Paraná
Plataforma do Tecpar vai apoiar profissionais com dados de produtos com cannabis medicinal
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) irá desenvolver uma plataforma integrada com informações sobre o uso de produtos derivados de cannabis medicinal. O objetivo é criar um ambiente seguro para consolidar dados clínicos, apoiar a prescrição assistida e oferecer suporte clínico a terapias com canabinoides. O projeto é fruto de um acordo de cooperação técnica firmado com a empresa Principia no final de 2025.
Produtos de cannabis são aqueles que contêm derivados da planta cannabis sativa ou substâncias extraídas dela, destinados ao uso medicinal. Eles incluem, por exemplo, óleos, extratos, cápsulas, sprays, gomas, loções e flores secas, e dependem de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fabricação ou importação.
Atualmente, por não serem classificados como medicamentos, os produtos de cannabis regularizados não passam pelas mesmas etapas de comprovação de eficácia e segurança exigidas para fármacos convencionais, nem estão plenamente inseridos em sistemas estruturados de farmacovigilância. Essa condição dificulta a identificação de efeitos adversos, interações medicamentosas e resultados terapêuticos.
Com a implantação da plataforma, o Tecpar pretende preencher esta lacuna, oferecendo uma base de dados consolidada e confiável para apoiar os profissionais da saúde na tomada de decisões clínicas, contribuindo para uma prescrição mais segura e baseada em evidências. O projeto também visa fortalecer a farmacovigilância e promover educação médica continuada.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ressalta que o instituto acompanha de perto as evoluções do debate sobre o uso medicinal da cannabis, e tem trabalhado para oferecer, como laboratório público oficial, soluções inovadoras neste âmbito ao Sistema Único de Saúde (SUS).
“A criação dessa plataforma é uma resposta à demanda crescente por informações científicas confiáveis, que possam apoiar os profissionais de saúde em suas decisões quanto à indicação dos produtos de cannabis. Além disso, os dados também poderão ser usados para apoiar gestores na tomada de decisões regulatórias e na formulação de políticas públicas”, afirma Marafon.
PLATAFORMA – O projeto prevê o monitoramento de pacientes do SUS que já usam produtos de cannabis, fornecidos pelo Governo do Estado, mediante decisões judiciais. Este acompanhamento será feito por meio da plataforma, na qual serão inseridas informações referentes ao tratamento com o produto, protegendo os dados pessoais dos pacientes.
“O objetivo é criar uma plataforma integrada que permita gerar evidências robustas para publicações científicas, a partir do estudo de observação com cerca de 200 pacientes. Não é um ensaio clínico, mas um acompanhamento sistemático para observar o que está acontecendo na prática, para gerar dados que, inclusive, poderão subsidiar artigos científicos”, explica a gerente do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde do Tecpar, Meila Bastos de Almeida, que é a pesquisadora responsável pelo projeto.
PRODUTO X MEDICAMENTO – No Brasil, os produtos com derivados da cannabis podem ser regularizados como medicamento ou como produto de cannabis. Atualmente há um medicamento aprovado e 36 produtos regularizados no país. O processo de regularização dos produtos de cannabis é mais simplificado quando comparado ao registro de medicamentos, embora eles devam cumprir exigências relacionadas às boas práticas de fabricação e ao controle de qualidade.
Já os medicamentos à base de cannabis passam por todas as etapas regulatórias exigidas para comprovação de eficácia, segurança e qualidade.
Os produtos de cannabis são regulamentados pela RDC nº 327/2019 da Anvisa e permanecem sob acompanhamento clínico contínuo, uma vez que não possuem estudos clínicos completos que comprovem sua eficácia e segurança nos moldes exigidos para medicamentos.
INVESTIMENTO – Em 2025, o Tecpar aprovou diversos projetos alinhados aos três pilares do conceito de Saúde Única: saúde humana, saúde animal e saúde ambiental. Entre eles está a plataforma sobre o uso de produtos derivados de cannabis medicinal, que envolve recursos do Fundo Paraná, dotação de fomento científico gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
Na prática, ao desenvolver soluções para o fortalecimento da saúde pública, o instituto reforça o papel estratégico como agente de inovação e materializa uma diretriz do Governo do Paraná, que prioriza a ciência para o bem-estar da população.
Fonte: Governo PR
Paraná
Paraná sedia seminário internacional do BID de combate ao crime organizado
A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) sedia, com abertura nesta segunda-feira (1º), em Curitiba, o 2º Seminário de Discussão sobre Crime Organizado e Desenvolvimento na América Latina e Caribe. Promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o evento reúne gestores públicos e especialistas para debater estratégias integradas de governança e soluções coordenadas frente aos desafios socioeconômicos e de segurança causados pelas organizações criminosas.
O objetivo do encontro é apresentar estudos e levantamentos das atividades de grupos organizados nos países da região e discutir ações de enfrentamento. O foco está no compartilhamento de exemplos práticos para a criação de políticas públicas e na compreensão da dinâmica de atuação do crime organizado local e regionalmente.
Durante a solenidade, o secretário da Segurança Pública do Paraná, Saulo Sanson, destacou a importância da cooperação mútua e do intercâmbio de dados de inteligência para promover a asfixia financeira e operacional das facções que atuam de forma transnacional. De acordo com o secretário, o Estado mantém uma forte parceria com a instituição internacional. “Por meio de um convênio com o BID no programa Paraná Seguro, alcançamos resultados expressivos na redução dos índices de criminalidade”, explicou.
A Secretaria do Planejamento (Sepl) também participou da reunião. Ela coordenou a atuação estadual com o BID no Programa Paraná Seguro. O seminário segue com apresentações e discussões nesta terça-feira (2). O secretário Sanson apontou que o Paraná teve forte retração no índice de homicídios em 2025 na comparação com o ano de 2018, o que demonstra o êxito das políticas públicas adotadas. “Somos ainda recordistas em apreensões de drogas entre os estados brasileiros. Temos bases integradas avançadas em municípios de fronteira e divisas, o que garante o enfrentamento ao crime transnacional e interestadual”, afirmou.
O secretário citou que as ações contra o crime organizado são estruturadas em três eixos principais: acompanhamento, monitoramento e captura. “Os batalhões e delegacias de polícia acompanham com inteligência a ação dos criminosos para prender as lideranças e desarticular os grupos. Atacamos a descapitalização da cadeia logística do crime e impedimos a lavagem de dinheiro para o sufocamento de suas atividades”, detalhou.
O especialista setorial em segurança cidadã e justiça do BID, Rodrigo Pantoja, reforçou o compromisso da instituição financeira internacional em apoiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, dados e inovação tecnológica para mitigar o impacto da criminalidade no desenvolvimento regional. Segundo ele, a proposta foi realizar o workshop em um local com relevância operacional.
“A representação do BID no Brasil tem uma parceria muito boa com o Paraná. Estamos fechando o programa Paraná Seguro, que foi um sucesso, alcançando múltiplos resultados de redução de homicídios e de roubos, entre outros”, afirmou Pantoja. “O escopo do Paraná Seguro incluiu 27 municípios e tem convergência com o que se discute na América Latina e Caribe.”
O especialista também ressaltou que o fato de o Paraná liderar nacionalmente as apreensões de entorpecentes, mesmo sem figurar entre os estados brasileiros com maior consumo de drogas, demonstra um compromisso permanente no enfrentamento às organizações criminosas e aos crimes transnacionais, incluindo o tráfico de armas e o contrabando.
Fonte: Governo PR
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