Connect with us


Brasil

Fórum debate atuação dos hospitais filantrópicos no SUS e desafios para os próximos anos

Publicado em

Com presença em 1.145 municípios e mais de 164 mil leitos, a rede de hospitais filantrópicos ocupa posição estratégica na organização e na oferta de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em áreas de média e alta complexidade. O tema foi destacado pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, durante a abertura do II Fórum em Saúde da Associação dos Hospitais Filantrópicos Privados (Ahfip), em São Paulo, na quarta-feira (19).

Atualmente, o país conta com 1.525 hospitais filantrópicos, o que garante capilaridade territorial, descentralização e regionalização da assistência para responde ao imperativo constitucional do direito à saúde. Ao todo, são 164.832 leitos hospitalares na rede filantrópica, dos quais 120.936 estão destinados ao SUS. Essas instituições representam a principal estrutura hospitalar disponível em diversos municípios do interior, evitando que pacientes precisem se deslocar para grandes centros urbanos em busca de atendimento.

“Hoje, com o SUS, esses hospitais cresceram o seu papel. Mais de 40% da produção hospitalar é realizada pelas instituições filantrópicas e, para procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas e transplantes, esses hospitais chegam a representar 70% da produção de saúde brasileira”, comparou Massuda.

A rede se destaca ainda como referência em áreas de média e alta complexidade, contribuindo com oncologia, cardiologia, transplantes, terapia intensiva, urgência e emergência, assistência materno-infantil e formação de profissionais de saúde. A Ahfip reúne hospitais de excelência e alta complexidade tecnológica, como Sírio-Libanês, BP, HCor, Oswaldo Cruz, A.C.Camargo e Moinhos de Vento, que atuam nas áreas de ensino, pesquisa e assistência à saúde.

Parceria estratégica

A dimensão e a capilaridade da rede também ampliam a importância de uma atuação coordenada entre o poder público e as instituições filantrópicas. Nesse contexto, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), que articula o Ministério da Saúde a hospitais de excelência filantrópicos, passa pelo planejamento de seu 7º triênio.

Leia mais:  Ministério dos Transportes divulga edital de mais R$ 1 bilhão para o Contorno Rodoviário de Goiânia

Segundo Massuda, a próxima etapa deve ser orientada por cinco dimensões essenciais: acesso, equidade, resolutividade/integralidade, resiliência e sustentabilidade. A proposta é priorizar populações vulneráveis, territórios de difícil acesso e projetos mais robustos e estruturantes, reduzindo a pulverização de iniciativas.

“O objetivo é reduzir a pulverização dos projetos”, destacou o secretário-executivo. A proposta é concentrar as iniciativas de acordo com a vocação técnica de cada instituição e alinhá-las às prioridades nacionais, como atenção básica, transformação digital e saúde climática.

Para o secretário-executivo, a agenda estratégica do governo deve estar associada à expertise de cada hospital. “Um projeto de atenção ao câncer com o hospital do coração não faz muito sentido”, afirmou. Na avaliação do secretário-executivo, iniciativas voltadas à saúde cardiovascular, por exemplo, devem ser desenvolvidas por instituições com reconhecida expertise na área, como o Hospital do Coração (HCor), enquanto projetos de atenção ao câncer podem ser direcionados a referências como o A.C.Camargo Câncer Center.

Novos instrumentos

Além do Proadi-SUS, o Ministério da Saúde vem organizando a regulamentação de novos instrumentos de cooperação entre o poder público e o setor filantrópico. Entre eles está o Componente de Créditos Financeiros, que permite a hospitais privados e filantrópicos converterem débitos com a União em atendimentos gratuitos ao SUS, por meio do Certificado de Valor de Crédito Financeiro (CVCF).

Somente entre as instituições sem fins lucrativos, já foram acumulados mais de R$ 470 milhões em créditos financeiros, dos R$ 640 milhões totais gerados pelo mecanismo.

