Brasil
Governo do Brasil avança na proteção da biodiversidade marinha com criação de novas Unidades de Conservação no RS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou, por meio de decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira (6/3), duas novas Unidades de Conservação (UCs) federais no litoral sul do Rio Grande do Sul: o Parque Nacional Marinho do Albardão e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, no município de Santa Vitória do Palmar.
A iniciativa do Governo do Brasil, liderada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), representa um marco histórico para a conservação marinha no país ao proteger uma das regiões mais importantes para a manutenção da biodiversidade do Atlântico Sul e fortalecer a resposta nacional à mudança do clima e à perda global de biodiversidade.
“O decreto assinado pelo presidente Lula reflete o compromisso de seu governo com a preservação ambiental e de nosso oceano. Há por trás dessa medida estudos científicos, escuta pública, articulação entre instituições e empenho de servidores, pesquisadores e cidadãos comprometidos com a conservação da biodiversidade e a defesa do interesse público”, destaca a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
“No Albardão, os ambientes de concheiros, a presença de espécies ameaçadas, sua notável biodiversidade e um patrimônio arqueológico de grande valor passam, finalmente, a receber a proteção compatível à sua relevância. Criar essas unidades mostra que proteger o meio ambiente não é obstáculo, mas solução. Ecossistemas conservados sustentam atividades econômicas, orientam adequadamente os usos do território e geram benefícios concretos para a população brasileira como um todo. Isso vale para a pesca, que precisa da recomposição e da manutenção dos estoques, o turismo e outras atividades cuja sustentabilidade a longo prazo depende do respeito aos limites do planeta”, complementa.
As novas UCs serão geridas pelo ICMBio. Desde 2023, o Governo do Brasil criou 10 novas Unidades de Conservação federais e ampliou outras quatro como parte da retomada da política ambiental no país, paralisada nos anos anteriores. Entre 2019 e 2022, nenhuma UC federal foi instituída no país.
A soma total de área do conjunto formado pelo Parque Nacional do Albardão e sua Zona de Amortecimento, aí incluída a APA do Albardão, perfaz um total de 1.618.488 hectares.
O Albardão abriga ecossistemas marinhos e costeiros de excepcional relevância ecológica, funcionando como área de alimentação, reprodução e crescimento para diversas espécies ameaçadas. Entre elas, destaca-se a toninha (Pontoporia blainvillei), a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul Ocidental, além de tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves marinhas migratórias e outros mamíferos que utilizam a região ao longo de seus ciclos de vida. A proteção desses habitats é considerada estratégica para reduzir a mortalidade da fauna e assegurar a manutenção de processos ecológicos essenciais nos ambientes marinhos.
As UCs também devem valorizar o potencial de desenvolvimento de atividades turísticas sustentáveis na região em paisagens naturais únicas conhecidas como Lençóis Rio-Grandenses.
“A criação das duas unidades do Albardão coroa um trabalho técnico e científico desenvolvido ao longo de décadas. Resulta do esforço contínuo de equipes especializadas do ICMBio, das universidades e das organizações da sociedade civil, assim como do compromisso público da ministra Marina Silva e do presidente Lula com a proteção da biodiversidade marinha”, assinala o presidente do ICMBio, Mauro Pires.
Características
O Parque Nacional do Albardão, com cerca de 1 milhão de hectares, será o maior parque marinho do Brasil. Foi concebido para proteger os ambientes mais sensíveis da região, incluindo áreas críticas para a conservação da biodiversidade e para a redução das pressões sobre espécies ameaçadas. Funcionará como área-berçário e de recomposição de estoques pesqueiros, com efeito de transbordamento que tende a aumentar a biomassa e a produtividade nas áreas abertas. Também preservará formações costeiras e depósitos fossilíferos conhecidos como concheiros, registros geológicos e paleontológicos de grande valor científico que testemunham a evolução da paisagem costeira ao longo de milhares de anos.
De maneira complementar, a APA do Albardão, com aproximadamente 56 mil hectares, foi desenhada para ordenar o uso sustentável do território costeiro, compatibilizando a conservação ambiental a atividades tradicionais, especialmente a pesca artesanal, além de favorecer o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis na região, como o ecoturismo na faixa de areia, que, com 250 km de extensão, é considerada a praia mais longa do mundo, além de ser a parte mais isolada e preservada de todo o litoral brasileiro.
O conjunto tem ainda uma zona de amortecimento de cerca de 614 mil hectares, que inclui 558 mil hectares próprios além dos 56 mil hectares da APA, formando um amplo cinturão de proteção no entorno do parque e permitindo o ordenamento das atividades humanas de forma compatível aos objetivos de conservação. Esse arranjo fortalece a integridade ecológica dos ecossistemas costeiros e marinhos e contribui para a resiliência dos ambientes naturais diante dos efeitos da mudança do clima.
