Brasil
Ministério da Saúde qualifica profissionais do SUS na identificação de distúrbios de voz relacionados ao trabalho
O Ministério da Saúde (MS) reconhece os Distúrbios de Voz Relacionados ao Trabalho (DVRT) como doenças que precisam de prevenção, identificação e diagnóstico precoces para evitar resultados irreversíveis e que firam a saúde integral da pessoa afetada. Desta forma, uma série de ações com foco na vigilância em saúde do trabalhador e da trabalhadora têm sido realizadas, como o lançamento, em 2018, de publicação sobre protocolos de complexidade diferenciada sobre voz e da inserção, em 2020, do DVRT na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho.
A Pasta realiza debates, formações, palestras e treinamentos relacionados ao tema para qualificar, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), os públicos interno e externo. Nesse sentido, foi promovido, no dia 1º de outubro, o webinário “Avanços, Perspectivas e Desafios: a vigilância em saúde do trabalhador e da trabalhadora nos distúrbios de voz relacionados ao trabalho”. O evento reuniu especialistas e gestores para dialogar sobre estratégias e experiências voltadas à promoção da saúde vocal, prevenção de agravos e fortalecimento das ações de vigilância em saúde do trabalhador (ST) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
O evento foi moderado pela tecnologista da Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador (CGSAT), Lucimara Bezerra. Participaram cerca de 500 internautas de todos os estados da Federação, em sua grande maioria, profissionais do SUS que atuam na ST, além de representantes de movimentos sociais. Na abertura estiveram presentes o secretário adjunto da SVSA, Fabiano Pimenta, a diretora substituta do Departamento de Vigilância em Saúde do Trabalhador (DVSAT), Eliane Ignotti, e o coordenador-geral da CGSAT, Luís Leão. A transmissão foi realizada via cadastro na plataforma webinar.aids.gov.br na qual os participantes podem, também, emitir o certificado da atividade.
Atenção aos estados e municípios
Na abertura, o coordenador-geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador destacou como fundamental que o aprendizado seja replicado em todos os níveis da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renastt). “É importante que possamos reproduzir o conhecimento adquirido nos territórios, para alcançarmos nossa finalidade de vigilância que é reduzir agravos, nesse caso, produzidos pelos processos e organizações de trabalho perniciosos. Desejo que esse webinário sirva para reduzir o número de casos de distúrbios de voz nas categorias profissionais mais afetadas”, declarou Luís Leão.
Eliane Ignotti pontuou a diferença entre as disfonias gerais e aquelas relacionadas à atividade laboral. “Esse agravo se diferencia das disfonias comuns por estar diretamente associado à atividade profissional, comprometendo a comunicação e o desempenho do trabalho com ou sem alterações orgânicas da laringe. O problema não atinge apenas profissionais que têm como atividade principal a utilização da voz, mas também aqueles expostos a fatores de risco no ambiente de trabalho, como a fumaça, produtos químicos e condições extremas de temperatura”, argumentou.
Para Fabiano Pimenta, a formação é uma oportunidade fundamental para construir e aprimorar o Sistema com porta de entrada na atenção primária, profissionais capacitados e atuação dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). “Não apenas do ponto de vista do aspecto assistencial, mas sob o aspecto da vigilância, para melhor identificação do problema, é essencial que o DVRT seja colocado na pauta dos conselhos de saúde, nos quais a participação dos Cerest e, claro, principalmente dos usuários, contribui para que essas políticas sejam cada vez mais capilarizadas, fortalecidas e sustentáveis”, justificou o secretário adjunto da SVSA.
Ciclo de palestras
As palestras trouxeram diferentes perspectivas, desde a experiência de trabalhadores de várias categorias profissionais até dados científicos sobre distúrbios de voz e os caminhos para o fortalecimento das políticas públicas, apontando as estratégias e ações desenvolvidas no campo da saúde pública para o cuidado e prevenção. Entre os palestrantes convidados estiveram a coordenadora do grupo de trabalhadores de rua do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA), Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs, que explanou sobre a realidade dessa categoria e os desafios enfrentados diariamente.
A consultora técnica da Coordenação-Geral de Informações e Análises Epidemiológicas, Andrea Helena Dias, por sua vez, abordou a operacionalização e funcionalidades do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – E-SUS Sinan. A programação inclui, ainda, a participação da docente associada do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia, Maria Lúcia Vaz. A especialista expôs sobre o cuidado integral dos trabalhadores e o nexo causal dos DVRT, e apresentou informações recentes da relação entre condições de trabalho e saúde vocal.
