Agro
Mercado de frango segue pressionado: preços estáveis no vivo e queda no atacado
O mercado brasileiro de frango apresentou estabilidade nos preços do animal vivo ao longo da semana, mas sem espaço para reajustes significativos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a oferta atual atende à demanda de forma confortável, o que impede avanços nas cotações.
De acordo com o especialista, o cenário de excesso de oferta é resultado do alto volume de alojamentos registrados nos últimos meses, exigindo um ajuste gradual para reequilibrar o mercado. Além disso, fatores externos seguem no radar do setor, como as tensões no Oriente Médio e os casos de influenza aviária em países próximos ao Brasil.
Atacado registra queda com pressão da oferta
No mercado atacadista, os preços recuaram ao longo da semana, refletindo a elevada disponibilidade de produto, especialmente no interior do país. Apesar de um possível enfraquecimento da demanda no varejo, diante de um processo de descapitalização do consumidor, a carne de frango segue competitiva frente a outras proteínas.
Nesse contexto, Maia destaca que o frango mantém vantagem principalmente em relação à carne bovina, o que contribui para sustentar o consumo. Ainda assim, o bom desempenho das exportações continua sendo fundamental para o equilíbrio do mercado interno.
Preços dos cortes congelados e resfriados em São Paulo
Levantamento da Safras & Mercado aponta variações nos preços dos cortes de frango no atacado paulista:
- Cortes congelados
- Peito: estável em R$ 8,50/kg
- Coxa: recuo de R$ 6,25 para R$ 6,00/kg
- Asa: queda de R$ 10,50 para R$ 9,90/kg
- Na distribuição:
- Peito: mantido em R$ 8,70/kg
- Coxa: de R$ 6,50 para R$ 6,25/kg
- Asa: de R$ 10,75 para R$ 10,20/kg
- Cortes resfriados
- No atacado:
- Peito: estável em R$ 8,60/kg
- Coxa: de R$ 6,35 para R$ 6,10/kg
- Asa: de R$ 10,60 para R$ 10,00/kg
- Na distribuição:
- Peito: mantido em R$ 8,80/kg
- Coxa: de R$ 6,60 para R$ 6,35/kg
- Asa: de R$ 10,85 para R$ 10,30/kg
Preço do frango vivo nas principais regiões
O levantamento mensal indica estabilidade nas principais praças de comercialização:
- São Paulo: R$ 4,50/kg
- Rio Grande do Sul (integração): R$ 4,65/kg
- Santa Catarina (integração): R$ 4,65/kg
- Oeste do Paraná: R$ 4,60/kg
- Mato Grosso do Sul: R$ 4,40/kg
- Goiás: R$ 4,45/kg
- Minas Gerais: R$ 4,50/kg
- Distrito Federal: R$ 4,45/kg
- Ceará: R$ 5,50/kg
- Pernambuco: R$ 5,40/kg
- Pará: R$ 5,80/kg
Exportações seguem como fator de sustentação
As exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis somaram US$ 602,833 milhões em março (considerando 15 dias úteis), com média diária de US$ 40,188 milhões.
O volume embarcado atingiu 329,818 mil toneladas, com média diária de 21,987 mil toneladas, enquanto o preço médio foi de US$ 1.827,80 por tonelada.
Na comparação com março de 2025, houve queda de 2,8% no valor médio diário e de 4,7% no volume médio diário exportado, enquanto o preço médio registrou valorização de 2%, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.
A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).
O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.
O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.
O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.
Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.
Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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