Agro
Mercado de milho oscila no Brasil: preços caem no físico, sobem na B3 e Chicago aguarda dados do USDA
Preços do milho recuam em Campinas, mas sobem em outras regiões
Os preços do milho apresentaram queda em Campinas (SP), referência para o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, ao longo da última semana. De acordo com pesquisadores do Cepea, o avanço da colheita da safra de verão elevou a oferta no mercado spot, levando compradores a reduzirem suas ofertas ou se afastarem das negociações.
Apesar disso, em outras regiões do país os preços seguiram firmes. A sustentação vem da postura mais cautelosa dos produtores, que mantêm os valores diante das incertezas relacionadas aos custos de frete.
Exportações de milho avançam em março
No cenário externo, os embarques brasileiros seguem em ritmo acelerado. Dados da Secex indicam que, nos primeiros 15 dias úteis de março, foram exportadas 784,2 mil toneladas de milho.
O volume representa cerca de 90% de tudo o que foi embarcado em março do ano passado, com um ritmo diário aproximadamente 14% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Chicago opera estável com mercado à espera do USDA
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de milho iniciaram a semana próximos da estabilidade, com leves quedas. O mercado internacional segue cauteloso à espera dos relatórios de plantio prospectivo e estoques trimestrais de grãos, que serão divulgados pelo USDA.
Por volta da manhã desta segunda-feira (30), os principais vencimentos apresentavam pequenas desvalorizações:
- Maio/26: US$ 4,61
- Julho/26: US$ 4,72
- Setembro/26: US$ 4,75
- Dezembro/26: US$ 4,88
Analistas destacam que o mercado pode enfrentar maior volatilidade no curto prazo. Segundo avaliação da Farm Futures, fundos de investimento ampliaram significativamente suas posições compradas em milho, o que aumenta o risco de liquidações e quedas mais intensas, dependendo dos dados a serem divulgados.
Milho sobe na B3 e ignora pressão externa
Na contramão do mercado internacional, os contratos futuros do milho negociados na B3 iniciaram a semana em alta. As cotações registraram valorização, com os principais vencimentos operando entre R$ 72,10 e R$ 76,20.
Entre os destaques:
- Maio/26: R$ 73,27 (+1,52%)
- Julho/26: R$ 72,10 (+1,09%)
- Setembro/26: R$ 72,71 (+1,18%)
- Janeiro/27: R$ 76,20 (+0,79%)
Na semana anterior, o contrato de maio/26 já havia encerrado a R$ 72,17, consolidando uma tendência de alta mesmo diante da pressão externa e da queda do dólar e dos indicadores domésticos.
Incertezas com a safrinha sustentam preços
Segundo análise da TF Agroeconômica, o desempenho positivo da B3 está diretamente ligado às incertezas envolvendo a segunda safra (safrinha). Atrasos no plantio e dúvidas quanto ao potencial produtivo mantêm o mercado em alerta, dando suporte às cotações.
Esse cenário reforça a divergência entre o mercado físico, pressionado pela oferta imediata, e o mercado futuro, que precifica riscos climáticos e produtivos.
Mercado interno segue travado em importantes estados
O comportamento do mercado físico varia entre os estados produtores, mas em geral segue com baixa liquidez e negociações pontuais:
- Rio Grande do Sul: a colheita atinge cerca de 73% da área, com produtividade irregular. Áreas irrigadas apresentam melhor desempenho, enquanto regiões com menor disponibilidade hídrica registram perdas.
- Santa Catarina: há forte desalinhamento entre preços, com vendedores pedindo cerca de R$ 75,00 por saca e compradores ofertando próximos de R$ 65,00.
- Paraná: o mercado segue travado, com a colheita da primeira safra praticamente concluída e o plantio da safrinha ocorrendo fora da janela ideal em parte das áreas.
- Mato Grosso do Sul: apesar de leve recuperação nos preços, as negociações permanecem limitadas. A demanda do setor de bioenergia ajuda a sustentar as cotações, mas a oferta elevada impede avanços mais expressivos.
Tendência do mercado: volatilidade no curto prazo
O mercado de milho inicia a semana com sinais mistos, refletindo fatores distintos entre oferta, demanda e cenário climático. Enquanto o físico sente o impacto da colheita, o mercado futuro reage às incertezas da safrinha.
