Paraná
Infarto e AVC: Samu em todo o Paraná utiliza medicamento que evita mortes e sequelas graves
Nos casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) e de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico cada minuto conta. Por isso, um protocolo que prevê capacitação e o uso de medicamentos trombolíticos nos serviços de urgência e emergência da rede estadual de saúde foi implementado pelo Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), em junho de 2020. Desde então, já foram atendidos 2 mil pacientes via Sistema Único de Saúde (SUS) que receberam o trombolítico para IAM.
Somente desde maio de 2026, 80 pessoas receberam o medicamento para o AVC isquêmico, segundo levantamento dos hospitais próprios. Ambos os procedimentos foram 100% custeados pela Sesa.
Os trombolíticos são usados, conforme avaliação clínica, para dissolver os coágulos sanguíneos que obstruem os vasos do coração ou do cérebro e, dessa forma, restabelecer a circulação do sangue e a oxigenação na região. Tal bloqueio pode causar as duas graves condições médicas de emergência.
Nos casos de infarto, o uso do medicamento trombolítico pode ser indicado, principalmente, quando procedimentos de maior complexidade como a angioplastia (para desobstruir artérias), por exemplo, não estiver disponível no tempo recomendado. Assim, o paciente pode receber o medicamento enquanto a continuidade do atendimento é providenciada na rede de saúde.
A rapidez no uso destes medicamentos reduz os óbitos e risco de sequelas nestas duas situações de emergências. De acordo com o levantamento dos atendimentos do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no Paraná relacionados ao infarto agudo do miocárdio, uma das emergências cardíacas mais graves e com prioridade de encaminhamento, os registros anuais apontam 2.818 atendimentos em 2023; 3.792 em 2024; 3.675 em 2025 e 2.980 até 29 de setembro de 2026.
“A implementação dos medicamentos trombolíticos significa, ano após ano, um real ganho de tempo, de vida, de esperança. Porque é justamente a rapidez no diagnóstico e no início do tratamento que aumentam as chances de sobrevivência, que reduzem o risco de sequelas nos pacientes”, firmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
“Essa medicação é fundamental para deslocamentos um pouco mais longos também, só que junto com ela vem a necessidade de preparo. Por isso, a Sesa mantém o compromisso de continuar investindo na capacitação das equipes”, destacou ele.
OFERTA E TREINAMENTO – Não basta apenas a oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência, que no Paraná está disponível em 20 hospitais de pequeno porte e Unidades de Pronto Atendimento (UPA), além das Ambulâncias de Suporte Avançado (USA) do Samu. Para além disso, existe ainda um monitoramento dos atendimentos de infartos e AVCs – em tempo real, via sistema – e um trabalho de treinamentos online bimestrais, e de capacitações presenciais com as equipes a cada seis meses.
“Esse é um dos focos da Sesa, manter as equipes aptas. Não adianta apenas oferecer um medicamento de alto custo, que tem contraindicações, e que deve ser administrado após uma avaliação feita, na maioria das vezes, sob alta pressão. É preciso preparar e, por isso, já alcançamos 2.200 profissionais, entre médicos e enfermeiros, que desempenham um papel estratégico nas macrorregiões do Estado, garantindo socorro rápido, qualificado e humanizado”, destacou o médico de Urgência e Emergência da Sesa, Marcio Allan de Souza Alves.
Nas UPAs, as equipes podem fazer o diagnóstico, avaliar a indicação clínica e, quando necessário, iniciar o tratamento com trombolíticos tanto para o IAM quanto para o AVC isquêmico, para dissolução dos trombos. Já nos atendimentos do Samu, após avaliação da equipe de saúde, o medicamento pode ser administrado nas unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas.
A gerente de Urgência e Emergência da Sesa, Giovana Fratin, reforçou a importância da consolidação e integração do protocolo à Rede de Atenção à Saúde do Paraná. “Mais do que ampliar o acesso ao medicamento, estamos qualificando o atendimento de urgência e fortalecendo a linha de cuidado aos pacientes com infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Atualmente, cerca de 10% dos pacientes elegíveis são trombolisados, e nosso objetivo é ampliar esse acesso de forma cada vez mais oportuna e qualificada”, ressaltou.
RESULTADOS JÁ ALCANÇADOS – A equipe de Urgência e Emergência da Sesa explicou, ainda, que a 1ª e a 20ª Regionais de Saúde também já possuem oferta ampliada do medicamento, e que há um estudo de ampliação para as outras regionais, justamente porque a experiência no litoral paranaense vem mostrando a importância do uso de trombolítico já no pré-atendimento.
Apenas em 2026 houve 105 atendimentos de infartos registrados pela Urgência e Emergência da Sesa nas UPAs do Litoral do Paraná, número maior que a soma de todos os outros anos de monitoramento (desde 2020).
