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Etanol brasileiro enfrenta volatilidade extrema com tarifas norte-americanas

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Entre fevereiro e agosto de 2025, a tarifa norte-americana sobre o etanol brasileiro saltou de 2,5% para 52,5%, um aumento de 2.000% em apenas seis meses. Segundo a professora da Esalq/USP e pesquisadora do Cepea, Heloisa Burnquist, essa escalada vai muito além de questões comerciais e revela uma mistura de retaliação política e política comercial que transformou o etanol brasileiro em refém de decisões externas.

Três atos que transformaram a política tarifária americana

O primeiro momento ocorreu em fevereiro de 2025, quando o então presidente Donald Trump anunciou tarifas “recíprocas” contra países que, em sua avaliação, praticavam comércio injusto com os EUA. O etanol brasileiro foi citado como exemplo, considerando que a tarifa americana era de 2,5%, enquanto o Brasil cobrava 18% sobre o etanol norte-americano — uma diferença de 7,2 vezes.

Em abril, veio o segundo ato: Trump aplicou uma sobretaxa de 10% sobre todos os produtos brasileiros, elevando a tarifa do etanol para 12,5%. Apesar do aumento, ainda ficava abaixo da tarifa brasileira, sugerindo inicialmente que a lógica de reciprocidade estava sendo seguida.

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O terceiro ato, entre julho e agosto, mudou radicalmente a narrativa. Em carta ao presidente Lula, Trump anunciou uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 52,5% para o etanol. Nesse momento, a justificativa deixou de ser comercial e tornou-se política, resultando em uma tarifa americana 2,9 vezes maior que a brasileira — ironicamente invertendo a lógica inicial.

Isenções seletivas mostram motivações políticas

Quando a tarifa de 50% entrou em vigor em agosto, o governo americano divulgou uma lista de 694 produtos brasileiros isentos da sobretaxa. Entre eles estavam petróleo (8,5 bilhões de dólares em exportações), suco de laranja (990 milhões) e minério de ferro (1,8 bilhão).

Por outro lado, produtos de menor valor, como etanol (200 milhões), café, carnes e açúcar, permaneceram tarifados. Segundo Burnquist, a seletividade das isenções evidencia motivações políticas, com decisões baseadas em lobby e importância estratégica, e não em lógica econômica.

Contradição ambiental do etanol brasileiro

A política tarifária americana também cria contradições ambientais. O etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, possui pegada de carbono 60% a 70% menor que o etanol de milho americano. Ele poderia ajudar os EUA a cumprir metas de redução de emissões em programas como o Renewable Fuel Standard e o Low Carbon Fuel Standard da Califórnia.

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Ao tornar o etanol brasileiro inviável economicamente, as refinarias norte-americanas terão que recorrer a alternativas domésticas mais poluentes ou mais caras, minando os objetivos de sustentabilidade do próprio país.

O risco da imprevisibilidade para o comércio internacional

Mais do que o valor absoluto das tarifas, o que ameaça o comércio internacional é a imprevisibilidade. Empresas brasileiras que negociaram contratos no início de 2025 esperavam estabilidade relativa. O salto de 2,5% para 52,5% em seis meses destrói confiança, reduz investimentos, encarece financiamentos e dificulta relacionamentos comerciais de longo prazo.

Essa volatilidade, aplicada pela maior economia do mundo, cria precedentes perigosos, corroendo a credibilidade do sistema global de comércio baseado em regras construídas ao longo de décadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de carne bovina do Brasil disparam em 2026 e superam 1,3 milhão de toneladas até maio

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As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte expansão em 2026. Em maio, o Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mercado internacional, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça o protagonismo do país no comércio global de carne bovina e consolida a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que o faturamento das exportações atingiu US$ 1,83 bilhão em maio, avanço de 6,5% em relação ao mês anterior.

Além do aumento nos embarques, o setor também foi beneficiado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, registrando alta de 3,5% na comparação com abril.

China responde por mais da metade das exportações brasileiras

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, ampliando sua participação nas compras externas e sustentando o crescimento das exportações nacionais.

Em maio, os chineses adquiriram 157,6 mil toneladas da proteína, movimentando US$ 1,06 bilhão. O volume representa crescimento de 39,6% em relação ao mesmo período do ano passado e corresponde a 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês.

O avanço das compras chinesas ocorre em um momento de antecipação dos embarques por parte dos importadores, diante da implementação de medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo do país asiático para o setor de carne bovina.

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Estados Unidos mantêm posição estratégica entre os compradores

Os Estados Unidos seguiram como o segundo principal mercado para a carne bovina brasileira em maio. As exportações para o país somaram 28,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 195,6 milhões.

Na comparação anual, os embarques para o mercado norte-americano cresceram 5,1%, demonstrando a manutenção da demanda mesmo em um cenário de maior concorrência internacional.

Entre os principais compradores também se destacaram a Rússia, com importações de 13,7 mil toneladas, o Chile, com 8,5 mil toneladas, e a União Europeia, que adquiriu 8,3 mil toneladas da proteína brasileira durante o mês.

Carne in natura domina receita das exportações

A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado pelo setor. Em maio, essa categoria respondeu por 88,2% do volume total embarcado e por 93,1% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras.

O faturamento da carne in natura atingiu aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período, reforçando sua relevância para a balança comercial do agronegócio brasileiro.

Brasil acumula mais de 1,38 milhão de toneladas exportadas em 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 1,388 milhão de toneladas, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A receita gerada pelo setor chegou a US$ 7,88 bilhões entre janeiro e maio, refletindo tanto o aumento do volume exportado quanto a valorização dos preços internacionais.

O preço médio das exportações brasileiras atingiu US$ 5.677 por tonelada no período, significativamente acima dos US$ 4.824 por tonelada registrados nos cinco primeiros meses do ano passado.

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Diversificação de mercados fortalece competitividade brasileira

A China segue liderando o ranking anual de compradores, com 631,9 mil toneladas importadas e faturamento de US$ 3,78 bilhões. O país asiático respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% de toda a receita gerada pelo setor no acumulado de 2026.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 1,16 bilhão. Na sequência estão Chile, Rússia e União Europeia, todos registrando crescimento nas importações da proteína brasileira.

Segundo a ABIEC, o desempenho positivo reflete a ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.

Atualmente, o produto nacional está presente em mais de 177 destinos ao redor do mundo, estratégia que contribui para ampliar a competitividade do setor, reduzir riscos comerciais e fortalecer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de proteína animal.

Perspectivas seguem positivas para o restante do ano

Com demanda internacional aquecida, preços sustentados e diversificação crescente dos mercados compradores, o setor de carne bovina mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.

A continuidade do forte ritmo de exportações reforça a importância da pecuária de corte para o agronegócio brasileiro e para a geração de divisas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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