No cenário internacional, as atenções seguem voltadas para os dados do USDA, que devem definir o rumo dos preços no curto prazo e podem ampliar a volatilidade global da commodity.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Goiás intensifica combate ao Greening com novo programa estadual de controle do HLB nos citros
A citricultura goiana entrou em alerta máximo contra o avanço do Huanglongbing (HLB), também conhecido como Greening. A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) publicou a Instrução Normativa nº 1/2026, criando o Programa Estadual de Prevenção e Controle Complementar ao HLB (PECHLB), com uma série de medidas fitossanitárias voltadas à proteção da produção de citros em Goiás.
A nova regulamentação estabelece ações obrigatórias de prevenção, monitoramento, controle e erradicação da doença, considerada atualmente a mais severa e destrutiva para os citros em nível mundial.
Programa busca proteger produção, empregos e cadeia citrícola em Goiás
Segundo a Agrodefesa, a implementação do programa é estratégica para preservar a sanidade vegetal e evitar impactos econômicos sobre o setor citrícola goiano.
O presidente da agência, José Ricardo Caixeta Ramos, destacou que a citricultura possui relevância econômica crescente no estado, contribuindo para geração de renda e empregos no campo.
De acordo com a Agrodefesa, o programa cria protocolos específicos para diferentes cenários fitossanitários, incluindo:
- áreas com ocorrência confirmada da doença;
- municípios limítrofes;
- regiões sem registros de HLB.
A medida busca aumentar a eficiência da vigilância sanitária e acelerar as respostas em caso de detecção da doença.
Erradicação de plantas contaminadas será obrigatória
Entre as principais determinações do novo programa está a obrigatoriedade da eliminação imediata de plantas contaminadas pelo HLB.
O gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Leonardo Macedo, explicou que os produtores deverão realizar o arranquio ou corte das plantas infectadas, além de adotar manejo para impedir novas brotações.
A normativa estabelece que não haverá indenização pelas plantas eliminadas.
Além disso, a Agrodefesa realizará levantamentos fitossanitários anuais para monitoramento da doença em todo o território goiano.
HLB é doença sem cura e ameaça produção de citros
O Huanglongbing é causado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., que compromete o sistema vascular da planta e provoca perdas severas de produtividade.
A disseminação ocorre principalmente por meio do psilídeo Diaphorina citri, inseto vetor que se hospeda em plantas cítricas e também na murta (Murraya paniculata).
Entre os principais sintomas do Greening estão:
- folhas amareladas e mosqueadas;
- frutos deformados;
- sementes escurecidas e malformadas;
- queda prematura dos frutos;
- redução drástica da produtividade.
A coordenadora do Programa de Citros da Agrodefesa, Mariza Mendanha, reforçou que o HLB não possui cura e exige monitoramento constante por parte dos produtores.
Segundo ela, o controle eficiente depende da rápida eliminação das plantas contaminadas e da conscientização do setor produtivo sobre os riscos da doença.
Goiás endurece regras para cultivo e comércio de murta
A Instrução Normativa nº 1/2026 também endureceu as regras relacionadas à murta, planta considerada hospedeira do inseto transmissor do HLB.
Com a nova regulamentação:
- fica proibida a manutenção de murta em municípios com ocorrência da doença;
- será obrigatória a eliminação das plantas existentes;
- também fica proibida a presença de murta com ocorrência do psilídeo em raio de até quatro quilômetros de áreas comerciais de citros.
Além disso, o estado proibiu:
- produção de mudas de murta;
- comercialização da planta;
- transporte interestadual e intraestadual;
- entrada da espécie em Goiás.
Viveiros, floriculturas, revendedores e estabelecimentos comerciais que possuírem mudas ou plantas da espécie deverão realizar a destruição imediata dos exemplares.
Doença já está presente em importantes estados produtores
No Brasil, o HLB já possui registros em importantes polos citrícolas, incluindo:
- São Paulo;
- Minas Gerais;
- Paraná;
- Mato Grosso do Sul;
- Santa Catarina;
- Goiás.
Atualmente, não existem variedades comerciais de citros resistentes à doença, o que torna as medidas preventivas fundamentais para evitar perdas econômicas e produtivas no setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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