A título de comparação, durante as duas edições do Verão Maior Paraná de 2025 (dez/2024 a fev/2025) e de 2026 (dez/2025 a fev/2026), quando há maior população flutuante no Litoral, houve um aumento na identificação de infartos e, consequentemente, no uso de trombolíticos.
“Enquanto em 2025 foram 15 pacientes, em 2026 foram 46 pessoas. Todos eles receberam socorro imediato, sem maiores intercorrências até o atendimento nas instituições de saúde, e esse comparativo nos mostra a segurança das equipes médicas no diagnóstico e na aplicação do medicamento, e a importância da oferta. É um exemplo de consolidação e de integração da rede de saúde do Paraná”, finalizou Alves.
Fonte: Governo PR
Paraná
Monitoramento no Porto de Paranaguá registra quase 25 mil aves e reforça conservação no Litoral
O equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental segue como prioridade nas ações da Portos do Paraná. Prova disso são os resultados atualizados do Programa de Monitoramento da Avifauna nos primeiros nove meses de 2026, que contabilizou a presença de 24.941 indivíduos pertencentes a 149 espécies de aves na região portuária. O levantamento funciona como um indicador da saúde ecológica do Litoral paranaense diante das atividades portuárias.
Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, destaca que a eficiência logística do Estado caminha lado a lado com a responsabilidade socioambiental. “Nossos programas voltados à preservação do meio ambiente são reconhecidos internacionalmente. Somos o único porto do mundo convidado pela ONU a participar, desde 2019, das edições da COP. E no próximo mês estaremos presentes novamente na COP31, na Turquia.”
O monitoramento ocorre de forma ininterrupta desde 2016. Os biólogos realizam censos mensais que combinam caminhadas terrestres e um transecto embarcado, percurso de barco que se estende desde Pontal do Sul, na Ilha do Mel, até o município de Antonina.
De acordo com o biólogo Elliezer Correia, responsável pela execução do programa, o grupo das aves é estratégico para a conservação por funcionar como um indicador biológico imediato. “A comunidade de avifauna é bem diversa e serve como o que podemos chamar de sentinelas ambientais. As aves respondem muito mais rápido às alterações do ambiente do que outros grupos. Se houver qualquer acidente ou derramamento de óleo no entorno do porto que ninguém tenha visto, as aves que se alimentam nos baixios serão as primeiras a sofrer. Quando a contagem mensal aponta uma diminuição abrupta na riqueza ou abundância de uma espécie, acende-se um alerta de que algo está errado no ecossistema”, explica Elliezer.
DIVERSIDADES E ABUNDÂNCIA DE ESPÉCIES – Os dados coletados entre janeiro e setembro de 2026 reforçam a alta diversidade biológica da área monitorada. A ordem dos Passeriformes, que engloba aves continentais e de mangue, manteve a liderança em diversidade, com 66 espécies registradas. Em seguida, destacam-se os Charadriiformes, representados por 19 espécies de aves de praias e lodaçais, e os Pelecaniformes, grupo que inclui garças e espécies afins, que somaram 12 espécies no período.
Em relação à abundância no semestre, a espécie mais numerosa foi o biguá (Nannopterum brasilianum), com 8.495 indivíduos observados. A segunda colocação ficou com o urubu-preto (Coragyps atratus), com 1.955 indivíduos, seguido pelo trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus), que contabilizou 1.733 indivíduos.
“O biguá é historicamente a espécie mais abundante no nosso monitoramento, somando mais de 60 mil registros desde 2016. Como eles formam grandes bandos e são fáceis de identificar, é comum registrarmos mais de mil indivíduos em uma única campanha embarcada”, detalha o biólogo.
HISTÓRICO E DESTAQUE CONSERVACIONISTA – Além de acompanhar as espécies mais frequentes, o programa monitora aves raras ou de passagem, influenciadas pelos ciclos migratórios. Um dos principais destaques do levantamento contínuo iniciado em 2016 é o guará, ave de grande importância para a conservação que estava praticamente ausente no início das pesquisas e passou a apresentar aumento gradual de abundância nos últimos anos.
“O guará passou muito tempo sumido da região. No início do programa, em 2016, quase não tínhamos registros dele. Nos últimos anos, percebemos um aumento gradual na sua abundância. Sua volta está ligada a fatores como a preservação dos manguezais para nidificação e a conscientização contra a caça”, conclui Elliezer Correia.
Os dados acumulados ao longo desta década de censos mensais servem de base técnica para que o Porto de Paranaguá continue desenvolvendo planos de recuperação ambiental e medidas mitigadoras, contribuindo para que a infraestrutura portuária paranaense cresça em harmonia com a natureza.
Fonte: Governo PR
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