Brasil
MJSP lança Rede-Lab Crim para fortalecer investigações contra fraudes e crime organizado
Brasília, 13/3/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou, nesta sexta-feira (13), no Palácio da Justiça, a Rede de Laboratórios Estratégicos contra o Crime (Rede-Lab Crim), iniciativa voltada à integração de estruturas especializadas em análise de dados para apoiar investigações sobre crimes financeiros e atuação de organizações criminosas.
Coordenada pelo MJSP, por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), a rede ampliará a integração entre instituições que produzem e utilizam informações de inteligência. A Rede-Lab Crim utiliza ferramentas tecnológicas para identificar padrões suspeitos em investigações.
A iniciativa ampliará a capacidade de análise e fortalecerá o compartilhamento de inteligência entre os órgãos participantes.
Durante a cerimônia, foram formalizadas as adesões à Rede-Lab Crim da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), bem como firmados acordos de cooperação técnica com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e com a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB). Os instrumentos ampliam e disciplinam o intercâmbio de tecnologias, metodologias e análises estratégicas entre as instituições.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou que a cooperação institucional é essencial para enfrentar uma criminalidade cada vez mais sofisticada. “Não basta prender criminosos. É preciso desmontar o braço financeiro do crime organizado e sufocar os sistemas que sustentam essas organizações”, afirmou.
Tecnologia a serviço das investigações
Na prática, a Rede-Lab Crim reúne laboratórios que utilizam softwares especializados e equipes multidisciplinares para analisar grandes volumes de dados — como movimentações financeiras, registros administrativos e informações públicas — e transformar essas informações em inteligência para apoiar investigações e aprimorar parâmetros de análise.
Com a nova estrutura, as instituições participantes poderão integrar análises, compartilhar metodologias e desenvolver ferramentas conjuntas para identificar esquemas criminosos mais complexos, ampliando a capacidade do Estado brasileiro de enfrentar crimes como fraudes financeiras e golpes digitais.
A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, enfatizou que a criação da Rede-Lab Crim responde a uma demanda crescente no País. Segundo ela, o Brasil registra aumento significativo de fraudes que atingem cidadãos, empresas e setores da economia.
“Esses crimes muitas vezes alimentam organizações criminosas com a mesma força que os mecanismos já conhecidos de lavagem de dinheiro”, observou.
Maria Rosa também ressaltou a importância da atuação conjunta entre os órgãos. “O Ministério Público Federal, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Coaf formam uma engrenagem que reúne dimensões jurídicas, investigativas, fiscais e financeiras no combate ao crime organizado. A Rede-Lab Crim integra essas capacidades para transformar dados em inteligência, inteligência em ação e ação em resultados concretos para a proteção dos brasileiros”, disse.
Integração para enfrentar o crime
Com a Rede-Lab Crim, os órgãos participantes poderão compartilhar conhecimentos técnicos, integrar sistemas e aprimorar o uso de tecnologia nas investigações.
A atuação coordenada permitirá:
• identificar padrões de fraude associados ao crime organizado;
• integrar sistemas e análises hoje dispersos entre diferentes instituições;
• aplicar tecnologia e inteligência de dados em investigações complexas;
• fortalecer ações preventivas para proteger a população.
A proposta é que cada instituição contribua com sua expertise para ampliar a capacidade do país de compreender e enfrentar esquemas criminosos cada vez mais sofisticados.
Ao reunir tecnologia, inteligência financeira e cooperação institucional, a Rede-Lab Crim deve fortalecer a resposta do Estado brasileiro ao crime organizado e a delitos que afetam diretamente os cidadãos.
Autoridades presentes
Também participaram do evento o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o secretário especial da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Sakiyama Barreirinhas; a presidente substituta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Carolina Yumi; e o subprocurador-geral da República, representante do Ministério Público Federal, Lauro Pinto Cardoso Neto.
Brasil
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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