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Mercado de trigo reage no Brasil com alta internacional e retomada das compras pelos moinhos

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Mercado brasileiro de trigo ganha movimentação com retomada das compras

O mercado brasileiro de trigo registrou maior movimentação na primeira semana de março, impulsionado por uma reação nos preços e pelo retorno de moinhos às compras. A mudança de postura dos compradores ocorre em meio à valorização internacional do cereal e à preocupação com possíveis impactos geopolíticos no abastecimento global.

De acordo com análises da TF Agroeconômica, a experiência recente com a volatilidade provocada pela guerra no Leste Europeu fez com que indústrias moageiras adotassem uma estratégia mais cautelosa, buscando recompor estoques para evitar exposição a novas altas.

Esse movimento elevou a demanda por trigo no Sul do país e contribuiu para um ambiente de recuperação gradual das cotações.

Rio Grande do Sul registra maior demanda e alta nos preços

No Rio Grande do Sul, a intensificação das compras por parte dos moinhos resultou em aumento no volume de negociações e em preços mais firmes. Em algumas operações, o trigo pão foi negociado a cerca de R$ 1.250 por tonelada posto moinho, refletindo o interesse dos compradores em garantir abastecimento.

Também houve procura de cereal por parte de indústrias localizadas em outros estados, principalmente no Paraná e em Santa Catarina.

No interior gaúcho, o preço pago ao produtor apresentou leve avanço, chegando a aproximadamente R$ 55 por saca em Panambi. Já no mercado externo, o trigo com 12,5% de proteína foi cotado ao redor de US$ 232 por tonelada FOB no porto de Rio Grande.

Enquanto produtores com necessidade de liberar espaço nos armazéns aproveitaram o momento para negociar, aqueles com maior capacidade de estocagem demonstram preferência por manter o produto armazenado, apostando em novas valorizações.

Santa Catarina mantém mercado estável

Em Santa Catarina, o cenário foi de maior estabilidade ao longo da semana, com negócios pontuais e volumes relativamente reduzidos.

Alguns lotes de trigo melhorador foram comercializados a cerca de R$ 1.250 FOB, enquanto aproximadamente 150 toneladas de trigo tipo 2 foram negociadas na faixa de R$ 1.050.

Os moinhos catarinenses seguem priorizando compras de trigo proveniente do Rio Grande do Sul, considerado competitivo em qualidade e logística.

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Nos principais municípios produtores, os preços de balcão permaneceram entre R$ 59 e R$ 64 por saca. Para a próxima temporada, produtores avaliam a possibilidade de reduzir a área destinada ao cereal, migrando parte das lavouras para o milho. No entanto, eventual valorização do trigo poderá alterar esse planejamento.

Paraná apresenta recuperação de preços

No Paraná, o mercado também demonstrou sinais de recuperação nas cotações, embora o ritmo de negócios ainda seja considerado moderado.

Na região Norte do estado, foram registradas negociações próximas de R$ 1.250 por tonelada FOB, com algumas ofertas chegando a R$ 1.300. Já na região de Curitiba, operações ocorreram entre R$ 1.280 e R$ 1.290 CIF.

No Oeste paranaense, o volume de negócios foi menor devido à maior competitividade do trigo importado do Paraguai. Mesmo assim, o trigo gaúcho chegou a ser negociado na região entre R$ 1.170 e R$ 1.180 CIF.

Produtores mantêm postura cautelosa no mercado interno

Apesar do viés de alta observado nas cotações, o mercado brasileiro ainda apresenta liquidez limitada em diversas regiões.

Segundo análise da consultoria Saras & Mercado, o cenário atual reflete uma disputa entre compradores e vendedores. Enquanto os moinhos reconhecem a tendência de valorização, demonstram resistência em antecipar reajustes mais significativos. Por outro lado, produtores e detentores de estoques mantêm uma postura firme nas pedidas.

Outro fator que contribuiu para a oferta mais restrita foi o foco dos agricultores na colheita e comercialização da soja, o que reduziu temporariamente a disponibilidade de trigo de melhor qualidade no mercado interno.

Mercado internacional registra forte valorização do trigo

No cenário global, o mercado de trigo também apresentou expressiva valorização ao longo da semana. Os contratos negociados nas principais bolsas internacionais registraram ganhos relevantes, alcançando os níveis mais altos em quase um ano.

Na Chicago Board of Trade, o contrato de março do trigo brando SRW subiu 4,89%, encerrando a US$ 6,11 por bushel. Já o contrato para maio avançou 5,65%, chegando a US$ 6,16 por bushel.

Na bolsa de Kansas City, referência para o trigo duro HRW, o contrato de março registrou valorização de 4,49%, enquanto em Minneapolis, onde é negociado o trigo de primavera HRS, os preços subiram 3,87%, encerrando a sessão a US$ 6,31 por bushel.

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Na Europa, o trigo para moagem negociado na Euronext, em Paris, também apresentou alta, fechando o pregão a 199,50 euros por tonelada.

Clima e tensões geopolíticas sustentam preços

A valorização do cereal foi impulsionada por fatores climáticos e geopolíticos. O aumento das tensões no Oriente Médio elevou as preocupações com possíveis impactos no comércio internacional de grãos, especialmente nas rotas do Mar Negro, uma das principais regiões exportadoras de trigo do mundo.

Além disso, o monitoramento climático nos Estados Unidos aponta expansão das áreas de trigo de inverno afetadas por algum grau de estiagem. A Índia também enfrenta condições de clima seco, o que reforça as incertezas sobre a produção global.

Política monetária e câmbio entram no radar do mercado

No cenário doméstico, o ambiente macroeconômico também influencia a formação de preços do trigo. A política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil continua sendo acompanhada de perto pelos agentes do mercado.

A taxa básica de juros, a Selic, permanece em patamar elevado dentro da estratégia de controle da inflação. Esse cenário impacta diretamente o custo do crédito para produtores, indústrias e tradings, além de influenciar o comportamento do câmbio.

A variação do dólar frente ao real é um fator relevante para o setor, pois altera a competitividade do trigo importado e pode interferir na dinâmica de preços do cereal no mercado interno.

Perspectivas para o mercado de trigo

Analistas avaliam que o mercado do trigo deve seguir atento a diversos fatores nas próximas semanas, entre eles:

  • evolução das tensões geopolíticas em regiões produtoras e consumidoras;
  • condições climáticas em importantes áreas agrícolas;
  • comportamento do câmbio e da política monetária no Brasil;
  • decisões de plantio para a próxima safra nacional.

Mesmo com liquidez ainda moderada em algumas regiões, a combinação de oferta interna ajustada e valorização internacional mantém um viés de sustentação para os preços do trigo no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos

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A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.

O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.

O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.

Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.

O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.

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A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.

A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.

O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.

As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.

As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.

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Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.

A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.

A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.

Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.

Fonte: Pensar Agro

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