Importância para espécies migratórias
O litoral sul do Rio Grande do Sul está situado na rota atlântica das Américas (Atlantic Flyway), uma das principais do planeta, que conecta o Ártico canadense e o Alasca, nos Estados Unidos, ao sul da América do Sul, passando pela costa do Brasil. Essas áreas funcionam como “postos de abastecimento” ecológicos, onde as aves param para descansar após voar milhares de quilômetros ininterruptamente e acumular energia antes de continuar a migração, alimentando-se de invertebrados e pequenos crustáceos.
Os principais corredores que convergem no litoral gaúcho são a rota do Ártico- Patagônia, usada por maçaricos e batuíras, e a rota Atlântica de Aves Marinhas, utilizada por albatrozes, petréis e trinta-réis que percorrem o Atlântico Sul, além da Conexão Pampas-Patagônia-Brasil, percorrida por espécies como o maçarico-acanelado, ligado aos campos naturais do Cone Sul.
“Prestes a sediar e presidir a COP15 das Espécies Migratórias, o Brasil lidera pelo exemplo ao ampliar as áreas de proteção dessas espécies com a criação das novas Unidades de Conservação. Além de proteger ecossistemas marinhos e costeiros únicos e fomentar o desenvolvimento local sustentável, a medida comprova que o Brasil coloca em prática as iniciativas ambiciosas que defende em fóruns multilaterais”, destacou o secretário-executivo do MMA e presidente da COP15, João Paulo Capobianco.
De 23 a 29 de março de 2026, o Brasil preside a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), que ocorre em Campo Grande (MS). No encontro, mais de 2 mil pessoas debaterão os desafios e as soluções para a conservação das espécies migratórias e seus habitats, bem como de suas rotas de migração (saiba mais aqui).
Na COP15, junto à Argentina e ao Uruguai, o Brasil submete, no âmbito da CMS, proposta de renovação de uma Ação Concertada que busca promover a conservação da toninha. O instrumento prevê o fortalecimento da cooperação transfronteiriça para reduzir a captura incidental e atualizar diagnósticos populacionais, dentre outras atividades.
UCs contribuem para o cumprimento de metas internacionais
A criação do Parque Nacional e da Área de Proteção Ambiental do Albardão também representa um avanço concreto para as metas de proteção dos oceanos brasileiros. Juntas, ampliarão a área protegida da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil, elevando o total de área marinha sob proteção para aproximadamente 26,73%.
O novo mosaico de áreas protegidas reforça o compromisso do país com a conservação da biodiversidade marinha e com o cumprimento das metas internacionais do Marco Global da Biodiversidade Kunming-Montreal, que estabelece o objetivo de proteger pelo menos 30% dos ambientes marinhos até 2030.
Processo de criação
A proposta de criação das Unidades de Conservação, que vem sendo construída há cerca de duas décadas, resulta de um processo técnico conduzido pelo ICMBio, com apoio do MMA, envolvendo estudos científicos, consultas públicas e diálogo com governos locais, setor pesqueiro, universidades e organizações da sociedade civil. A iniciativa também recebeu amplo apoio da comunidade científica e de entidades nacionais e internacionais dedicadas à conservação marinha, refletindo o reconhecimento da excepcional importância ecológica da região do Albardão para a biodiversidade do Atlântico Sul e para a proteção de espécies ameaçadas.
A área foi reconhecida como prioritária para conservação em 2004, o processo formal foi aberto em 2008 com apoio de universidades e ONGs, e diversos estudos ambientais e socioeconômicos foram produzidos entre 2017 e 2019. Em 2024, ocorreram consultas públicas e, após questionamentos, o ICMBio instituiu um grupo de trabalho para tratar da questão, além de encomendar estudos complementares.
Por fim, em 2026, novas tratativas com diferentes entes institucionais levaram a ajustes técnicos na poligonal originalmente proposta, resultando na configuração final do Parque Nacional do Albardão, com predomínio de áreas marinhas de alta relevância para a biodiversidade e pequena porção terrestre, bem como na criação da APA do Albardão, que, juntamente com a Zona de Amortecimento do Parque, contribui para a proteção e o ordenamento das atividades no entorno da unidade, buscando conciliar proteção da biodiversidade, pesca artesanal e outras atividades socioeconômicas regionais.
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Brasil
Renan Filho deixa Ministério dos Transportes após ciclo de avanços na infraestrutura; George Santoro assume a pasta
Com uma gestão pautada na atração de investimentos, retomada de obras e avanços na segurança viária, o ministro Renan Filho deixou o comando do Ministério dos Transportes nesta quarta-feira (1º), em razão da desincompatibilização exigida pela legislação eleitoral. Para dar continuidade às ações, o até então secretário-executivo da pasta, George André Palermo Santoro, assume o cargo.
