Brasil
Lei do Bem: acordo de cooperação entre MCTI e Embrapii vai garantir maior agilidade na aprovação de projetos
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) estabeleceram um acordo de cooperação técnica para garantir tramitação simplificada e mais rápida para empresas que buscam os benefícios fiscais da Lei do Bem. O acordo cria “fast tracks” nas avaliações dos projetos e permite que uma iniciativa já avaliada e aprovada pela Embrapii seja aceita também pelo MCTI, acelerando a tramitação.
A ministra do MCTI, Luciana Santos, resumiu que a medida “reduz prazos, elimina redundâncias e fortalece a titulação institucional em prol da inovação nacional”. Segundo ela, é a integração do ecossistema de ciência e tecnologia que garante a excelência. “Sempre que a gente aposta no esforço coletivo, a tendência é dar certo”, afirmou durante assinatura do acordo, que ocorreu durante a cerimônia de celebração dos 20 anos da Lei do Bem, na terça-feira (25).
O presidente da Embrapii, Álvaro Braga, que também assinou o documento, afirmou que a parceria busca destravar processos burocráticos que dificultam o investimento em inovação. Para ele, o acordo é uma medida de simplificação essencial. “É tão simples, mas, muitas vezes, tão difícil no nosso contexto. Poderia ser menos burocratizado para facilitar a inovação.” O objetivo, segundo Braga, é garantir que os dois principais instrumentos — a Lei do Bem e o modelo Embrapii — sejam “trabalhados conjuntamente”, estimulando o setor industrial a investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).
O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec) do MCTI, Daniel Almeida, detalhou o mecanismo. Segundo ele, o ACT é resultado de um estudo jurídico para garantir que o ministério não tenha avaliações divergentes dentro de seu próprio sistema e estava prevista na Portaria MCTI nº 9.563/2025. Assim, a Setec, responsável pela gestão da Lei do Bem, fará um “parecer referencial atestando a igualdade ou a equivalência” entre os critérios de avaliação.
A Lei do Bem em 20 Anos
A assinatura do acordo de cooperação técnica ocorreu durante a celebração de duas décadas da Lei do Bem, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Desde 2006, a iniciativa já movimentou R$ 296 bilhões em investimentos incentivados no País, conforme a Setec.
O secretário Daniel Almeida destacou que a gestão atual precisou resolver um grande problema burocrático que impactava a previsibilidade do investimento. Em 2023, o ministério acumulava mais de 70 mil processos parados que não estavam sendo avaliados. O secretário celebrou a superação desse desafio, que resultou no crescimento recorde de 23,4% no investimento das empresas entre 2023 e 2024.
A prioridade do MCTI para os próximos anos é utilizar a Lei do Bem como instrumento de correção de distorções regionais. Luciana Santos reforçou que um dos focos da pasta é democratizar o acesso e o uso dos incentivos. “Queremos também ampliar a participação das empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste, assim como de micro e pequenas empresas, universidades e instituições de pesquisa, contribuindo para reduzir as simetrias regionais.”
O diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, Jefferson Gomes, corroborou o caráter perene da lei, qualificando-a como uma política que transcende governos. “É um programa de governo, um programa de Estado, que é uma realidade para os nossos produtos”, destacou Gomes
A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades e representantes do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação: o presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABPTI), Diego Menezes; o deputado federal Vitor Lippi; o deputado federal Daniel Almeida; o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), Inácio Arruda; o subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração (SPOA), Lélio Trida Sene; a diretora-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Marcela Flores; a presidente-executiva da Associação Nacional de Empresas de Biotecnologia e Ciências da Vida (Anbiotec), Vanessa Silva; o presidente da Associação Nacional de Startups, Henrique Carneiro; a CEO da ABGi Brasil, Maria Carolina Rocha; o CEO Ideia Space, Leonardo Souza; o diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Fernando Pimentel; a diretora de Transformação Digital e Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Cristiane Viana; o diretor de Articulação e Fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), Sérgio Pedin; o diretor-executivo de Relações Governamentais da Abimaq, Walter Filiprete; e a coordenadora-geral de Planejamento Acadêmico, Pesquisa e Inovação do MEC, Mariana Ramos Reis.
Brasil
Oito Centros de Convivência passam a integrar a rede de saúde mental do SUS
O Brasil passa a contar com oito Centros de Convivência (CECOs), habilitados para integrar a rede de saúde mental do Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Voltados à convivência, à participação social, à promoção da cidadania e à inclusão social, os CECOs desenvolvem atividades culturais, educativas, esportivas, de lazer, economia solidária e interação comunitária. Os espaços são abertos à população em geral e têm papel estratégico para pessoas em sofrimento psíquico e em situação de vulnerabilidade social, complementando as ações da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
A medida foi oficializada pelas Portarias GM/MS nº 12.016 e GM/MS nº 12.013, de 23 de julho de 2026, publicadas no Diário Oficial da União (DOU). Conforme previsto nas normativas, os oito Centros de Convivência (CECOs) habilitados receberão, em conjunto, R$ 300 mil mensais para custeio, o que representa R$ 3,6 milhões em recursos federais por ano para manutenção dos serviços.
Os serviços habilitados serão implantados nos seguintes municípios:
- Uberlândia (MG)
- Betim (MG)
- Boa Esperança (MG)
- Curvelo (MG)
- Virgolândia (MG)
- Contagem Carmo (RJ)
- Joinville (SC)
“Os Centros de Convivência já fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial há muitos anos e demonstram, na prática, sua potência na promoção da saúde mental, da cidadania e da inclusão social. Com a habilitação e o financiamento federal fortalecemos uma estratégia fundamental para a reabilitação psicossocial e para a construção de vínculos comunitários”, afirma o diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati.
Fortalecimento de laços sociais e à promoção da cidadania
Os Centros de Convivência são espaços comunitários voltados ao fortalecimento de laços sociais, à promoção da cidadania e ao protagonismo dos participantes. Neles, a população em geral pode participar de atividades de convivência, cultura, esporte, lazer e economia solidária que favorecem a inclusão social, a ampliação da circulação nos territórios e a construção de vínculos comunitários.
Entre as iniciativas desenvolvidas nos CECOs estão ações relacionadas à arte, cultura, comunicação, esporte, lazer, economia solidária, comercialização e formalização de empreendimentos. As atividades estimulam a participação social, o protagonismo e a troca de saberes entre os conviventes, que podem atuar tanto como aprendizes quanto como multiplicadores de conhecimentos. Além de fortalecer vínculos comunitários, os espaços contribuem para que os participantes reconheçam suas potencialidades e ampliem suas possibilidades de inclusão social e de geração de renda por meio de iniciativas como artesanato, culinária e outros empreendimentos coletivos.
Eduarda Paixão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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