Agro
Mercados da China e de Hong Kong avançam com expectativa de novos estímulos econômicos
Os principais índices da China e de Hong Kong registraram alta nesta quarta-feira (15), impulsionados pela expectativa de que o governo chinês adote novas medidas de estímulo econômico. O movimento de recuperação veio após uma série de quedas recentes e superou as preocupações relacionadas ao aumento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos.
Em Xangai, o índice SSEC subiu 1,22%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,48%. Já em Hong Kong, o Hang Seng teve valorização de 1,84%, encerrando sete sessões consecutivas de perdas.
Deflação reforça necessidade de medidas para reaquecer a economia
Dados oficiais divulgados nesta quarta-feira mostraram que a economia chinesa segue sob pressão deflacionária, com retração nos preços ao consumidor e ao produtor em setembro. A desaceleração do mercado imobiliário e as tensões comerciais externas continuam afetando a confiança de consumidores e empresas, ampliando o desafio do governo em sustentar o crescimento.
Segundo Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China, o cenário indica espaço para novas medidas de afrouxamento monetário.
“A deflação em meio à desaceleração do terceiro trimestre sugere que o Banco do Povo da China poderá continuar a flexibilizar sua política monetária”, destacou.
Tensões diplomáticas e reunião do Partido Comunista influenciam expectativas
Analistas observam que a recente intensificação das tensões comerciais entre China e Estados Unidos, somada à expectativa de um possível encontro entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump até o fim do mês, pode levar o governo chinês a adotar uma postura mais cautelosa nas próximas semanas.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com atenção a quarta sessão plenária do Partido Comunista Chinês, que ocorrerá entre 20 e 23 de outubro. O evento deve definir diretrizes para a política econômica, social e de desenvolvimento do país nos próximos cinco anos.
Índices asiáticos seguem o movimento positivo
O otimismo também se refletiu em outras bolsas da Ásia, que fecharam em alta acompanhando o desempenho positivo dos mercados chineses. Confira os resultados:
- Tóquio (Nikkei): +1,8%, aos 47.672 pontos
- Hong Kong (Hang Seng): +1,84%, aos 25.910 pontos
- Xangai (SSEC): +1,22%, aos 3.912 pontos
- Shenzhen (CSI300): +1,48%, aos 4.606 pontos
- Seul (Kospi): +2,68%, aos 3.657 pontos
- Taiwan (Taiex): +1,80%, aos 27.275 pontos
- Cingapura (Straits Times): +0,41%, aos 4.372 pontos
- Sydney (S&P/ASX 200): +1,03%, aos 8.990 pontos
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Proteína da soja ganha valor no mercado e reforça importância da qualidade na armazenagem de grãos no Brasil
A soja começa a deixar de ser avaliada apenas pelo volume produzido e passa a ganhar atenção crescente por seus atributos de qualidade, como teor de proteína, óleo e aminoácidos. Esse movimento, já consolidado em mercados como Estados Unidos e Canadá, começa a avançar gradualmente no Brasil e pode alterar a forma como o grão é valorizado na cadeia produtiva.
A tendência reforça a importância da pós-colheita e da armazenagem adequada como fatores determinantes para a manutenção do valor industrial da soja, especialmente no segmento de nutrição animal.
Qualidade da soja ganha peso na indústria e pode influenciar remuneração do produtor
Pesquisas conduzidas por José Marcos Gontijo Mandarino, pesquisador da Embrapa Soja, indicam que atributos como proteína e óleo impactam diretamente o rendimento industrial do farelo de soja, um dos principais insumos utilizados na nutrição animal.
A Embrapa Suínos e Aves destaca que o farelo de soja pode representar entre 65% e 70% da proteína utilizada em formulações para aves e suínos, evidenciando sua relevância estratégica na cadeia de proteína animal.
Em países como Estados Unidos e Canadá, produtores já recebem bonificações por soja com maior teor de proteína, com variações que podem chegar a 15% conforme contratos específicos. No Brasil, esse modelo ainda não está consolidado, mas especialistas indicam tendência de valorização progressiva da qualidade do grão.
Armazenagem adequada passa a ser fator estratégico na rentabilidade
Para o setor, a mudança de percepção sobre a soja também amplia o papel da armazenagem como etapa decisiva na preservação de atributos de qualidade.
Segundo o CEO da Provent Brasil, Elton Stadler, a armazenagem deixa de ser apenas uma etapa de conservação de volume e passa a ter impacto direto na estratégia econômica do produtor.
Ele destaca que, à medida que o mercado passa a considerar atributos como proteína e aminoácidos na formação de preços, a manutenção da qualidade do grão se torna um diferencial competitivo.
Estudo aponta perdas de qualidade em armazenamento inadequado
Um estudo da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas mostrou que silos sem controle adequado de ambiente podem gerar perdas significativas após seis meses de armazenagem.
Os principais impactos observados foram:
- Aumento de 58,4% nos grãos ardidos
- Crescimento de 14,5% nos grãos fermentados
- Redução do teor de proteína
- Maior perda de massa dos grãos
Os resultados reforçam a importância do controle de temperatura, umidade e ventilação na preservação da qualidade da soja armazenada.
Tecnologia de exaustão ganha espaço em unidades armazenadoras
Nesse cenário, sistemas de exaustão contínua, como o Cycloar, têm sido adotados em unidades armazenadoras há mais de três décadas.
A tecnologia atua na redução do calor interno, da condensação e do excesso de umidade nos silos, fatores diretamente associados à deterioração da qualidade dos grãos ao longo do tempo.
Mudança de mercado pode impactar renda do produtor rural
A tendência de valorização de atributos intrínsecos da soja, como teor de proteína e qualidade do farelo, pode alterar gradualmente a dinâmica de remuneração no campo.
Especialistas apontam que produtores que investirem em boas práticas de pós-colheita e armazenagem tendem a estar mais bem posicionados em um cenário de maior exigência da indústria.
Segundo o setor, a preservação da qualidade após a colheita pode se tornar tão relevante quanto a produtividade na definição do resultado econômico da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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