias de produtividade, preencheram as vagas que precisavam e zeraram o absenteísmo. A redução da jornada de 44 para 40 horas, com duas folgas na semana, leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, explicou.
O ministro citou estudos, como o realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. “Nessas 19 empresas que experimentaram a redução de jornada, o estudo da FGV mostra que 72% delas aumentaram sua receita, sua produtividade e seu resultado econômico efetivo. Em 44% delas, houve melhora no cumprimento de prazos operacionais e no fluxo de trabalho, levando a um processo de melhoria. É isso que os estudos estão mostrando”, disse.
Com base nos dados do eSocial — sistema do MTE que reúne mensalmente informações das empresas —, o ministro explicou que o impacto estimado nos custos é variável, entre 1,6% e 10%. “Não estamos falando de um impacto proibitivo, que não possa ser suportado pelas empresas brasileiras. São dados reais e concretos”, afirmou.
Luiz Marinho ressaltou ainda que, quando foi discutido o aumento da licença-maternidade, houve argumentos de que a medida poderia gerar impactos negativos no mercado de trabalho feminino. “Ao longo do tempo, vimos que a licença-maternidade não gerou o impacto relatado. O que assistimos foi o contrário: houve impacto positivo. Hoje temos mais mulheres no mercado de trabalho. Falas catastróficas não fazem frente à realidade”, informou.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, ressaltou que “não é verdade que ganhos reais para os trabalhadores, seja no âmbito salarial ou da redução de jornada, impactem em custos para a economia. Esse não é um debate só econômico, é um debate humano. A redução da jornada é uma demanda da sociedade brasileira”.
Em sua fala, o ministro Paulo Henrique Pereira destacou que mais da metade (51%) dos microempreendedores consideram a medida positiva. “Tivemos crescimento de produtividade nos últimos anos e a economia brasileira, com a menor taxa de desemprego e a menor inflação da história, dá sinais de que é capaz de assumir um custo como esse”, afirmou.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, reforçou que o governo é favorável à proposta e defendeu o diálogo. Segundo ela, “se olharmos a história das relações de trabalho, os avanços sociais nunca significaram colapsos”. A senadora criticou aqueles que são contra a discussão em ano eleitoral.
“O tempo político muitas vezes não combina com o calendário. Vamos fazer o debate com a complexidade que o tema exige, mas também com os dados que nos inspiram, assim como foi na CLT, na Constituição que reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais, na licença-maternidade ou na licença-paternidade”, ressaltou.
Adaptação
Representantes do setor produtivo defenderam, principalmente, um período maior de transição para adaptação às novas regras.
Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, “vocês nunca ouviram de nenhum setor produtivo que somos contra a 6×1 ou a redução de jornada, mas sim quanto à forma como ela deve ser feita. Estamos discutindo a forma, não o conceito”.
As centrais sindicais reforçaram o apoio à redução da jornada sem corte de salários. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Antônio Neto, ressaltou que o Brasil está há 38 anos sem promover constitucionalmente a redução da jornada.
“E aqui se confunde muito redução de jornada e escala de trabalho. São duas coisas distintas”, frisou.
Para o presidente da CTB, a PEC prevê exatamente isso: a redução da jornada de trabalho, a garantia de dois dias de descanso e a possibilidade de que as negociações coletivas estabeleçam diferentes formatos de escala.
“Desde 1988, a economia e a tecnologia avançaram, a automação reorganizou processos produtivos, a inteligência artificial já redefine setores inteiros, os ganhos se multiplicaram e o lucro encontrou formas mais sofisticadas de expansão. O que não avançou foi a disposição de parte da elite econômica em compartilhar esses ganhos com quem produz a riqueza nacional, o trabalhador brasileiro”, avaliou.
A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio deste ano e está em análise pelos senadores. Se aprovada pelo Senado, a proposta seguirá para sanção presidencial. O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário, com garantia de ao menos duas folgas semanais e prazo de até 14 meses após a promulgação para entrar em vigor.
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