Connect with us


Agro

Mercado 24h da Grão Direto supera 55 mil toneladas negociadas em menos de três meses e acelera digitalização da comercialização de grãos

Publicado em

A transformação digital da comercialização de grãos no Brasil ganhou um importante impulso em 2026. Em menos de três meses após o lançamento da funcionalidade Mercado 24h, a plataforma Grão Direto contabilizou mais de 55 mil toneladas de grãos negociadas fora do horário convencional de pregão, resultado obtido em parceria com a ADM do Brasil.

O volume comercializado equivale à carga completa de um navio e foi alcançado com mais de 100 operações concluídas em horários considerados não convencionais, como durante a noite, nas primeiras horas da manhã, em finais de semana e feriados. O desempenho chama ainda mais atenção porque a ferramenta foi disponibilizada de forma gradual aos usuários, ampliando sua operação progressivamente em todo o país.

Nova ferramenta amplia oportunidades de comercialização

A iniciativa surgiu para atender uma demanda recorrente do mercado físico de grãos. Tradicionalmente, produtores rurais acompanham as cotações e tomam decisões de venda em momentos que nem sempre coincidem com o funcionamento das bolsas internacionais e das mesas de negociação das tradings.

Na prática, muitos negócios deixavam de ser realizados porque, durante esses períodos, não havia ofertas disponíveis para negociação.

Com o Mercado 24h, esse cenário mudou. A ferramenta permite que as tradings mantenham preços ativos continuamente na plataforma, utilizando mecanismos de proteção no mercado internacional enquanto acompanham as oscilações do câmbio, das commodities e das referências globais de preços.

Leia mais:  Agrodefesa e CropLife Brasil lançam guia para proteger abelhas e fortalecer polinização no agronegócio

Dessa forma, períodos antes considerados improdutivos passaram a representar novas oportunidades de comercialização para produtores e compradores.

Flexibilidade gera novos negócios

Segundo a Head de Operações da Grão Direto, Gabriela Felizardo, os resultados obtidos desde o lançamento confirmam que existia uma demanda reprimida por maior flexibilidade nas negociações.

“O desempenho da plataforma demonstra que muitos produtores acessavam o mercado em horários alternativos e estavam dispostos a fechar negócios caso encontrassem ofertas disponíveis. O Mercado 24h transformou esse comportamento em operações efetivas, oferecendo mais segurança, organização e eficiência para toda a cadeia”, destaca.

A executiva ressalta que boa parte das negociações realizadas fora do horário tradicional dificilmente teria ocorrido no modelo convencional de comercialização.

Digitalização aproxima mercado brasileiro dos padrões globais

Lançada no início de 2026, a funcionalidade foi desenvolvida com o objetivo de aproximar o mercado brasileiro da dinâmica observada nas principais bolsas internacionais, onde informações, preços e velocidade na tomada de decisão exercem papel fundamental na formação dos negócios.

A ADM do Brasil tornou-se a primeira grande trading a operar utilizando o Mercado 24h, inaugurando uma nova etapa no processo de digitalização da comercialização de grãos no país.

Para o vice-presidente de Grãos da ADM do Brasil, Eduardo Rodrigues, a ferramenta já apresenta ganhos concretos para a empresa.

“Já possuíamos capacidade de precificação nesses horários, mas não existia uma operação estruturada para atender o produtor fora da janela tradicional de negociação. Agora conseguimos capturar essas oportunidades, ampliar a liquidez e oferecer uma experiência muito mais ágil aos clientes, atendendo uma demanda que já existia no mercado”, afirma.

Mercado físico ganha liquidez e eficiência

Além de ampliar o número de oportunidades comerciais, o Mercado 24h contribui para aumentar a liquidez do mercado físico de grãos ao permitir negociações contínuas independentemente do funcionamento da Bolsa de Chicago.

Leia mais:  Suplementação estratégica durante as águas pode dobrar o ganho de peso do rebanho

Essa flexibilidade torna o processo de comercialização mais alinhado à rotina do produtor rural, que muitas vezes acompanha o mercado durante os intervalos das atividades na fazenda ou em horários alternativos.

A iniciativa também fortalece a integração entre o mercado físico e as estratégias de proteção de preços utilizadas pelas tradings, tornando a negociação mais dinâmica e eficiente.

Tendência é ampliar a comercialização digital no agronegócio

Os resultados registrados nos primeiros meses de operação indicam que a comercialização digital tende a ganhar ainda mais espaço no agronegócio brasileiro.

Com maior flexibilidade de horários, rapidez na formação de preços e aumento da liquidez, ferramentas como o Mercado 24h devem contribuir para modernizar as negociações entre produtores, cooperativas, cerealistas e tradings, consolidando uma nova etapa na transformação digital da cadeia de grãos no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Published

on

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia mais:  PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025 e força do agronegócio sustenta atividade econômica

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia mais:  Suplementação estratégica durante as águas pode dobrar o ganho de peso do rebanho

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262