Brasil
MCTI inaugura sala de amamentação e reforça apoio à permanência de mulheres no trabalho
A criação de uma Sala de Amamentação no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) enfrenta um dos principais desafios para quem amamenta no ambiente de trabalho: a conciliação entre maternidade e carreira. Inaugurado nesta terça-feira (31), o espaço permite a extração e armazenamento de leite durante a jornada, garantindo condições mais adequadas para a continuidade da prática, além de um ambiente acolhedor para quem precisa incluir um bebê na rotina profissional.
Para a ministra Luciana Santos, a entrega é ainda mais simbólica por ser ela a primeira mulher a ocupar esse cargo. “Eu tenho também o papel de cuidar das mulheres servidoras. Aqui, nós fazemos a gestão, mas todas nós, dentro da pesquisa ou não, estamos envolvidas em uma política estratégica para o País. É importante ter um espaço de acolhimento e de segurança para receber todas que voltam da licença-maternidade”, afirmou.
Desenvolvido por meio da Assessoria de Participação Social e Diversidade (Aspad), a sala assegura direitos básicos de quem amamenta. Segundo a chefe da pasta, Elisangela Lizardo, a decisão surgiu a partir de necessidades e desafios relatados por colaboradoras no ambiente da ciência, tecnologia e inovação.
“A gente escuta casos de pessoas que vão extrair leite no banheiro, que vão extrair na cozinha, que, quando precisam fazer isso numa sala, têm algum tipo de retaliação. Então, nós pensamos em como garantir um espaço de segurança e de conforto para quem precisa continuar amamentando o seu filho, mas que precisa cumprir sua jornada de trabalho”, afirmou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação exclusiva até os 6 meses de vida e a complementação até os 2 anos ou mais, devido aos seus comprovados benefícios nutricionais, imunológicos e de desenvolvimento.
Pesquisas no campo do cuidado apontam que, apesar da recomendação, a realidade de quem precisa voltar ao trabalho é outra. Um estudo publicado na Revista de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificou que mulheres relatam dificuldades para manter o aleitamento após a volta ao trabalho, associadas principalmente à distância do bebê e à falta de condições adequadas. Já o Ministério da Saúde reconhece o retorno ao trabalho como um dos principais desafios para a manutenção do aleitamento materno no país.
O espaço é equipado pensando em suprir as necessidades da amamentação e garantindo a privacidade de quem o utiliza. “É um espaço de apoio à amamentação. Quem trabalha aqui no MCTI, seja servidora, terceirizada, colaboradora, qualquer uma que esteja em processo de amamentação pode utilizar a sala para fazer a extração e conservação do seu leite antes de ir embora”, afirma Elisangela.
A sala conta com três poltronas, mesas e prateleiras para apoio de materiais, tomada elétrica para uso de bomba de leite, lavatório, ambiente com privacidade e biombos, higienizadores, materiais informativos e uma geladeira para conservação do leite. Segundo a chefe da Aspad, o local também é pensado em quem precisa levar o filho até o trabalho. “Se também precisar trazer o filho aqui, esse é um lugar seguro e de tranquilidade para conseguir respirar um pouco, conseguir dar atenção para o seu bebê.”
Uma escolha imposta
Para as trabalhadoras do MCTI ouvidas pela reportagem, a problemática é a mesma. A secretária-executiva da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec), Alline Freitas de Figueiredo, já retornou da licença-maternidade e agora retira leite para o pequeno Iago, de 6 meses. Segundo ela, as necessidades vão muito além de atender quem retira o leite unicamente para amamentação, também há a demanda de alívio do desconforto durante a jornada.
“Como é que eu trabalho com o meu peito enchendo de leite? Eu faço o que com esse leite? Sendo que pode empedrar, incomodar. Sendo que meu filho ainda precisa comer, sabe? Sendo que eu sou a fonte de alimento dele. Então, eu acho que voltar ao trabalho e ter um local onde a gente pode continuar amamentando com dignidade, com privacidade, enquanto a gente partiu para o nosso ofício, é excelente.”
Alline precisou do espaço antes de ele ter sido finalizado, por isso, enfrentou a realidade de muitas: retirava o leite em banheiros ou dentro do carro. “Eu tenho a bomba, mas eu não conseguia desinfectar muito bem, ainda mais na pia de um banheiro que todos usam. Também não tem muito espaço nas cabines dos banheiros e nem no carro. Aqui, fica perfeito. Eu torço para que todos os locais de trabalho contem com uma sala assim. Em todos os lugares há alguém amamentando”, afirmou.
A maternidade e o cuidado com bebês marcam uma ruptura na trajetória profissional de quem vivencia esse processo no Brasil. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) realizado no período de 2009 a 2012, indica que, entre mulheres que tiveram acesso à licença-maternidade, 48% estavam fora do mercado de trabalho após 12 meses. Dados mais recentes concretizam os dados antigos. Uma análise do último trimestre de 2023, feita pela própria FGV, com base na PNAD Contínua, mostram que mães seguem com menor participação no mercado — 65,2%, contra 73,2% entre mulheres sem filhos. O retorno ao trabalho também dificulta a continuidade da amamentação, especialmente pela falta de apoio institucional.
