Paraná
Jogos do Idoso trarão ao Paraná atleta de 68 anos, alpinista e nadador de águas abertas
A Secretaria estadual do Esporte iniciou nesta segunda-feira (19) a capacitação dos profissionais de educação física que se inscreveram para atuar nos Jogos de Integração do Idoso (JIIdos). Os jogos acontecerão entre os dias 26 de agosto e 1° de setembro, em Guaratuba e Pontal do Paraná, no Litoral do Estado. Neste ano, a abertura das competições terá como convidado especial Joel Kriger, 69 anos, conhecido por suas aventuras em esportes.
Sedentário até os 50 anos, Joel se apaixonou pelo esporte em 2003 e de lá pra cá escalou sete das mais altas montanhas do mundo e agora completa o desafio dos sete mares. Com quase 70 anos, ele ainda quer disputar um triatlo e participar de um ultraman. Na sua palestra, Kriger abordará o esporte como caminho para motivar as pessoas.
Promovidos pelo Governo do Estado, os Jogos do Idoso buscam integrar os participantes por meio de oficinas e competições esportivas de modalidades adaptadas, como vôlei de praia, vôlei câmbio, vôlei no escuro (participantes acima de 70 anos), peteca, basquete relógio e handebol por zona. É possível participar de competições individuais como tênis de mesa, dama, xadrez e dominó.
Em 2019, dos JIIdos foram incluídos na lista de Jogos Oficiais do Estado, com a participação, naquele ano, de 15 municípios. Em 2021, houve a adesão de mais de 40 municípios paranaenses. A participação de profissionais de educação física capacitados pela Secretaria do Esporte possibilita reforçar o atendimento durante as competições e, além disso, há um melhor desenvolvimento das competições. A hospedagem e alimentação dos participantes é bancada pelo governo estadual.
PAIXÃO – Na sua participação, Joel Kriger vai também distribuir seu livro “Suba, Nade, Corra, Pedale”, que têm como retorno cestas básicas para pessoas necessitadas. Nascido em 1953, Kriger se formou em Computação no Rio de Janeiro. Ele conta que em fevereiro de 2003 um amigo o convidou para um trekking (modalidade de caminhada feita em locais que possibilitam maior contato com a natureza), no campo base do Everest, no Himalaia. Foi neste episódio que a aventura da sua vida começou.
“Fui porque disseram que eu não conseguiria”, conta Joel, hoje um inquieto da prática do esporte. Quando voltou ao Brasil, Kriger voltou a treinar com apenas um objetivo: subir os sete cumes – as montanhas mais altas de cada continente. Em 2008, ele passou pela África e cumpriu uma das metas, subiu o Kilimanjaro, a montanha mais daquele continente. “É a montanha mais bonita de todas, você sai da floresta tropical, passa pela savana africana, passa pelo deserto e quando você chega lá em cima tem neve”.
Em maio de 2022, 14 anos depois, Kriger se tornou o brasileiro mais velho a chegar ao topo do Everest, aos 68 anos. Ele passou mais de um mês subindo a montanha até chegar ao topo, na madrugada de 15 de maio. “A vida da gente tem muitas coisas que dão essa satisfação, mas chegar ao Everest foi um sucesso pessoal, que dependeu de esforço, da compreensão da família. É mais uma etapa da minha vida que foi cumprida”, disse.
A conquista o ajudou a concluir o “desafio dos sete cumes”, juntando ao Everest e ao grupo de Kilimanjaro, o Elbrus (Europa), o Cartzen (Oceania), o Denali (América do Norte), o Aconcágua (América do Sul) e o Vinson, no Polo Sul.
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SETE MARES – Um de seus objetivos passou a ser, então, completar o desafio dos sete mares, que consiste em atravessar sete canais ou estreitos, dentro do que é conhecido como maratona em águas abertas: Estreito de Cook, Estreito de Tsugaru, Canal da Mancha, Canal do Norte, Canal de Catalina, Canal de Moloka’i e Estreito de Gibraltar, o qual Joel afirma ser “um passeio”.
O Canal da Mancha, percurso de 40 quilômetros que separa a Grã Bretanha da França, é a meta para 2023. A prova é individual, sem roupa de borracha, apenas um creme que é passado pelo corpo para proteção e um barco acompanhando o trajeto.
Joel não finalizou a prova na primeira vez que tentou. “Nadei por sete horas e ‘quase morri’”, conta. A dois quilómetros do fim, o mar o empurrava para trás enquanto ele, por vinte minutos, nadava sem sair do lugar. “Foi exaustão total, você via a terra e não chegava e os acompanhantes me tiraram da água porque achavam que eu não ia conseguir”. Em agosto, ele pretende voltar ao canal para terminar a prova.
Antes de concluir os estreitos, Kriger quer focar no triatlo, se preparar para o mundial da modalidade e, até 2025, participar de um ultraman – prova de três dias composta por 10 km de natação oceânica, 421 km de ciclismo e 84 km de corrida.
Fonte: Governo PR
Paraná
Equipes do Brasil atuam contra o tempo para localizar sobreviventes na Venezuela
Os integrantes do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) que fazem parte da equipe brasileira de busca e resgate seguem atuando contra o tempo para localizar sobreviventes sob os escombros deixados pelo terremoto que atingiu a Venezuela na última quarta-feira (24). Na região de La Guaira, no litoral venezuelano, os bombeiros trabalham em turnos operacionais de 12 horas, com paradas apenas para hidratação devido ao calor intenso, concentrando esforços na localização de vítimas que ainda possam estar vivas em estruturas colapsadas.
