Brasil
MMA anuncia estratégia nacional para eliminar exposição e contaminação por chumbo até 2030
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou na última quarta-feira (22/10) a Estratégia Nacional de Ações Conjuntas para o Enfrentamento da Contaminação por Chumbo. A iniciativa tem o compromisso de reduzir a exposição humana e ambiental a esse tipo de metal e outras substâncias tóxicas associadas até 2030. O trabalho é desenvolvido no âmbito da Comissão Nacional de Segurança Química (Conasq), colegiado coordenado pela pasta.
A divulgação foi realizada no Auditório Ypê do MMA, em Brasília, com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; do secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental da pasta, Adalberto Maluf, da diretora do Departamento de Qualidade Ambiental do ministério, Thaianne Resende; e do presidente da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (Anamma), Marçal Cavalcante.
O ato ocorreu no contexto da Semana Internacional de Prevenção de Exposição ao Chumbo, promovida anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Entre as metas, a medida estabelece a restrição do uso da substância em Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (EEE), que está em discussão no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e o fortalecimento da reciclagem ambientalmente adequada de baterias automotivas de chumbo-ácido. A redução do limite máximo de chumbo em tintas, como as usadas em construções e brinquedos infantis, também está entre as prioridades.
Em sua fala, a ministra repercutiu um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que identificou níveis de chumbo no sangue superiores aos aceitáveis em 1 a cada 3 crianças em todo o mundo, o que pode afetar o desenvolvimento neurológico.
Para a ministra, a estratégia posiciona o Brasil de forma fundamental na governança mundial de substâncias químicas. Segundo ela, a ação alcança uma situação grave que, muitas vezes, não tem um endereçamento evidente. “Tem um fenômeno que acontece que se chama Síndrome da Responsabilidade Difusa, são aqueles grandes problemas que acontecem com a natureza, com as pessoas, que não têm uma responsabilidade muito clara”, pontuou.
Em seguida, defendeu a adoção de políticas públicas mais efetivas para proteção da vida humana e da natureza. “Essas políticas públicas têm que ter prevenção, intervenção e punição para aqueles que agem em desconformidade com a ética”, declarou.
Ao relatar sua experiência pessoal, quando foi exposta ao antimônio, um tipo de metal pesado, Marina Silva manifestou empatia pelas pessoas afetadas por esse tipo de contaminação. A ministra também enfatizou os esforços do governo federal para combater a contaminação por metais pesados em terras indígenas, como a Yanomami e Munduruku, processo que conta com a participação do MMA.
A estratégia foi apresentada pelo secretário Adalberto Maluf, que enfatizou a importância das medidas de segurança química já adotadas pelo MMA para enfrentar os efeitos causados por uma “agenda, às vezes, invisível”.
“Essa estratégia oferece vários benefícios para o país, desde a proteção direta da saúde e a prevenção de novas contaminações até o fortalecimento da fiscalização e da capacidade laboratorial nacional para análise de chumbo”, informou. “Além de ações que apoiam a redução das desigualdades socioambientais relacionadas a essas áreas contaminadas e aos fatores de consumo”. Segundo o secretário, a estratégia permite ainda “o estímulo à inovação tecnológica, à economia verde e o fortalecimento do Brasil como líder regional em segurança química e governança ambiental.”
Para assegurar ambientes e produtos saudáveis, a ação contempla seis eixos: governança e marco regulatório; diagnóstico e capacidade nacional; gestão de risco, remediação e fiscalização; sistemas de informação, monitoramento e avaliação; formação, comunicação e mobilização social; e cooperação, ciência e inovação.
Além de fortalecer a governança sobre a exposição ao chumbo, a estratégia subsidiará a estruturação do Inventário Nacional de Chumbo e do Plano Nacional de Ação para a redução da Contaminação por Chumbo.
A medida dialoga ainda com a Política Nacional de Qualidade do Ar (PNQAr). Instituída em 2024, a ação estabelece mecanismos para monitorar a qualidade do ar, alinhada ao Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima), política que orientará as ações climáticas brasileiras até 2035, considerada a principal entrega do país para a COP30.
Conasq
Recriada em setembro de 2023, a Conasq é composta por 31 membros, entre representantes do governo, organizações da sociedade civil, indústria, da comunidade acadêmico-científica e entidades de classe. A missão do colegiado é promover ações integradas para fortalecer a gestão adequada de substâncias químicas, com proteção da saúde humana e do meio ambiente.
Especificamente sobre a estratégia, as atividades serão conduzidas pelo Grupo de Trabalho Permanente sobre Chumbo (GTP-Chumbo), instituído pela comissão no último dia 17 de outubro. O debate já resultou na realização de uma oficina participativa sobre o tema, no início desta semana. A medida conta com a parceria das organizações Bloomberg Philanthropies, Pure Earth e Vital Strategies.
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Brasil
Governo do Brasil anuncia ações para fortalecer proteção ambiental e enfrentar mudanças climáticas
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou, nesta quarta-feira (10), da cerimônia em que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou um conjunto de ações para fortalecer a proteção ambiental, enfrentar a mudança do clima e impulsionar o desenvolvimento sustentável no País. O evento, que ocorreu no Palácio do Planalto e celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente, reuniu ministros, autoridades e representantes da sociedade civil.
Durante a cerimônia, o Governo do Brasil apresentou medidas voltadas à conservação dos biomas brasileiros, à ampliação do reconhecimento dos serviços ambientais prestados por comunidades tradicionais e à preparação do País para os desafios da transição ecológica e da adaptação climática.
Um dos principais atos foi a sanção da Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga que, acompanhada do lançamento do Programa Recaatingar, passa a contar com aporte inicial de R$ 60 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Nordeste (BNB). Além disso, foi anunciada a regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), investimentos voltados para a agenda ambiental brasileira, além de outras ações.
Segundo Luciana Santos, a participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) reforça a importância da produção científica e da inovação tecnológica para subsidiar políticas públicas de proteção ambiental, monitoramento dos biomas, enfrentamento dos eventos climáticos extremos e desenvolvimento de soluções sustentáveis para o País. “A ciência, a tecnologia e a inovação têm papel decisivo na construção de um modelo de desenvolvimento capaz de combinar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. O conhecimento científico é fundamental para orientar políticas públicas e gerar soluções para os desafios climáticos do presente e do futuro”, destacou.
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