Paraná
IAT reforça cuidados especiais em áreas de campos de altitude do Pico Paraná
O Instituto Água e Terra (IAT) intensifica as orientações de preservação e segurança para visitantes do Parque Estadual Pico Paraná, localizado entre os municípios de Campina Grande do Sul e Antonina. A Unidade de Conservação (UC) é um dos principais redutos de campos de altitude da Serra do Mar paranaense, ecossistema peculiar, associado à Floresta Atlântica, que ocorre nos pontos mais elevados das montanhas. O IAT é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).
As recomendações fazem parte das atividades de manejo, uso público e sensibilização ambiental desenvolvidas pelo IAT no complexo ambiental, com foco na preservação dos campos altomontanos (situados nos topos das serras e montanhas, geralmente acima de 1.200 metros de altitude), segurança dos visitantes e uso responsável das áreas de montanha.
Na UC estão as maiores elevações do estado do Paraná, sendo o Pico do Paraná, com seus 1.877 m de altitude, o ponto culminante na região Sul do Brasil. Destacam-se ainda os Picos Caratuva (1.852 m), Ibirati (1.847 m), Itapiroca (1.799 m), Campapuça (1,688 m) e Tucum (1.739 m), dentre outros. Altitude que atrai montanhistas e visitantes em busca de contato com a natureza, desafio físico e das paisagens da Serra do Mar.
Em 2025, para dimensionar o aumento no fluxo de turistas, o parque registrou 15.056 visitantes. O número representa aumento de 81,3% em comparação aos 8.304 visitantes registrados em 2021.
“Os campos de altitude são biossistemas frágeis, que precisam da conscientização das pessoas que visitam os morros. Há um protocolo cuidadoso que deve ser seguido, com foco na preservação do meio ambiente”, afirma a bióloga do IAT e chefe do Parque Estadual Pico Paraná, Marina Rampim.
Para reduzir impactos ambientais e não causar acidentes, a orientação é para que os montanhistas permaneçam nas trilhas principais, evitando atalhos, trechos paralelos e desvios. A recomendação inclui caminhar preferencialmente sobre rochas expostas, medida que reduz processos erosivos e reduz danos aos solos e à vegetação das montanhas.
Outra instrução é para evitar atividades em períodos chuvosos. Quando molhados, os solos altomontanos perdem resistência ao pisoteio e sofrem degradação com facilidade. As condições climáticas da montanha também mudam rapidamente, com ocorrência de neblina, chuvas repentinas, ventos fortes e queda brusca de temperatura, aumentando riscos de hipotermia e perda de visibilidade.
“Os campos de altitude são ambientes extremamente sensíveis, suscetíveis ao pisoteio. Pequenas atitudes dos visitantes, como permanecer nas trilhas principais e evitar o pisoteio fora das áreas demarcadas e, principalmente, não visitar o parque em dias chuvosos, fazem diferença direta na conservação desses ecossistemas”, diz o engenheiro florestal Yury Vashchenko, da gerência de Áreas Protegidas do IAT.
A elevada fragilidade ambiental desses ecossistemas amplia a necessidade de conservação e manejo adequado. O pesquisador Maurício Bergamini Scheer, engenheiro florestal da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e especialista em ecossistemas altomontanos, explica que os campos de altitude da Serra do Mar possuem características muito específicas de clima, vegetação e solo, diferentes de outros campos existentes no Paraná.
Scheer destaca que os solos dos campos altomontanos possuem elevada concentração de matéria orgânica e exercem funções fundamentais para o equilíbrio ambiental da Serra do Mar. “Esses solos funcionam como verdadeiras esponjas naturais, armazenam grandes quantidades de água e carbono e contribuem diretamente para a regulação hídrica das bacias da região”, explica.
Os estudos científicos também apontam que esses solos levaram milhares de anos para se formar e possuem elevada fragilidade ambiental, o que reforça a importância da conservação e do uso responsável das áreas de montanha. “Por isso é preciso cuidar, ter responsabilidade, e seguir as regras determinadas pelo IAT”, afirma
OUTRAS ORIENTAÇÕES – O IAT alerta ainda para riscos naturais do ambiente de montanha, como picadas de animais peçonhentos e dificuldade de deslocamento em condições climáticas adversas. A orientação inclui o uso de roupas apropriadas para frio, equipamentos impermeáveis, lanternas, água, alimentação adequada e itens compatíveis com trilhas de montanha. A água encontrada nos córregos do parque é natural e não tratada. Em caso de consumo, o visitante deve utilizar produtos adequados para desinfecção.
Outro ponto é para que os visitantes tragam todo o lixo de volta, incluindo papel higiênico e lenços umedecidos, além de reforçar a proibição de fogueiras e a necessidade de respeito à fauna silvestre e ao silêncio do ambiente natural. Animais domésticos não devem ser levados para as trilhas.
