Agro
Greve de caminhoneiros tem baixa adesão e não causa bloqueios nas rodovias federais
Sem engajamento, mobilização não afeta o tráfego
A greve nacional convocada por parte dos caminhoneiros para esta quinta-feira (4/12) não afetou o fluxo de veículos nas rodovias federais. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), até as 8h da manhã não havia registro de bloqueios ou interdições em trechos sob sua responsabilidade — inclusive nas regiões do Distrito Federal e entorno, historicamente sensíveis a paralisações.
Falta de adesão mesmo nos estados mais visados
O movimento, que tinha como foco principal a Região Sudeste e especialmente o estado de São Paulo, não teve adesão significativa nem mesmo nos locais tradicionalmente mais mobilizados. Não houve notificações formais de bloqueios em nenhuma parte do país, o que reforça o baixo engajamento da categoria na manifestação desta quinta.
Reivindicações seguem, mas sem pressão nas estradas
Segundo representantes da categoria, como o senhor Francisco Burgardt, do sindicato Sindicam-SP (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Ourinhos), o protesto foi protocolado corretamente junto ao governo federal no início da semana. As demandas incluem a criação de um modelo de estabilidade contratual para caminhoneiros autônomos, a revisão do marco regulatório para o transporte rodoviário de cargas e o reconhecimento da aposentadoria especial após 25 anos de trabalho, desde que comprovados por documentos fiscais ou contribuições.
Apesar do planejamento formal, a ausência de adesão expressiva impediu qualquer paralisação efetiva — o que reduz o impacto imediato das reivindicações sobre o tráfego e a logística no país.
O que motivou o recuo dos caminhoneiros
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que a falta de mobilização pode estar relacionada à incerteza sobre a resposta governamental, aos riscos financeiros envolvidos na paralisação e à dispersão de grupos que inicialmente aderiram ao movimento. Essa combinação resultou em um engajamento insuficiente para forçar bloqueios de estradas, deixando a mobilização com efeito praticamente nulo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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