O entrave é sentido também pela secretária-executiva da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes) Rayla de Jesus, que está grávida e precisará do espaço em breve. Segundo ela, a falta de inclusão e espaço para quem materna faz com que uma “escolha” seja imposta: ou a carreira, ou a maternidade.
“A gente está sempre tendo que escolher entre uma profissão e a vontade de ser mãe. Nós, na ciência, ou em qualquer lugar, podemos querer conciliar. Esse espaço é muito bom porque valoriza o respeito, um lugar apropriado para esse seu momento, sem que você abra mão nem de um nem de outro”, disse.
Ecossistema MCTI
De acordo com a chefe da Aspad, a intenção é que futuramente as 29 entidades vinculadas ao MCTI também adotem Salas de Amamentação em seus espaços. Além disso, há a intenção de estruturar uma sala no anexo do MCTI, localizado na Asa Norte. “A gente já discutiu isso na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, já provocamos algumas vinculadas, que disseram que vão se esforçar para buscar salas de apoio”, disse Elisangela Lizardo sobre os planos futuros.
A ministra Luciana Santos reforçou o caráter social da Sala de Amamentação e a importância real e simbólica de ter um espaço assim na casa da ciência. “Garantir o direito à amamentação é muito importante. Como mãe adotiva, eu tentei amamentar, e sei da relevância desse momento. Viva a amamentação que salva as crianças, como a ciência já revelou”, finalizou.
Brasil
População de Torres (RS) é atendida por carreta de saúde da mulher do Ministério da Saúde; veja como funciona
Pacientes do SUS que aguardam serviços especializados em saúde da mulher em Torres (RS) e região estão sendo atendidas por uma carreta do Ministério da Saúde. Estruturada com equipamentos, insumos e uma equipe multiprofissional, a unidade oferta serviços para diagnóstico precoce de câncer de mama e do colo do útero.
Os serviços fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, criado pela Lei nº 15.233/2025, e oferecem consultas, procedimentos, exames e demais ações em atenção especializada à saúde.
Na unidade móvel, são realizadas mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, biópsias e consultas com especialistas, que interpretam os exames e direcionam a paciente para as próximas fases de cuidado. Em funcionamento de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, pode realizar até 60 atendimentos por dia.
Além do município, pacientes de outras 11 cidades também poderão ser encaminhados para atendimento pelas secretarias municipais de saúde: Arroio do Sal, Capão da Canoa, Dom Pedro de Alcântara, Itati, Mampituba, Maquiné, Morrinhos do Sul, Terra de Areia, Três Cachoeiras, Três Forquilhas e Xangri-lá.
A superintendente do Ministério da Saúde no RS, Maria Celeste, visitou a carreta nesta sexta-feira (4). “Estamos muito felizes com os procedimentos realizados até então, num processo de redução do tempo de espera das pacientes para os exames de ecografia e mamografia, tão importantes para o enfrentamento ao câncer de mama. Como resultado, já foram realizadas mais de 500 mamografias e mais de 500 ecografias na carreta de Torres”, disse.
Mais acesso à saúde
Dezessete municípios já foram atendidos no estado pelas carretas do Ministério da Saúde, ofertando serviços especializados em saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia. Ao todo, 10,2 mil pessoas foram atendidas e 21,3 mil procedimentos foram realizados.
Para ser atendido
As carretas atendem exclusivamente pacientes que foram pré-agendados e encaminhados para a unidade pela secretaria municipal de saúde. Pessoas que já aguardam os exames pelo SUS podem solicitar encaminhamento indo até uma Unidade Básica de Saúde da cidade.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
-
Política Nacional4 dias agoHorário eleitoral gratuito: veja as regras para as eleições de 2026
-
Paraná5 dias agoMinistério Público ajuíza ação civil pública para suspender prorrogação indevida de contrato de concessão dos serviços de transporte coletivo de Guarapuava
-
Paraná4 dias agoAtuação do Ministério Público do Paraná viabiliza implantação do serviço de acolhimento para crianças e adolescentes no Município de Pitangueiras
-
Paraná4 dias agoTribunal do Júri de Castro condena a 30 anos e 6 meses de reclusão homem denunciado pelo MPPR por tentativa de feminicídio da ex-companheira
-
Brasil4 dias agoSecretarias Municipais de Saúde devem formalizar recebimento de equipamentos para as Unidades Básicas de Saúde
-
Educação4 dias agoProjeto da Univasf utiliza o esporte para apoiar jovens com TEA
-
Esportes5 dias agoBahia vence o Internacional na Fonte Nova e entra no G-5 do Brasileirão
-
Esportes5 dias agoAthletico-PR e Fluminense ficam no 3 a 3 em jogo movimentado pelo Brasileirão