O órgão também recomenda preparo físico adequado, equipamentos compatíveis com trilhas de montanha e acompanhamento de guias autorizados para visitantes sem experiência em ambientes altomontanos.
“Importante destacar que o monitoramento do acesso ao Parque Estadual Pico Paraná é realizado por meio de cadastro obrigatório de visitantes. Essa é uma ferramenta extremamente útil em caso de problemas ou acidentes. É a maneira que conseguimos localizar os turistas de uma maneira mais prática e ágil”, afirma Marina.
As orientações fazem parte das ações de manejo e uso público desenvolvidas pelo IAT nas unidades de conservação estaduais. O Parque Estadual Pico Paraná também conta com o Plano de Uso Público Emergencial (PUP), instituído para ordenar a visitação e fortalecer ações de preservação ambiental e segurança nas áreas de montanha.
CAMPOS DE ALTITUDE – Os campos de altitude são ecossistemas associados à Mata Atlântica. Ocorrem, geralmente, nos pontos mais elevados das montanhas da Serra do Mar. Estão diretamente relacionados com a ocorrência de solos orgânicos, os quais são pobres em nutrientes e extremamente ácidos.
A formação desses solos se deve ao acúmulo da matéria orgânica, devido ao clima frio, que diminui a ação microbiana na decomposição dos vegetais mortos. A fisionomia dos campos é caracterizada por plantas herbáceas, com até 50 cm de altura, entre as quais podem ser encontrados bromélias e arbustos isolados.
Esses ambientes apresentam alto índice de endemismo, com espécies exclusivas de determinadas serras do Paraná, além do papel estratégico na regulação hídrica da Serra do Mar. Os solos ricos em matéria orgânica funcionam como reservatórios naturais de água e carbono, auxiliando na conservação das bacias hidrográficas da região.
CONTATOS – Em caso de dúvidas, os contatos dos Parque Estadual Pico Paraná são os seguintes: telefone: (41) 3213-3422; WhatsApp: (41) 9 9554-0414; e-mail: [email protected].
Fonte: Governo PR
Paraná
Jorge Fernando Barreto da Costa e Marcelo Bortolini tomam posse como Procuradores de Justiça em cerimônia na sede do MPPR
Em cerimônia realizada nesta sexta-feira, 24 de julho, na sede do Ministério Público do Paraná em Curitiba, também transmitida on-line, dois novos Procuradores de Justiça tomaram posse: Jorge Fernando Barreto da Costa e Marcelo Bortolini passaram a integrar o Colégio de Procuradores de Justiça do MPPR. A solenidade contou a presença de membros e servidores da instituição, bem como de familiares e amigos dos novos Procuradores, que foram prestigiá-los no acesso ao topo da carreira no Ministério Público Estadual.
Após ser declarada aberta a sessão solene pelo Procurador-Geral de Justiça, Francisco Zanicotti, um gesto tradicional marcou a mudança: a investidura da veste talar, traje que carrega simbolicamente a dignidade da função agora conferida a ambos. Jorge Fernando Barreto da Costa recebeu a beca das mãos da esposa Daiene e dos filhos Ana Luísa e João Pedro. A esposa Elviluz e os filhos Enzo e Bruno a vestiram em Marcelo Bortolini. Os dois empossados renovaram então oralmente o compromisso legal de ingresso na carreira e assinaram os termos de posse.
Novos Procuradores – Em seu discurso de posse, Jorge Fernando Barreto da Costa destacou a transição da linha de frente no combate ao crime organizado para a atuação no segundo grau da instituição. Após 23 anos no Gaeco em Londrina, o empossado ressaltou que a experiência acumulada no enfrentamento à macrocriminalidade e à corrupção servirá agora para oxigenar os debates jurídicos e a consolidação de teses institucionais no Colégio de Procuradores. Em uma fala marcada pelo tom humano e de gratidão, ele reafirmou seu compromisso com a sociedade paranaense (iniciado em 1991 como estagiário), fez uma homenagem especial ao trabalho invisível das forças de segurança que o acompanharam nas operações do Gaeco, agradeceu nominalmente colegas que o acompanharam, inspiraram e orientaram em sua jornada e destacou a importância do Colégio de Procuradores em orientar estrategicamente a atuação dos Promotores que estão na ponta.