Desde a chegada ao país, na noite de sexta-feira (27), a missão brasileira – coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) – atua em uma das áreas mais afetadas pelo desastre. As equipes realizam o reconhecimento das edificações atingidas, avaliam a estabilidade das estruturas e empregam cães de busca e equipamentos especializados para localizar e sinalizar possíveis vítimas sob os escombros, orientando as operações de resgate.
O DESAFIO DAS BUSCAS – Mesmo cinco dias após o terremoto, ainda existe a possibilidade de encontrar sobreviventes. De acordo com o CBMPR, o desabamento de edificações pode formar os chamados “espaços vitais” — pequenos vazios criados entre lajes, vigas e outros elementos estruturais que permitem a sobrevivência de pessoas soterradas. Nesses casos, vítimas com poucos ferimentos podem permanecer vivas por vários dias, desde que consigam respirar, embora o risco aumente com o passar do tempo em razão da desidratação e do esgotamento físico.
Por isso, as equipes concentram os esforços no emprego de cães de busca e de equipamentos especializados capazes de localizar vítimas que permanecem em áreas profundas das estruturas colapsadas. Segundo o líder da equipe paranaense na missão, tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, as vítimas de mais fácil localização já foram resgatadas pelas equipes venezuelanas nos primeiros dias após o desastre e, agora, o trabalho das equipes internacionais é muito mais técnico e demorado.
“As vítimas superficiais normalmente já foram retiradas pelas equipes locais. Nós entramos em uma fase de busca técnica no interior das edificações colapsadas. São manobras demoradas, prédio por prédio, utilizando cães e equipamentos especializados para localizar pessoas que possam estar em espaços vitais sob os escombros”, explica.
Além da complexidade das buscas, os bombeiros também enfrentam riscos constantes durante a operação. Antes de entrar nas estruturas colapsadas, as equipes precisam estabilizar e escorar os escombros para reduzir o risco de novos desabamentos, permanecendo atentas à ocorrência de tremores secundários.
“Hoje tivemos um tremor secundário de magnitude 5,1 que conseguimos sentir durante a operação. Quando você está no interior dos escombros, qualquer movimentação pode provocar um novo colapso sobre os bombeiros. Por isso trabalhamos sempre com escoramentos e protocolos rigorosos de segurança”, afirma o bombeiro.
CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO – A área mais atingida pelo terremoto se estende por aproximadamente 60 km entre Caracas e o litoral venezuelano. Segundo o tenente-coronel Gabriel Greinert, em alguns pontos da região turística de La Guaira há edifícios de 10 a 15 pavimentos completamente destruídos, tornando a operação ainda mais complexa.
Atualmente, cerca de 30 equipes internacionais participam das operações de busca e resgate, organizadas em diferentes setores de atuação, e a força-tarefa brasileira esteve entre as primeiras a chegar ao país para reforçar os trabalhos.
“O deslocamento aqui é muito difícil por causa dos escombros. Levamos mais de uma hora para percorrer poucos quilômetros. Não há energia elétrica na região, existe dificuldade para conseguir combustível e praticamente todas as famílias foram afetadas. As pessoas estão dormindo nas ruas porque muitas casas desabaram ou ficaram comprometidas. É um sentimento de muita tristeza, mas também de gratidão entre aqueles que conseguiram sobreviver”, relata o oficial.
Segundo ele, apesar da atuação das equipes locais desde os primeiros momentos após o terremoto, o cenário ainda é de grande impacto humanitário. “Todos perderam alguém, seja um familiar, um amigo ou um conhecido. Ainda há um grande trabalho sendo realizado pelas autoridades locais para atendimento às vítimas e apoio à população”, afirma.
PLANEJAMENTO OPERACIONAL – A missão brasileira foi mobilizada para permanecer na Venezuela por até 15 dias. O planejamento prevê que os dez primeiros sejam dedicados às buscas por sobreviventes em estruturas colapsadas. A partir desse período, conforme a evolução do cenário, as equipes poderão passar a atuar em ações de apoio humanitário à população afetada.
MISSÃO BRASILEIRA – A mobilização teve início poucas horas após o terremoto que atingiu a Venezuela. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná enviou dez bombeiros militares, dois cães de busca e cerca de quatro toneladas de equipamentos especializados. Eles se reuniram aos demais integrantes da missão brasileira em São Paulo, de onde decolaram para o país afetado em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Ao todo, 44 brasileiros embarcaram na missão, incluindo bombeiros, equipes de apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e profissionais da área da saúde.
Os bombeiros paranaenses integram a BRA-01, equipe brasileira especializada em Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC), formada pelos Corpos de Bombeiros Militares do Paraná, São Paulo e Minas Gerais e em processo de certificação internacional junto ao Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate (Insarag), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).
A participação do Paraná na equipe brasileira é resultado de um processo de preparação iniciado com a criação da Força-Tarefa de Resposta a Desastres do CBMPR, em 2017. Nos últimos anos, bombeiros paranaenses participaram de exercícios e intercâmbios técnicos com o Exército Brasileiro e corporações estrangeiras, incluindo atividades de certificação na Austrália e de observação de protocolos internacionais em Singapura.
“Essa atuação na Venezuela demonstra que o investimento contínuo na nossa força-tarefa colocou o Paraná entre as corporações brasileiras preparadas para integrar o BRA-01 e atuar em operações internacionais de alta complexidade. Esse é o resultado de anos de treinamento, aperfeiçoamento técnico e integração com os padrões internacionais de busca e resgate”, afirma o comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino.
Fonte: Governo PR
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