Brasil
Fiscalização do MTE afasta 142 adolescentes de atividades proibidas no setor calçadista do Rio Grande do Sul
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Inspeção do Trabalho, realizou, entre os dias 8 e 12 de junho, uma operação do Grupo Especial Móvel de Fiscalização do Trabalho Infantil (GMTI) no Rio Grande do Sul. A ação, realizada com o apoio da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), afastou 142 adolescentes de atividades classificadas entre as piores formas de trabalho infantil em empresas do setor calçadista dos municípios de Sapiranga, Rolante, Parobé e Igrejinha.
De acordo com a Auditoria Fiscal do Trabalho, as fiscalizações abrangeram 67 estabelecimentos, sendo constatadas irregularidades em 82% das empresas inspecionadas. Os adolescentes encontrados em situação de trabalho infantil tinham entre 12 e 17 anos e exerciam atividades proibidas pela legislação brasileira por oferecerem riscos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento físico e psicológico.
Entre os casos identificados, cerca de 87 adolescentes operavam máquinas motorizadas ou trabalhavam expostos a solventes, adesivos e outros produtos químicos nocivos à saúde. Duas adolescentes, de 12 e 13 anos, foram encontradas em contato direto com solventes e cola à base de hidrocarbonetos. A adolescente de 13 anos também operava uma prensa industrial.
Outros 55 adolescentes realizavam atividades em ambientes com níveis excessivos de ruído, manuseavam instrumentos perfurocortantes ou transportavam cargas acima dos limites permitidos pela legislação. Todas as situações constatadas estão incluídas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), prevista no Decreto nº 6.481/2008 e alinhada à Convenção nº 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Durante todo o mês de junho, estão sendo realizadas, em todo o país, operações de combate ao trabalho infantil.
De acordo com a coordenadora do Grupo Móvel de Fiscalização do Trabalho Infantil, a auditora-fiscal do Trabalho Paula Neves, a Constituição Federal assegura proteção especial às crianças e aos adolescentes, reconhecendo sua condição de pessoas em desenvolvimento. Ela ressalta que, embora adolescentes de 16 e 17 anos possam trabalhar, a legislação proíbe sua atuação em atividades que ofereçam riscos à saúde, à segurança ou ao desenvolvimento. Nas empresas fiscalizadas durante a operação, 84% dos adolescentes exerciam funções enquadradas entre as piores formas de trabalho infantil.
Diante das irregularidades constatadas, os auditores-fiscais do Trabalho determinaram o afastamento imediato dos adolescentes das atividades proibidas, por meio de mudança de função ou rescisão contratual, com a garantia de todos os direitos trabalhistas. As empresas serão autuadas, e os casos, encaminhados ao Ministério Público do Trabalho para a adoção das medidas cabíveis.
A operação também revelou impactos na trajetória escolar dos adolescentes. Dos 142 encontrados em situação de trabalho infantil, 33 informaram estar fora da escola. Para evitar o retorno ao trabalho precoce, todos os casos serão encaminhados à rede de proteção social, incluindo as secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social, os Conselhos Tutelares e os Ministérios Públicos.
Os adolescentes com idade a partir de 14 anos que tiverem seus contratos rescindidos poderão ser encaminhados para programas de aprendizagem profissional, garantindo qualificação, experiência prática em ambiente protegido e acesso aos direitos trabalhistas e previdenciários.
Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Infantil
A atuação do Grupo Móvel integra a estratégia nacional do MTE de combate ao trabalho infantil, especialmente em cadeias produtivas com histórico de utilização de mão de obra infantojuvenil. Além de promover o afastamento imediato dos adolescentes das atividades irregulares, a Auditoria Fiscal do Trabalho adota medidas para responsabilização dos empregadores e encaminhamento dos casos à rede de proteção social.
Denúncias
Casos de trabalho análogo à escravidão, tráfico de pessoas e exploração sexual podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, disponível em https://ipe.sit.trabalho.gov.br..