O fonoaudiólogo e consultor técnico da CGSAT, Felipe Raposo, apresentou as normativas do Ministério e falou sobre a junção de voz, trabalho e atenção à saúde, além de indicar estratégias para o fortalecimento da vigilância epidemiológica do DVRT e a notificação eficaz nos sistemas disponíveis. Segundo ele, é fundamental que o profissional da atenção básica conheça o perfil epidemiológico, identifique grupos e contextos de maior vulnerabilidade, oriente sobre medidas de proteção e realize o dignóstico precoce para que o paciente possa ser direcionado à reabilitação e readaptação profissional.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Aprenda como fazer o tradicional Tacacá
O tacacá é um caldo quente de origem indígena e prato típico da Região Norte do Brasil. Servido em uma cuia, ele leva tucupi (caldo de mandioca-brava temperado), goma de mandioca, jambu (erva que causa leve dormência na boca) e camarão seco.
O segredo do prato está em preparar cada parte separadamente e fazer a montagem direto na cuia ou tigela na hora de servir.
Ingredientes
Para o Tucupi (Caldo)
2 litros de tucupi
4 dentes de alho amassados
4 folhas de chicória-do-Pará
4 pimentas-de-cheiro picadas
1 colher de chá de sal
Para a Goma
1 xícara de goma de mandioca (ou polvilho azedo/goma de tapioca)
1 litro de água
Para o Jambu e Camarão
2 maços de jambu limpos
500g de camarão seco salgado
Modo de Preparo
1. O Tucupi
Coloque o tucupi em uma panela média.
Adicione o alho, a chicória, a pimenta-de-cheiro e o sal.
Deixe levantar fervura.
Abaixe o fogo, tampe e cozinhe por 30 minutos para apurar o sabor.
2. O Camarão e o Jambu
Retire a cabeça e as patinhas dos camarões.
Lave-os bem e ferva em água por 5 minutos para dessalgar um pouco. Escorra e reserve.
Em outra panela com água fervente, cozinhe o jambu por 10 a 15 minutos até os talos amolecerem. Escorra e reserve.
3. A Goma
Dissolva a goma de mandioca em um copo de água fria para não empelotar.
Ferva o restante do 1 litro de água.
Despeje a goma dissolvida na água fervente, mexendo sem parar em fogo brando.
Cozinhe até virar um mingau bem grosso e transparente.
Como Montar o Prato
A montagem deve ser feita individualmente na cuia ou tigela e servida imediatamente:
Coloque uma concha pequena de tucupi bem quente.
Adicione uma boa colherada da goma transparente.
Distribua algumas folhas de jambu e os camarões por cima.
Complete com mais tucupi quente até quase encher a cuia.
Como se Consome
Sem talheres tradicionais: Não se usa colher. O caldo é tomado diretamente da cuia, enquanto o camarão e o jambu são pescados com um pequeno palito de madeira.
Tradição de lanche: É muito comum ser consumido no fim da tarde, vendido por “tacacazeiras” em barracas de rua.
Produção de camarão no Brasil
Segundo estimativa da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), a produção nacional de camarão cultivado atingiu cerca de 225 mil toneladas no ano de 2025. Se somada à atividade de pesca extrativa (cerca de 25 mil toneladas), o país movimenta mais de 250 mil toneladas anuais do crustáceo. A Pesquisa da Pecuária Municipal feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a carcinicultura brasileira, entre os anos de 2018 e 2024, atingiu a produção de 146,8 mil toneladas em 2024.
Na produção, houve intenso processo de interiorização da carcinicultura (criação em cativeiro), especialmente na região Nordeste, que atualmente é responsável por mais de 99% do volume de produção em cativeiro, com liderança absoluta dos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Essa expansão do cultivo foi impulsionada pela adaptação do camarão marinho ( Litopenaeus vannamei ) a águas de baixa salinidade, políticas públicas e avanços tecnológicos, contribuindo para o desenvolvimento regional e geração de renda, sobretudo entre pequenos produtores, que predominam no setor.
O litoral das regiões Sul e Sudeste possui relevância na captura de espécies nativas, como o camarão-branco e o camarão-rosa, pela pesca artesanal. Projetos de pesquisa e iniciativas piloto, como os desenvolvidos pelo Instituto de Pesca de São Paulo, vêm testando a viabilidade de criar camarão marinho ou de água doce, como o camarão gigante da Malásia, em viveiros escavados ou tanques no interior, por exemplo, em Jaguariúna-SP e no Espírito Santo, aproveitando a proximidade com grandes centros consumidores.
Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]
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