Já Marcelo Bortolini, ao celebrar sua ascensão ao cargo de Procurador de Justiça como o ápice de uma carreira iniciada em 1991, reforçou o orgulho de integrar o Ministério Público do Estado do Paraná, definindo o momento não apenas como uma transição institucional, mas como a renovação de um voto com o ideal de justiça. Em um pronunciamento também marcado pela emoção, prestou homenagens à sua família (aos pais – com especial reverência à memória de seu pai, juiz de direito e sua grande inspiração –, aos irmãos, à esposa e aos filhos), destacando-os como a base essencial de sua trajetória. O novo Procurador relembrou ainda sua caminhada por comarcas do interior e destacou seus mais de 25 anos em Foz do Iguaçu, onde construiu raízes e vivenciou as mais diversas atribuições do Ministério Público. Por fim, ao projetar sua atuação na segunda instância diante de um cenário de intensas mudanças sociais e legislativas, reafirmou seu compromisso leal com a Constituição Federal e com a atuação autônoma e firme do MPPR em prol dos desamparados e da garantia da segurança jurídica.
Trajetórias exemplares – O Procurador-Geral de Justiça, Francisco Zanicotti, pronunciou-se ao final da sessão. Citando o Livro dos Mártires, de John Foxe, Zanicotti lembrou que a resiliência e a coragem são traços importantíssimos das pessoas que fazem a diferença, como é o caso dos empossados. Zanicotti destacou as trajetórias de ambos, afirmando que provavelmente nenhum outro Promotor de Justiça no Brasil participou de mais operações contra o crime organizado que Jorge Barreto da Costa, assim como pouquíssimos terão trabalhado em tantos processos de família quanto Marcelo Bortolini, ambos traçando trajetórias brilhantes. “O passado de peregrinação dos dois faz a diferença no mundo, no jeito como olhamos o que é ser Promotor de Justiça”, declarou, exaltando que ambos são espelhos para os colegas tanto na vida profissional quanto familiar.
Também falou na cerimônia o coordenador estadual do Gaeco, Cláudio Rubino Zuan Esteves, especialmente em relação a Jorge Barreto Fernando da Costa, dada sua especial atuação no órgão. Em tom de profundo reconhecimento institucional, a homenagem proferida por ele destacou a trajetória histórica do novo Procurador de Justiça no Núcleo do Gaeco em Londrina, onde atuou por 23 anos, tornando-se o membro mais longevo do país na função. O discurso enfatizou que a conduta do homenageado numa função que, para além do conhecimento técnico, exige pressupostos humanos e comportamentais indispensáveis, deve servir de espelho e modelo para os atuais e futuros integrantes do Ministério Público que atuem no Gaeco. Entre esses predicados, foram exaltadas sua capacidade inata de liderança colaborativa, pautada no trabalho em equipe, a coragem em investigações de grande impacto e a serenidade estoica para conduzir momentos de crise e alta pressão com leveza. O chefe do grupo especializado destacou ainda o equilíbrio único do empossado em conciliar a combatividade rigorosa contra o crime organizado a uma postura urbana, carismática e de lealdade irrestrita à instituição, qualidades que angariaram o respeito de magistrados, de forças policiais e da sociedade ao longo de mais de duas décadas.
Boas-vindas – Em nome do Colégio de Procuradores, o Procurador de Justiça Raimundo Nogueira Soares também saudou seus novos integrantes. Para ilustrar a nova fase profissional, o pronunciamento recorreu ao personagem Conselheiro Aires, de Machado de Assis, para pontuar que a atuação na segunda instância exige uma mudança de postura: o distanciamento da rotina inflamada da primeira instância não significa descanso, mas a serenidade, técnica e sabedoria necessárias para agir como conselheiros frente às demandas da Justiça e da sociedade. O discurso detalhou a grandiosidade e a relevância das atribuições que os novos integrantes passam a assumir no órgão máximo da Administração Superior, que vão desde a apreciação da proposta orçamentária e deliberação sobre diretrizes institucionais até o julgamento de processos disciplinares e a atuação perante o Tribunal de Justiça e os Tribunais Superiores. Encerrando com citações de Fernando Pessoa e Guimarães Rosa, o texto ressaltou as qualidades de humildade, inteligência e seriedade que acompanharam Jorge e Marcelo ao longo de suas trajetórias no enfrentamento à criminalidade e na defesa dos direitos sociais, reafirmando que a vida exige coragem, virtude que jamais faltará aos novos Procuradores de Justiça no desempenho de suas elevadas missões.