As denúncias recebidas são tratadas com sigilo e constituem importante instrumento para a identificação de vítimas e o combate às redes de exploração de trabalhadores em todo o território nacional.
O Sistema Ipê foi lançado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Brasil
Recorde de concessões rodoviárias é destaque durante Bienal das Rodovias
O ministro dos Transportes, George Santoro, participou nesta quarta-feira (17) da abertura da Bienal das Rodovias, evento que reúne autoridades, especialistas, investidores e representantes do setor para discutir os desafios e as perspectivas das concessões rodoviárias no Brasil.
Santoro destacou os avanços promovidos pelo Ministério dos Transportes para ampliar a segurança jurídica dos projetos, modernizar os modelos de concessão e fortalecer o ambiente de investimentos em infraestrutura.
“O Brasil tem se notabilizado por ter uma regulação moderna e eficaz. Evoluímos muito nos últimos anos com a Política Nacional de Outorgas Rodoviárias, construindo uma agenda exitosa que dá mais segurança jurídica e previsibilidade aos projetos”, afirmou.
O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, destacou a relevância do diálogo entre o setor público e a iniciativa privada para o desenvolvimento da infraestrutura nacional.
“Precisamos de agências reguladoras fortes. O mercado reage às políticas de Estado e os números do investimento privado têm acompanhado uma crescente constante. Em 2025, tivemos recordes de mobilização de recursos nas rodovias concedidas, chegando a R$ 29 bilhões, e 2026 será o ano em que atravessaremos a marca de R$ 30 bilhões em investimentos”, disse.
Modernização do setor
Nos últimos anos, o Ministério dos Transportes promoveu mudanças para tornar os projetos de concessão mais modernos, transparentes e atrativos para investidores. Um dos principais marcos desse processo foi o lançamento da Política Nacional de Outorgas Rodoviárias, instituída em 2023 pela Portaria nº 995/2023, que estabeleceu diretrizes para padronizar os contratos, ampliar a previsibilidade regulatória, fortalecer a segurança jurídica dos projetos e incorporar mecanismos voltados à sustentabilidade contratual, ambiental e social.
“O grande diferencial deste ciclo foi a atuação do Ministério dos Transportes como articulador das políticas públicas para o setor rodoviário. A pasta passou a coordenar de forma mais integrada os diversos atores e instrumentos envolvidos nas concessões, promovendo maior alinhamento entre planejamento, regulação e execução dos projetos e ampliando a confiança dos investidores”, ressalta a secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, que também participou do evento.
Entre as inovações previstas estão critérios padronizados para a modelagem dos contratos e mecanismos de compartilhamento de riscos. As medidas também incentivam a infraestrutura resiliente e a transição energética. O pacote amplia ainda o uso de tecnologias, como sistemas de pedágio eletrônico de livre passagem, ferramentas digitais de monitoramento e soluções inteligentes para a operação rodoviária.
Ciclo histórico de concessões
A modernização do ambiente regulatório ajudou a impulsionar um dos maiores ciclos de concessões rodoviárias da história do país. Entre 2022 e 2025, o Ministério dos Transportes realizou 22 leilões de rodovias federais. Em 2026, outros dois projetos já foram concedidos.
Os 24 contratos firmados até o momento abrangem 11.815 quilômetros de rodovias e somam mais de R$ 268,7 bilhões em investimentos privados. Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade logística, à melhoria da segurança viária e ao aumento da qualidade da infraestrutura de transportes.
“A carteira de projetos é muito robusta. Em 24 leilões, tivemos 18 novos players que ganharam concessões, o que demonstra que geramos competição, novas possibilidades e a entrada do setor financeiro de forma bastante impactante”, finalizou Santoro.
A expectativa é que, até o fim de 2026, a atual gestão alcance a marca de 35 concessões rodoviárias. Os projetos previstos representam cerca de R$ 396 bilhões em investimentos, reforçando o papel das parcerias com a iniciativa privada no fortalecimento da malha federal e na ampliação da competitividade da economia brasileira.
Assessoria Especial de Comunicação
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes
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