Brasil
Ministério de Portos e Aeroportos e Fórum dos Trabalhadores Portuários instalam primeiro GT de Equidade de Gênero no setor
No mês das mulheres, o Ministério de Portos e Aeroportos instituiu o primeiro Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero do Fórum dos Trabalhadores Portuários. Com mulheres em sua maioria, as entidades integrantes do grupo se reuniram, na última segunda-feira (2), para aprovar o regimento interno e alinhar as primeiras diretrizes do GT.
Criado pela Resolução nº 60, de 4 de dezembro de 2025, o grupo tem como objetivo acompanhar e propor ações voltadas à equidade de gênero no setor portuário, com foco na identificação de barreiras à igualdade, no monitoramento por meio de indicadores e na disseminação de boas práticas adotadas no Brasil e no exterior.
Para a coordenadora do GT de Equidade de Gênero e gerente executiva da Federação Nacional das Operações Portuárias, Maria Cristina Dutra, o início dos trabalhos representa um passo fundamental para fortalecer o debate e garantir avanços concretos nas pautas do setor. Segundo ela, o grupo também se consolida como um espaço democrático e institucional, onde cada entidade traz sua responsabilidade e sua representatividade.
“E é exatamente isso que fortalece o Grupo de Trabalho. O que eu levo para dentro dele é um compromisso muito claro, discutir saúde e segurança do trabalho para todos, de forma inclusiva, estruturada e permanente. Não há como falar de desenvolvimento portuário sem falar de proteção à vida e de equidade. Acredito profundamente nessa proposta, especialmente porque ela nasce com amparo institucional. Política pública não se constrói de forma isolada. Ela se constrói com diálogo, com integração entre governo e setor produtivo, e com responsabilidade compartilhada”, afirmou.
Já para a chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Portos, e representante da pasta na articulação do grupo, Marina Cavalini Bailão, a importância do GT está na consolidação de um espaço institucional permanente para tratar a equidade de gênero de forma estruturada e integrada ao setor. “A criação desse grupo permite que o tema deixe de ser pontual e passe a ser acompanhado com planejamento, metas e diálogo constante com as entidades”, destacou.
Experiências portuárias
Durante a reunião, as trabalhadoras portuárias de estados como a Bahia, o Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco puderam, além de debater os alinhamentos estratégicos do grupo, compartilhar vivências, resistência e lutas dos portos em que atuam.
Há 11 anos como vigia portuária no Porto de Imbituba (SC), Daiane Silva de Jesus integra a Federação Nacional dos Conferentes e Consertadores de Carga e Descarga (Fenccovib) e levou ao grupo de trabalho sua experiência profissional e as estratégias adotadas no terminal catarinense para o enfrentamento à violência de gênero.
Ela destacou a importância do espaço de diálogo para transformar vivências em ações concretas. “Eu sei que, nesse tempo, encontrei tantas mulheres em realidades diferentes e ouvi a dor de cada uma delas. Eu não estou chorando só pela minha dor, é pela dor de cada uma que eu estou trazendo comigo”, afirmou.
Para Daiane, o trabalho coletivo é essencial para mudar a realidade do setor. “Hoje a gente está aqui para trabalhar juntas e garantir que as próximas gerações não passem pelas mesmas dificuldades que a gente enfrentou e ainda enfrenta.”
Enfrentamento ao assédio
No Porto de Imbituba, estão em curso iniciativas estruturadas para o enfrentamento ao assédio e à violência de gênero no ambiente portuário. Entre as medidas adotadas está a utilização do canal de denúncias do Plano de Ajuda Mútua, o mesmo número destinado a emergências operacionais, que também recebe relatos de assédio ou situações de vulnerabilidade.
A partir do registro, é acionado um protocolo que prevê o deslocamento da guarda portuária para coleta de depoimentos, a notificação da empresa da trabalhadora para garantir acolhimento e o acionamento da Polícia Federal para investigação. Em casos ocorridos a bordo, pode haver retenção da embarcação para apuração dos fatos, com custos atribuídos ao armador, além de acolhimento humanizado e acompanhamento psicológico da vítima.
Outra medida implementada é a fixação de cartazes informativos em locais de grande circulação, em português e em outros idiomas, com orientações sobre a legislação e os canais de denúncia, ampliando o acesso à informação para trabalhadores e tripulantes. Segundo a vigia Daiane, práticas como assédio moral, sexual ou importunação não devem ser toleradas. “Independentemente de quem seja o agressor. Para isso, a gente precisa garantir que o agressor seja devidamente penalizado para que não haja impunidade e, assim, coibindo novas ocorrências”, destaca.
Como encaminhamentos finais da reunião, as discussões serão encaminhadas ao Fórum e o grupo avançará na construção de indicadores para monitorar as ações de equidade. Também foi destacada a importância de atuar em conjunto com o Órgão de Gestão de Mão de Obra (OGMO), com foco em cultura e educação no ambiente portuário, além de reforçado o convite para que os portos participem do diagnóstico que subsidiará as próximas etapas do trabalho.
Estiveram presentes na reunião representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), da Federação Nacional dos Portuários (FNP), da Federação Nacional dos Conferentes e Consertadores de Carga e Descarga, Vigias Portuárias, Trabalhadores de Bloco, Arrumadores e Amarradores de Navios nas atividades portuárias (Fenccovib), da Federação Nacional dos Estivadores (FNE), da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), e da Associação Mulheres e Portos.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos
Fonte: Portos e Aeroportos
Brasil
Conselho suplementa R$ 500 milhões no orçamento do FGTS para subsídio habitacional
Na 207ª Reunião Ordinária do Conselho Curador do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), foi aprovada, hoje (10), uma suplementação de R$ 500 milhões no orçamento de 2026. Os recursos serão destinados à habitação popular ampliando o orçamento de subsídio, solicitação do Ministério das Cidades. Com essa suplementação, os recursos destinados ao subsídio habitacional do Minha Casa, Minha Vida para as faixas 1 e 2 passarão de R$ 12,5 bi para R$ 13 bilhões em 2026.
Ainda foi aprovada a proposta de ampliação do prazo máximo de amortização de 20 para 30 anos nos programas Pró-Moradia, Saneamento Básico, Pró-Transporte e Pró-Cidades. Com isso, as operações de crédito com recursos do FGTS precisam observar o prazo máximo de amortização de 30 anos. Segundo o Ministério das Cidades, a mudança possibilita prazos mais compatíveis com as modalidades em relação a outras fontes de financiamento, e atender a uma demanda do setor.
Também ficou decidido que Caixa Econômica Federal deverá solicitar o resgate das cotas do FGTS, até 30 de setembro de 2026, no âmbito do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) no valor de R$ 5.846.429.085,31, ficando com Patrimônio Líquido em R$ 15,6 bilhões. Ao todo, o Conselho já resgatou R$ 29,8 bilhões no FI-FGTS.
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