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Estoque apertado e clima instável elevam preços do trigo no Brasil e no exterior

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A combinação de oferta restrita no Sul do Brasil, fatores climáticos adversos e entraves logísticos internacionais vem pressionando os preços do trigo no mercado interno e nas principais bolsas globais. Especialistas alertam para um cenário volátil, que deve influenciar estratégias de abastecimento e contratos futuros nas próximas semanas.

Estoque no Sul do Brasil não atende à demanda

No Rio Grande do Sul, a disponibilidade de trigo já mostra sinais de aperto. Segundo a TF Agroeconômica, o estado conta com cerca de 840 mil toneladas à venda, volume insuficiente para atender à demanda mensal, estimada entre 208 mil e 242 mil toneladas.

Mesmo considerando a distribuição linear do estoque restante até a próxima safra, a oferta mensal seria de aproximadamente 120 mil toneladas, apontando um déficit de cerca de metade da necessidade. O mercado interno acompanha a tensão: vendedores pedem R$ 1.100 no interior, enquanto moinhos ofertam entre R$ 1.050 e R$ 1.060 para entrega em março e pagamento em abril. O preço ao produtor se mantém em R$ 54 a saca em Panambi.

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Em Santa Catarina, moinhos priorizam o trigo gaúcho a R$ 1.070, mais ICMS e frete, enquanto ofertas locais de R$ 1.250 CIF não encontram espaço. No Paraná, a entrada de trigo do RS e do Paraguai mantém a pressão sobre os preços regionais.

Frete internacional encarece importações

O aumento do frete internacional, de US$ 18 para US$ 21,45 por tonelada, reduz a competitividade do trigo argentino, historicamente usado para complementar estoques nacionais. Ainda assim, o Sul do país precisará importar cerca de 700 mil toneladas para manter o ritmo de moagem e equilibrar a oferta.

Bolsas internacionais refletem clima e expectativa por dados do USDA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o trigo iniciou o pregão de 12 de fevereiro com alta de 0,37%, cotado a US$ 5,29 por bushel. O movimento foi influenciado pelo frio intenso na Rússia, que ameaça cultivos de inverno, e pela expectativa de divulgação de relatórios do USDA sobre vendas semanais de exportação, que costumam provocar volatilidade no curto prazo.

Mercado reage ao relatório de estoques do USDA

Após três sessões consecutivas de queda, o trigo fechou em alta na CBOT. Contratos de março encerraram a US$ 5,37 1/4 por bushel (+1,70%), e contratos de maio a US$ 5,45 1/4 (+1,34%). O relatório de fevereiro do USDA estimou estoques finais dos EUA em 931 milhões de bushels, ante 926 milhões anteriormente, enquanto os estoques globais foram projetados em 277,51 milhões de toneladas, contra 278,25 milhões no relatório anterior.

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Na Europa, o trigo para moagem na Euronext de Paris fechou março a 190,50 euros por tonelada, alta de 0,53%, sustentado por compras técnicas e preocupações climáticas.

Condições climáticas e logísticas mantêm preços em alta

A seca nas Grandes Planícies dos EUA e o frio intenso na Rússia, aliados a atrasos logísticos na região do Mar Negro, elevam o risco de perdas e contribuem para manter os prêmios de risco elevados. Esses fatores sustentam as cotações internacionais e impactam diretamente os preços do trigo no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de arroz segue travado em abril, com preços firmes e baixa liquidez no Brasil

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A primeira quinzena de abril consolidou um cenário de baixa liquidez no mercado de arroz, marcado pelo desalinhamento entre a oferta potencial e a disponibilidade efetiva do produto. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a formação de preços segue descolada do fluxo de negociações.

De acordo com ele, o comportamento do produtor tem sido determinante nesse contexto. A retenção estratégica dos estoques, motivada por margens abaixo do custo de produção, limita a oferta no mercado e reduz o volume de negócios.

Intervalo de preços indica estabilidade artificial no mercado

Durante o período, as cotações oscilaram dentro de uma faixa entre R$ 61 e R$ 68 por saca de 50 quilos, configurando um piso no curto prazo. No entanto, essa estabilidade não reflete um mercado ativo.

Segundo o analista, trata-se de uma estabilidade artificial, com preços ofertados, mas sem efetivação de negociações, em um ambiente de baixa profundidade no mercado spot.

Indústria compra apenas para reposição imediata

Do lado da demanda, a indústria manteve uma postura cautelosa, realizando aquisições pontuais e voltadas exclusivamente à reposição de curto prazo. Esse comportamento reforça o cenário de poucos negócios e contribui para a manutenção do mercado travado.

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Exportações perdem competitividade com queda do dólar

No mercado externo, a competitividade do arroz brasileiro apresentou deterioração significativa ao longo da quinzena. O principal fator foi a valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando abaixo de R$ 5,00.

Esse movimento reduziu as margens de exportação (FOB), tornando inviável a participação do Brasil em mercados internacionais. Como consequência, o país atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o diferencial competitivo necessário para exportações nas Américas.

Queda na demanda externa reduz ritmo de embarques

Após um início de ano com volumes expressivos, superiores a 600 mil toneladas no trimestre, o mercado registrou desaceleração nas exportações. A redução da atratividade do produto brasileiro resultou em retração da demanda internacional.

Com isso, as exportações deixaram de cumprir o papel de escoamento da produção, ampliando a pressão sobre o mercado interno.

Entrada da nova safra amplia oferta e pressiona dinâmica do mercado

O período também foi marcado pela transição entre o fim da entressafra e a chegada da nova safra, com avanço da colheita e consolidação de uma produção volumosa, com boa produtividade.

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Esse aumento na oferta potencial, somado à retração das exportações e à baixa liquidez interna, reforça o cenário de desequilíbrio entre produção e comercialização.

Cotação do arroz registra leve alta na semana, mas segue abaixo de 2025

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a média da saca de 50 quilos (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,14 na quinta-feira (16), registrando alta de 0,77% em relação à semana anterior.

Na comparação mensal, o avanço foi de 7,12%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda acumula queda de 18,14%, evidenciando o cenário desafiador para o setor orizícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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