Leia mais:  Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo avança na articulação com estados para fortalecer manejo integrado do fogo na Amazônia Legal

O Componente Cirúrgico dessa política proporcionou, em 2025, a realização de 14,9 milhões de cirurgias eletivas, um crescimento de 43% em relação a 2022. Nos cinco primeiros meses de 2026, já haviam sido realizadas 6,2 milhões de cirurgias, 8% a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Sistema resiliente

A discussão sobre a parceria com a rede filantrópica está inserida em um debate mais amplo sobre os caminhos do SUS diante das transformações demográficas, epidemiológicas, tecnológicas, climáticas e econômicas. Durante o fórum, Massuda apresentou dados sobre a trajetória do sistema ao longo de seus 35 anos, destacando avanços como a redução da mortalidade infantil, o aumento de cerca de 9,5 anos na expectativa de vida entre 1991 e 2024, a erradicação da poliomielite e a consolidação de capacidades reconhecidas internacionalmente, como o maior sistema público de transplantes de órgãos e tecidos do mundo e um dos maiores programas de imunização.

Ao mesmo tempo, o secretário-executivo apontou desafios estruturais que precisam ser enfrentados para garantir a sustentabilidade e a capacidade de resposta do sistema, entre eles o subfinanciamento, as desigualdades regionais na oferta de serviços e tecnologias, a fragmentação do cuidado e as tensões na relação entre os setores público e privado.

Segundo o Ministério da Saúde, a próxima fase do SUS será marcada por transformações profundas, como o envelhecimento populacional, a mudança no perfil epidemiológico, os impactos das mudanças climáticas, a transformação digital e o avanço de tecnologias e terapias de alto custo. Nesse cenário, a construção de um sistema mais resiliente, integrado e sustentável depende da capacidade de articular diferentes atores e competências em torno das necessidades da população.

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

Comentários Facebook

Brasil

Ministério da Saúde alerta sobre falsa mensagem que usa nome do DenaSUS para aplicar golpe

Published

on

É falsa a mensagem sobre uma suposta inspeção sigilosa do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) nas gestões de saúde estaduais e municipais do país. A mensagem, encaminhada por meio do WhatsApp, utiliza indevidamente o nome da “Auditoria Federal” e apresenta uma proposta ilícita para “corrigir” documentos e evitar problemas em uma eventual fiscalização, mediante a obtenção de vantagens financeiras.

O Ministério da Saúde reforça que nenhum órgão legítimo oferece qualquer tipo de pagamento ou vantagem para alterar documentos, impedir auditorias ou evitar apontamentos. As comunicações do DenaSUS seguem os canais e procedimentos institucionais. Após a definição do trabalho, a Secretaria de Saúde estadual ou municipal e o respectivo Conselho de Saúde são oficialmente informados sobre a realização da auditoria.

O caso identificado e a documentação relacionada à ocorrência já foram encaminhados à Polícia Federal e às demais autoridades competentes para conhecimento e investigação.

Os procedimentos oficiais seguem o Manual de Auditoria do SUS, obedecem ao protocolo técnico e aos trâmites institucionais aplicáveis. Dessa forma, qualquer contato informal ou abordagem por aplicativos de mensagens que envolva cobrança, pedido de pagamento ou promessa de interferência em uma auditoria deve ser tratado como suspeito.

Leia mais:  Ministério dos Transportes divulga edital de mais R$ 1 bilhão para o Contorno Rodoviário de Goiânia

Os gestores que receberem esses comunicados não devem realizar pagamentos nem fornecer informações ou documentos. A mensagem deve ser salva, assim como o número de telefone utilizado no contato e os demais registros da abordagem, para eventual apuração pelas autoridades competentes.

Auditorias do DenaSUS

Os pedidos de auditoria podem chegar ao DenaSUS por diferentes canais institucionais, incluindo o Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e a Ouvidoria do SUS, por meio do Fala.BR. As manifestações recebidas pela Ouvidoria passam por triagem e, conforme a natureza e a pertinência do caso, podem dar origem a processo de auditoria.

Rafaelle Pereira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262