Agro
Mercado de café inicia 2026 com forte volatilidade e atenção voltada à safra brasileira
Janeiro marcado por altas e baixas nos preços internacionais
O mercado global de café iniciou 2026 com forte volatilidade. As bolsas de futuros do arábica em Nova York e do robusta em Londres registraram oscilações acentuadas ao longo de janeiro, refletindo incertezas sobre a oferta mundial e as expectativas em torno da safra brasileira — a maior do planeta.
No Brasil, a colheita do conilon deve começar entre abril e maio, seguida pela do arábica. Até o final de janeiro, o arábica apresentou queda tanto em Nova York quanto no mercado interno, enquanto o robusta teve alta em Londres e o conilon se manteve firme nos preços domésticos.
A desvalorização de 5,35% do dólar comercial até o dia 29 de janeiro também exerceu pressão sobre as cotações internas do café brasileiro.
Tensões geopolíticas e câmbio aumentaram a volatilidade
O início de 2026 foi marcado por turbulências, em especial pelas tensões políticas na América do Sul envolvendo a Venezuela e a possibilidade de impacto sobre a Colômbia, outro importante produtor. Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, esse cenário trouxe instabilidade momentânea aos preços.
“Após esse período mais agitado, o mercado se estabilizou e voltou ao intervalo de preços observado em dezembro, mantendo o movimento de correção negativa iniciado no final de 2025”, explica Barabach.
Condições climáticas no Brasil reforçam otimismo para a safra
O analista destaca ainda que as condições climáticas mais favoráveis no Brasil — com o retorno das chuvas e temperaturas mais amenas — têm contribuído para uma perspectiva mais otimista em relação à safra 2026.
A melhora no fluxo global de comércio, impulsionada pela retirada de tarifas nos Estados Unidos e pelo adiamento das novas regras ambientais da União Europeia (EUDR), também pressiona as cotações do arábica para baixo.
“Os novos tours de safra indicam um cenário produtivo mais positivo, o que reforça a expectativa de uma colheita maior neste ano”, pontua Barabach.
Diferença entre arábica e robusta se amplia no mercado internacional
Enquanto o arábica perdeu força, o robusta apresentou valorização, sustentada pela postura mais cautelosa dos vendedores no Vietnã — principal concorrente do Brasil nesse segmento. Mesmo em plena safra, a oferta vietnamita segue limitada, o que mantém os diferenciais positivos e sustenta os preços na Bolsa de Londres.
Em números, o contrato de março/2026 do café arábica na Bolsa de Nova York caiu 0,9% em janeiro, recuando de 348,75 para 345,50 centavos de dólar por libra-peso. Já o robusta em Londres valorizou 5,8% no mesmo período.
Mercado físico brasileiro acompanha o cenário global
No Brasil, o comportamento foi semelhante. O café arábica tipo bebida boa, no sul de Minas Gerais, teve queda de 2,6% até o dia 29 de janeiro, influenciado pela desvalorização do dólar. No Espírito Santo, o conilon tipo 7 apresentou leve alta de 0,8%, passando de R$ 1.240,00 para R$ 1.250,00 por saca.
Segundo Barabach, o mercado começa a precificar 2026 com base na expectativa de aumento da oferta global, após o aperto observado em 2025. “Ainda há incertezas, especialmente por conta dos baixos estoques e riscos ao abastecimento, o que mantém a volatilidade elevada”, ressalta.
Produtores devem adotar estratégias cautelosas de venda
O especialista recomenda que os produtores fiquem atentos às variações do câmbio e às bolsas internacionais, mantendo uma gestão estratégica de comercialização.
“A oferta restrita no curto prazo favorece negociações graduais, mas a perspectiva de safra maior exige cuidado para não perder o timing de mercado. O desafio é equilibrar prudência e oportunidade nas vendas”, conclui Barabach.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.
A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).
O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.
O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.
O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.
Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.
Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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