“O Ministério dos Transportes tem um propósito claro e sabe fazer aquilo a que se propõe. Com as condições necessárias, entrega resultados. Possui memória institucional, equipe qualificada e servidores de carreira capazes e dedicados. Saio com a convicção de que o Ministério está preparado para enfrentar os desafios do Brasil e promover uma infraestrutura melhor”, declarou Renan Filho.
Ao assumir a liderança da pasta, George Santoro destacou o compromisso de dar continuidade às ações em andamento.
“Vamos manter a infraestrutura no centro da estratégia de desenvolvimento nacional. Não é retórica. É planejamento, execução e resultado. Estamos construindo estradas mais seguras, logística mais eficiente, economia mais competitiva e um futuro mais previsível para o Brasil. Agradeço a confiança dada a mim. É um desafio enorme e temos muito o que fazer”, disse o ministro recém-empossado, George Santoro.
A Secretaria-Executiva passa a ser ocupada por Bruno Praxedes, até então chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do ministério.
Retomada dos investimentos
A gestão de Renan Filho à frente do Ministério dos Transportes, iniciada em 1º de janeiro de 2023, marcou a retomada dos investimentos em infraestrutura no país. Com foco na recuperação da malha viária, na ampliação de investimentos públicos e privados e no planejamento de longo prazo, a pasta reposicionou o Brasil em uma trajetória de modernização logística.
Nos três últimos anos, o Brasil alcançou volume histórico de investimentos e concessões. Foram realizados 23 leilões rodoviários desde 2023, além de outros 12 previstos para 2026, que, ao todo, devem garantir a aplicação de aproximadamente R$ 400 bilhões nas rodovias brasileiras. O período também foi marcado pela retomada de projetos ferroviários, como a previsão de oito leilões em 2026, com R$ 140 bilhões em investimentos no segmento.
Outra referência nacional é o Programa de Otimização de Contratos, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU). A iniciativa busca restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro e a capacidade de investimento em BRs concedidas à iniciativa privada, por meio da repactuação de contratos considerados “estressados”, aqueles com desempenho insatisfatório e defasagens técnicas e financeiras que comprometem a execução de investimentos e a qualidade dos serviços. Em 2023, cerca de 70% das obras mais relevantes estavam paralisadas. Desde então, a pasta firmou nove acordos, destravando investimentos e viabilizando o recomeço desses empreendimentos.
Além dos avanços na infraestrutura física, a gestão ampliou o alcance de ações voltadas à mobilidade, à segurança viária e à inclusão social, com destaque para o Programa CNH do Brasil, que passou a integrar a agenda estratégica do Ministério. A iniciativa reforça a compreensão de que a política de transportes também se constrói a partir das pessoas, e com o programa, a primeira habilitação e a renovação ficaram mais acessíveis e menos burocráticas.
“Terminaremos o governo com R$ 400 bilhões contratados em quatro anos, uma média de R$ 100 bilhões por ano. Esse volume colocará o Brasil, no ciclo de 2026 a 2030, no maior patamar de investimentos em infraestrutura da sua história. A ideia é que a infraestrutura deixe de ser estreito e passe a ser um caminho largo por onde flui o desenvolvimento do país”, concluiu Renan Filho.
Continuidade e avanços
A chegada de Santoro ao cargo representa um movimento de continuidade dentro do Governo do Brasil, uma vez que ele participou diretamente da condução das principais ações da pasta nos últimos anos. Entre as iniciativas acompanhadas de perto pelo novo ministro estão o programa CNH do Brasil, a retomada de obras rodoviárias federais, a recuperação da malha viária, a execução de obras estruturantes e os leilões de concessões rodoviárias, que alcançaram recorde histórico.
No setor ferroviário, o então secretário-executivo atuou na criação da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário (SNTF) e no lançamento da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, além de outras iniciativas voltadas à expansão da malha e à atração de investimentos.
Na véspera da posse, durante reunião ministerial realizada na terça-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as mudanças foram planejadas para garantir a continuidade da gestão. “Tomei a decisão de não colocar ministro novo. Temos uma máquina funcionando, e nenhum ministério vai começar tudo outra vez. A obrigação de quem permanece é concluir e fazer com que a máquina funcione sem qualquer paralisia”, declarou.
Novo ministro
Servidor de carreira como auditor de controle externo do Tribunal de Contas do município do Rio de Janeiro, George Santoro é advogado, contador e mestre em Contabilidade e Administração pela Fucape Business School.
Possui especializações em Economia Empresarial pela Universidade Candido Mendes, em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e em Direito do Trabalho e Previdenciário.
No setor público, esteve à frente da Secretaria da Fazenda de Alagoas por oito anos e também atuou como subsecretário de Política Fiscal e de Receita do Estado do Rio de Janeiro.
Ao longo da carreira, liderou ações decisivas nas áreas fiscal e de infraestrutura, com ênfase em iniciativas de concessões e reequilíbrio de contas públicas.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes
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