O Corregedor-Geral do MPPR, Ney Roberto Zanlorenzi, fez uso da palavra, começando sua fala com uma citação de Cícero: “Não nascemos apenas para nós mesmos”. Nesse sentido, declarou, quem aceita a vocação do Ministério Público compreende que a medida de uma carreira está na disposição permanente de colocar talento, energia e convicção a serviço de algo que nos ultrapassa. Zanlorenzi destacou que os novos Procuradores de Justiça não chegaram ao Colégio de Procuradores por acaso, mas porque, ao longo de suas carreiras, souberam responder ao chamado da instituição com trabalho, rigor técnico e inteireza. Por fim, lembrou que a ascensão ao segundo grau traz uma mudança de perspectiva, pois os pronunciamentos dos Procuradores ecoam para além dos casos concretos. Ser Procurador de Justiça, afirmou, é aceitar um convite permanente à reflexão que ilumina – e para isso, aconselhou, é preciso carregar a memória vida das comarcas por onde os empossados passaram, o que é fundamental para que a atuação em segundo grau não se desligue da realidade.
APMP – O presidente da Associação Paranaense do Ministério Público, Fernando da Silva Mattos, trouxe igualmente palavras de boas-vindas aos empossados. Ele lembrou que os dois ingressaram juntos na carreira no MPPR, em 1991, e seguiram cada qual o seu caminho, construindo sua própria trajetória, até que, hoje, esses caminhos voltaram a se encontrar, como resultado natural de suas vidas pautadas pela ética e pela fidelidade à missão institucional. Mattos ressaltou o fato de Jorge Barreto haver consolidado um modelo de trabalho que se tornou referência para o Ministério Público brasileiro, especialmente por seu trabalho no Gaeco. Quanto a Marcelo Bortolini, exaltou sua carreira caracterizada pela amplitude e consistência de sua atuação ao longo dos anos. Se a carreira de cada um separou seus caminhos, afirmou, o Colégio de Procuradores de Justiça os reuniu novamente para que possam escrever juntos mais um importante capítulo na história do MPPR.
Mesa – Compuseram a mesa da sessão solene o Procurador-Geral de Justiça, Francisco Zanicotti; o segundo vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Fábio Haick Dalla Vecchia; a representante da Ordem dos Advogados do Brasil, Emma Roberta Palú Bueno; o Corregedor-Geral do MPPR, Procurador de Justiça Ney Roberto Zanlorenzi; o Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Armando Antônio Sobreiro Neto; o Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Administrativos, Maximiliano Ribeiro Deliberador; a Subprocuradora-Geral de Justiça de Assuntos de Planejamento Institucional, Terezinha de Jesus de Souza Signorini; o decano do MPPR, Procurador de Justiça Milton Riquelme de Macedo; o Coordenador Estadual do Gaeco, Procurador de Justiça Cláudio Rubino Zuan Esteves; o Presidente da APMP, Promotor de Justiça Fernando da Silva Mattos.
Conheça as trajetórias dos empossados no MPPR
Jorge Fernando Barreto da Costa ingressou no Ministério Público do Paraná em 23 de outubro de 1991. Iniciou sua carreira como Promotor de Justiça substituto em Cruzeiro do Oeste e, em seguida, foi removido para São José dos Pinhais. Em 7 de maio de 1992, assumiu a titularidade da comarca de Guaraniaçu, onde permaneceu até 18 de novembro de 1993, quando foi removido por permuta para a comarca de Primeiro de Maio.
Três anos depois, em dezembro de 1996, foi promovido para a 1ª Promotoria de Justiça de Umuarama, com atribuições junto à Vara da Família, Infância e Juventude, assumindo posteriormente a 5ª Promotoria de Justiça.
No dia 1º de julho de 2002, foi promovido para Londrina, onde se destacou na atuação criminal. Em setembro de 2003, passou a exercer suas funções junto ao núcleo regional do Gaeco e à Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal, participando de várias operações de enfrentamento à criminalidade organizada e à corrupção, entre elas “Apocalipse”, “Mar Vermelho” e “Engenho”. Em 3 de julho de 2026, foi promovido ao cargo de 12º Procurador de Justiça do 3º Grupo Criminal.
Marcelo Bortolini iniciou a carreira no Ministério Público do Paraná em 23 de outubro de 1991, como Promotor Substituto nas comarcas de Loanda e Irati. Em 1992, tornou-se Promotor titular, atuando primeiramente em Santa Helena e Paraíso do Norte, e, em 1994, foi promovido para a comarca de Paranavaí, onde atuou até 1998.
Depois de Paranavaí, foi promovido para Foz do Iguaçu, removido para a comarca de Londrina em 1999 e, um ano depois, retornou a Foz, onde permaneceu por 25 anos. Lá, desempenhou atribuições perante a Vara da Infância, a Vara de Execuções Penais, a 3ª Vara Criminal, as Varas Cíveis e a 2ª Vara de Família e Acidentes do Trabalho, desde a criação da unidade, em 2011.
Em 3 de julho de 2026, foi promovido ao cargo de 5º Procurador de Justiça do 5º Grupo Cível.
Fonte: Ministério Público PR
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