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Agro

Helicoverpa pressiona lavouras e impulsiona crescimento do controle biológico no Brasil

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Avanço da Helicoverpa desafia o modelo tradicional de controle

A crescente incidência da praga Helicoverpa armigera tem colocado em xeque o modelo convencional de manejo nas lavouras brasileiras. Com alta capacidade de dispersão — podendo migrar até 200 quilômetros — e potencial para atacar mais de 100 culturas, a praga mantém elevado o risco de reinfestação em diferentes regiões produtoras.

Nesse cenário, os inseticidas químicos têm apresentado eficácia cada vez mais limitada, especialmente devido à curta duração de ação no campo.

Fatores climáticos reduzem eficiência dos inseticidas

Na prática, o produtor realiza o controle, mas poucos dias depois precisa lidar novamente com a infestação. Isso ocorre porque fatores ambientais, como radiação solar, chuvas e variações de temperatura, aceleram a degradação dos defensivos químicos.

Como consequência, o período de proteção das lavouras diminui, elevando os custos de produção e dificultando o manejo eficiente da praga.

Controle biológico ganha espaço nas lavouras brasileiras

Diante dessas limitações, o controle biológico tem avançado de forma consistente no Brasil, com destaque para o uso de baculovírus. Essa tecnologia atua de forma contínua na lavoura, oferecendo proteção prolongada contra novas infestações.

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A solução Destroyer, desenvolvida pela Life Biological Control, tem se destacado pela eficácia e pela capacidade de manter o controle ativo por mais tempo no campo.

Baculovírus apresenta efeito contínuo e maior eficiência

De acordo com Cristiane Tibola, doutora em Entomologia pela ESALQ/USP, o diferencial do controle biológico está no seu modo de ação.

“O químico resolve o problema imediato, mas perde eficiência rapidamente. Já o biológico permanece ativo na área, protegendo contra novas infestações”, explica.

Após ser ingerido pela lagarta, o baculovírus se multiplica internamente e, ao final do ciclo, libera bilhões de partículas infecciosas na planta, prolongando o efeito de controle por semanas.

Produção de biológicos cresce mais de 200% em 2026

O avanço da adoção dessa tecnologia já impacta diretamente a produção. Segundo a especialista, a demanda por soluções biológicas registrou forte crescimento em 2026.

“Apenas entre janeiro e fevereiro, já produzimos mais de 200% de todo o volume registrado ao longo de 2025”, afirma.

O movimento reflete uma mudança estratégica no campo, com produtores buscando soluções mais sustentáveis e eficientes no longo prazo.

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Tecnologia não gera resistência e reforça sustentabilidade

Outro diferencial relevante do controle biológico é a ausência de desenvolvimento de resistência pelas pragas, uma vez que o baculovírus atua como um inimigo natural.

Ensaios conduzidos pela Fundação Rio Verde apontam eficácia de até 85% no controle da Helicoverpa, reforçando a viabilidade da tecnologia no campo.

Boas práticas potencializam resultados no campo

Para maximizar a eficiência do controle biológico, especialistas recomendam a adoção de boas práticas no manejo:

  • Aplicação em lagartas jovens
  • Realização das pulverizações no final da tarde

Essas estratégias aumentam o desempenho do produto e prolongam o período de controle, contribuindo para um manejo mais eficiente, sustentável e economicamente viável nas lavouras brasileiras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos

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A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.

Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.

É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

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O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.

Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.

Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.

Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.

Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.

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A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.

Fonte: Pensar Agro

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