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Mercados globais recuam com tensões geopolíticas e inflação acima do esperado

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Wall Street inicia semana em queda com pressão sobre empresas de tecnologia

As bolsas de valores norte-americanas abriram em forte recuo nesta segunda-feira (2), refletindo a combinação entre dados de inflação acima das expectativas e a crescente preocupação com o setor de tecnologia.

No início das negociações, os principais índices operavam no vermelho: o Dow Jones caía 0,50%, o S&P 500 recuava 0,76% e o Nasdaq tinha queda de 1,15%, caminhando para o pior desempenho mensal desde março de 2025.

O movimento reflete a cautela dos investidores após resultados abaixo do esperado de empresas ligadas à inteligência artificial, especialmente da Nvidia, o que gerou correções em ações do setor. Além disso, a possibilidade de que o Federal Reserve mantenha juros elevados por mais tempo ampliou a aversão ao risco nos mercados.

Bolsas europeias resistem e alcançam novo recorde

Na Europa, o cenário é oposto ao observado nos Estados Unidos. Os principais índices operam com ganhos, impulsionados por resultados corporativos acima das expectativas e pela análise de novos dados econômicos positivos.

O índice STOXX 600 avançava 0,3%, atingindo 635,04 pontos — o maior nível histórico — e marcando o oitavo mês consecutivo de valorização. O DAX (Alemanha) subia 0,18%, enquanto o FTSE 100 (Reino Unido) ganhava 0,48%. Já o CAC 40 (França) registrava leve queda de 0,09%.

Apesar das incertezas ligadas às tarifas e à adoção de novas tecnologias, o mercado europeu mantém um ambiente otimista, sustentado pelo bom desempenho das empresas de energia e consumo.

Desempenho misto nas bolsas asiáticas

Os mercados asiáticos apresentaram resultados variados no início da semana. Na China, os índices encerraram o pregão praticamente estáveis, mas acumulando ganhos semanais após o retorno gradual dos investidores ao mercado, pós-feriado do Ano-Novo Lunar.

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O índice de Xangai subiu 0,4%, enquanto o CSI300 recuou 0,3%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1%, e em Tóquio, o Nikkei teve alta de 0,16%, alcançando 58.850 pontos. Já o KOSPI (Seul) caiu 1%, e o TAIEX (Taiwan) permaneceu fechado.

Conflito entre EUA e Irã eleva preço do petróleo e valoriza o ouro

As tensões geopolíticas voltaram ao centro das atenções após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, aumentando a instabilidade internacional. O episódio fez com que investidores buscassem ativos considerados seguros, como energia e metais preciosos.

Na China, o índice de Xangai encerrou com alta de 0,5%, o maior patamar desde 2015. A valorização foi impulsionada pelas ações dos setores de energia, ouro e defesa. As companhias CNOOC, PetroChina e China Petroleum & Chemical Corp. registraram fortes ganhos.

O índice que acompanha as ações de ouro chinesas subiu 7%, enquanto empresas ligadas à defesa e transporte marítimo também tiveram alta expressiva. Por outro lado, companhias aéreas e de turismo recuaram devido ao aumento nos custos de operação e incertezas sobre viagens.

Tabelas de fechamento das bolsas internacionais

Principais índices internacionais:

  • Tóquio (Nikkei): -1,3% (58.057 pontos)
  • Hong Kong (Hang Seng): -2,14% (26.059 pontos)
  • Xangai (SSEC): +0,47% (4.182 pontos)
  • Shenzhen (CSI300): +0,38% (4.728 pontos)
  • Seul (KOSPI): fechado
  • Taiwan (TAIEX): -0,90% (35.095 pontos)
  • Cingapura (STI): -2,32% (4.879 pontos)
  • Sydney (S&P/ASX 200): +0,03% (9.200 pontos)
Ibovespa cai com cautela global e dólar opera em alta

Bolsa brasileira acompanha movimento internacional e sente pressão das tensões no Oriente Médio

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Ibovespa recua após alta acumulada em fevereiro

O Ibovespa iniciou março em queda, refletindo a aversão ao risco internacional e a saída de capitais estrangeiros de mercados emergentes. Após encerrar fevereiro com valorização próxima de 4%, o índice recua neste início de mês, oscilando próximo aos 188.700 pontos.

O movimento segue a tendência global de cautela, após a escalada do conflito no Oriente Médio e a valorização do dólar no exterior. O desempenho negativo é puxado principalmente pelas ações de empresas ligadas a consumo e varejo.

Maiores altas e baixas do pregão
  • Altas do dia:
    • PRIO3: +4,11%
    • USIM5: +2,32%
    • MBRF3: +2,17%
  • Baixas do dia:
    • CSAN3: -5,27%
    • NATU3: -5,20%
    • CXSE3: -4,05%

O setor de energia, impulsionado pela alta do petróleo, foi o destaque positivo do pregão, enquanto companhias do varejo e de serviços financeiros registraram perdas.

Dólar e mercado cambial mostram volatilidade

O dólar comercial avança frente ao real, refletindo a busca de investidores por proteção em meio à instabilidade externa. O câmbio opera acima de R$ 5,10, com expectativa de forte oscilação nos próximos dias, especialmente diante da continuidade das tensões geopolíticas.

Economistas avaliam que o cenário de incerteza global deve manter o real pressionado no curto prazo, apesar de fundamentos sólidos da economia brasileira.

Perspectivas para o mercado nacional

Mesmo com o recuo momentâneo, analistas mantêm projeções positivas para o mercado acionário brasileiro em 2026. Casas de investimento apontam que o Ibovespa pode alcançar até 196 mil pontos até o fim do ano, sustentado por juros mais baixos e melhora gradual na confiança dos investidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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