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Mercado de trigo inicia 2026 com ritmo lento e preços pressionados

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O mercado brasileiro de trigo começou o ano com pouca movimentação e negociações pontuais, refletindo a postura cautelosa dos compradores e a defesa dos vendedores. Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o mês de janeiro foi marcado por baixa fluidez e um ambiente de transição gradual dos fundamentos do setor, especialmente nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul.

Moinhos mantêm estoques e negociam apenas oportunidades

De acordo com Bento, os moinhos iniciaram o ano com estoques confortáveis, o que reduziu a urgência por novas compras. A preferência foi por negócios de oportunidade, resultando em baixa liquidez, especialmente no Paraná, onde as referências de preço para novos contratos foram escassas nas primeiras semanas do mês.

No Rio Grande do Sul, o analista destaca que houve perda de competitividade nas exportações, com preços portuários em torno de R$ 1.130 por tonelada, deixando de atrair o mercado externo. “Esse patamar já não remunera adequadamente a operação exportadora, o que limita o escoamento do excedente interno, especialmente em anos de maior oferta regional”, explicou Bento.

Importações limitam altas e definem teto de preços

Com a perda de força das exportações, o mercado interno passou a ser balizado pela paridade de importação, que se consolidou como principal referência para formação de preços domésticos. Embora o trigo nacional ainda mantenha alguma competitividade, a ampla oferta global atua como um limitador para altas mais expressivas.

No interior do Paraná, as negociações ficaram próximas de R$ 1.200 por tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul os valores variaram entre R$ 1.050 e R$ 1.100/t FOB. Mesmo com produção nacional menor do que em ciclos anteriores, o Brasil continua altamente dependente de importações.

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Oferta argentina influencia qualidade e preços internacionais

No cenário externo, a safra recorde da Argentina tem desempenhado papel central na formação de preços, mas trouxe um desafio adicional: a queda no teor de proteína dos grãos devido ao excesso de chuvas, com registros entre 8% e 9% em algumas regiões.

Segundo Bento, esse cenário elevou os prêmios para lotes com maior qualidade industrial e levou os moinhos brasileiros a buscar trigos melhoradores em outras origens. No fim de janeiro, o trigo argentino com 11,5% de proteína era cotado entre US$ 212 e US$ 220 por tonelada FOB, mantendo-se competitivo para embarques futuros.

Ambiente de cautela e transição de fundamentos

Janeiro foi caracterizado por um mercado de acomodação e seletividade nas compras, com pouca volatilidade, já que as indústrias operam com estoques confortáveis e sem urgência nas aquisições.

O analista projeta que o mercado brasileiro de trigo seguirá em transição ao longo de 2026: “O primeiro semestre ainda será influenciado pelos fundamentos da safra 2025/26, enquanto o segundo semestre começará a precificar riscos e expectativas da safra 2026/27, tanto no Brasil quanto no cenário internacional”, avaliou Bento.

Importações somam 2,78 milhões de toneladas na safra 2025/26

Segundo levantamento da Safras & Mercado, os line-ups de importação de trigo com desembarque nos portos brasileiros totalizam 2,778 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. No mesmo período da safra anterior (2024/25), o volume havia sido de 2,913 milhões de toneladas, indicando leve retração nas compras externas.

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O estado de São Paulo lidera os desembarques, com 594,7 mil toneladas (21,4%), seguido por Ceará (569,5 mil t; 20,5%), Pernambuco (347 mil t; 12,5%) e Bahia (340,1 mil t; 12,2%). Também se destacam Rio de Janeiro (230,4 mil t; 8,3%), Paraná (161,4 mil t; 5,8%) e Rio Grande do Sul (159,5 mil t; 5,7%).

Entre janeiro e fevereiro de 2026, os volumes já desembarcados ou previstos somam 436,3 mil toneladas, sendo 59,7% provenientes da Argentina, 2,8% da Rússia e 3,4% do Rio Grande do Sul via cabotagem. O restante (34,1%) ainda não tem origem definida, mas há expectativa de aumento na participação de cargas russas e norte-americanas, diante das limitações de qualidade do trigo argentino.

