Agro
Leilão de Pepro movimenta 22,7 mil toneladas de arroz gaúcho e reforça demanda por apoio ao setor
O quarto leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) realizado neste ano pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) resultou na comercialização de 22,7 mil toneladas de arroz, com destaque para o desempenho dos lotes do Rio Grande do Sul, que tiveram venda integral. O certame movimentou aproximadamente R$ 3,3 milhões em prêmios e evidenciou o crescente interesse dos produtores pelos instrumentos de apoio à comercialização disponibilizados pelo governo federal.
A oferta total ultrapassava 25 mil toneladas, incluindo volumes oriundos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. No estado gaúcho, os três lotes disponibilizados foram totalmente negociados, abrangendo importantes regiões produtoras como Fronteira Oeste, Campanha, Região Central, Planície Costeira Externa, Zona Sul e Planície Costeira Interna.
Resultado reforça necessidade de ampliação dos recursos
Para a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o desempenho do leilão confirma a importância das políticas de apoio à comercialização em um momento em que os preços do arroz permanecem abaixo do valor mínimo estabelecido pelo governo.
Segundo o presidente da entidade, Denis Dias Nunes, a elevada procura pelos lotes demonstra a necessidade de ampliação dos recursos destinados aos programas de sustentação de preços. O dirigente destaca que os mecanismos de subvenção têm papel relevante para reduzir os impactos da pressão do mercado sobre a renda dos produtores.
Produtores ganham experiência com os leilões
Outro aspecto apontado pela Federarroz é a maior familiaridade dos arrozeiros com as operações de Pepro e PEP. De acordo com a entidade, a participação crescente nos certames tem contribuído para que os produtores compreendam melhor as regras e oportunidades oferecidas pelos programas.
A avaliação é de que os primeiros leilões registraram menor participação devido ao desconhecimento operacional por parte de muitos produtores. Com o avanço das operações, o setor vem ampliando sua capacidade de atuação nesses mecanismos, o que tem refletido em maior competitividade e presença nos certames.
Como funcionam os programas Pepro e PEP
O Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) é uma modalidade de subvenção econômica destinada a garantir que o agricultor receba pelo menos o preço mínimo fixado pelo governo federal quando as cotações de mercado estão abaixo desse patamar. O instrumento também contribui para estimular o escoamento da produção para regiões consumidoras.
Já o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) é concedido a empresas compradoras que adquirirem produtos diretamente de produtores rurais ou cooperativas pelo preço mínimo oficial. Nesse caso, a subvenção funciona como incentivo para a comercialização e distribuição da produção agrícola.
Mercado acompanha novas ações de apoio
Com os preços do arroz ainda pressionados no mercado interno, representantes da cadeia produtiva defendem a continuidade e o fortalecimento das operações de Pepro e PEP como instrumentos estratégicos para garantir maior equilíbrio econômico ao setor. O resultado do leilão desta semana reforça a relevância dessas ferramentas para o escoamento da safra e para a manutenção da renda dos produtores gaúchos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos
A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.
O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.
O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.
Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.
O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.
A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.
A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.
O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.
As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.
As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.
Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.
A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.
A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.
Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
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