Bento observa ainda que o trigo paraguaio, por entrar via terrestre, não é contabilizado nos line-ups portuários, e que parte do grão desembarcado em um estado pode ser redistribuída para consumo em outras regiões do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de café inicia 2026 com forte volatilidade e atenção voltada à safra brasileira

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Janeiro marcado por altas e baixas nos preços internacionais

O mercado global de café iniciou 2026 com forte volatilidade. As bolsas de futuros do arábica em Nova York e do robusta em Londres registraram oscilações acentuadas ao longo de janeiro, refletindo incertezas sobre a oferta mundial e as expectativas em torno da safra brasileira — a maior do planeta.

No Brasil, a colheita do conilon deve começar entre abril e maio, seguida pela do arábica. Até o final de janeiro, o arábica apresentou queda tanto em Nova York quanto no mercado interno, enquanto o robusta teve alta em Londres e o conilon se manteve firme nos preços domésticos.

A desvalorização de 5,35% do dólar comercial até o dia 29 de janeiro também exerceu pressão sobre as cotações internas do café brasileiro.

Tensões geopolíticas e câmbio aumentaram a volatilidade

O início de 2026 foi marcado por turbulências, em especial pelas tensões políticas na América do Sul envolvendo a Venezuela e a possibilidade de impacto sobre a Colômbia, outro importante produtor. Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, esse cenário trouxe instabilidade momentânea aos preços.

“Após esse período mais agitado, o mercado se estabilizou e voltou ao intervalo de preços observado em dezembro, mantendo o movimento de correção negativa iniciado no final de 2025”, explica Barabach.

Condições climáticas no Brasil reforçam otimismo para a safra

O analista destaca ainda que as condições climáticas mais favoráveis no Brasil — com o retorno das chuvas e temperaturas mais amenas — têm contribuído para uma perspectiva mais otimista em relação à safra 2026.

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A melhora no fluxo global de comércio, impulsionada pela retirada de tarifas nos Estados Unidos e pelo adiamento das novas regras ambientais da União Europeia (EUDR), também pressiona as cotações do arábica para baixo.

“Os novos tours de safra indicam um cenário produtivo mais positivo, o que reforça a expectativa de uma colheita maior neste ano”, pontua Barabach.

Diferença entre arábica e robusta se amplia no mercado internacional

Enquanto o arábica perdeu força, o robusta apresentou valorização, sustentada pela postura mais cautelosa dos vendedores no Vietnã — principal concorrente do Brasil nesse segmento. Mesmo em plena safra, a oferta vietnamita segue limitada, o que mantém os diferenciais positivos e sustenta os preços na Bolsa de Londres.

Em números, o contrato de março/2026 do café arábica na Bolsa de Nova York caiu 0,9% em janeiro, recuando de 348,75 para 345,50 centavos de dólar por libra-peso. Já o robusta em Londres valorizou 5,8% no mesmo período.

Mercado físico brasileiro acompanha o cenário global

No Brasil, o comportamento foi semelhante. O café arábica tipo bebida boa, no sul de Minas Gerais, teve queda de 2,6% até o dia 29 de janeiro, influenciado pela desvalorização do dólar. No Espírito Santo, o conilon tipo 7 apresentou leve alta de 0,8%, passando de R$ 1.240,00 para R$ 1.250,00 por saca.

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Segundo Barabach, o mercado começa a precificar 2026 com base na expectativa de aumento da oferta global, após o aperto observado em 2025. “Ainda há incertezas, especialmente por conta dos baixos estoques e riscos ao abastecimento, o que mantém a volatilidade elevada”, ressalta.

Produtores devem adotar estratégias cautelosas de venda

O especialista recomenda que os produtores fiquem atentos às variações do câmbio e às bolsas internacionais, mantendo uma gestão estratégica de comercialização.

“A oferta restrita no curto prazo favorece negociações graduais, mas a perspectiva de safra maior exige cuidado para não perder o timing de mercado. O desafio é equilibrar prudência e oportunidade nas vendas”, conclui Barabach.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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