Curitiba
Trabalhadores protestam contra fechamento da fábrica de fertilizantes da Petrobras
Quase duas mil pessoas, de acordo com FUP (Federação Única dos Petroleiros), protestam nesta sexta-feira (17) contra o fechamento da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados (Ansa), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Na última terça-feira (14), a Petrobras anunciou o encerramento das atividades e a demissão de quase 400 funcionários diretos.
Segundo a estatal, a decisão do encerramento da Ansa ocorre após o fim das tentativas de venda do ativo por mais de 2 anos. As negociações teriam avançado com uma companhia russa, mas não houve efetivação da venda.
Segundo a FUP e o Sindiquímica-PR, não houve qualquer negociação anterior entre a diretoria da Petrobras e os trabalhadores da unidade sobre uma possível paralisação das atividades. Além dos funcionários diretos, a medida deve afetar quase 2 mil pessoas.
“Foi uma notícia muito de última hora, pegou todos nós de surpresa. Ela só relatou que ia fechar a unidade e demitir todo mundo, inclusive, descumprindo uma cláusula do nosso acordo coletivo. O que causou mais espantos são essas alegações infundadas de prejuízo que a unidade dá”, destacou diretor de Comunicação da FUP, Gerson Castellano.
A FUP destaca que cálculos do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra) apontam que somente o município de Araucária, onde está instalada a Ansa, vai sofrer impacto negativo de R$ 75 milhões anuais com a demissão dos trabalhadores e a perda de suas rendas. A perda se estende também aos cofres do governo do estado do Paraná, que pode deixar de recolher cerca de R$ 50 milhões em ICMS.
Diante disso, representantes dos trabalhadores pediram uma reunião com o prefeito de Araucária, Hissam Hussein Dehaini, e com o governador do Paraná, Ratinho Junior. “Nós estamos tentando conversar com todos os atores. Nós queremos essa conversa para mostrar os prejuízos para a cidade e para o estado em relação a arrecadação de impostos”, afirmou.
MOBILIZAÇÃO EM TODO PAÍS
A maior mobilização, conforme a FUP, é na entrada da Ansa, em Araucária, mas também há manifestações no Edifício da Petrobras (Ediba) em Salvador (BA); na Refap, em Canoas (RS); na Regap, em Betim (MG); e na Replan, em Paulínia (SP). Além de atos na Reman (Amazonas), no Polo Guamaré (Rio Grande do Norte), na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal de Suape (Pernambuco), no Terminal de Vitória/Tavit (Espírito Santo), na Reduc (Rio de Janeiro) e na Recap (São Paulo).
PREJUÍZOS
O comunicado da Petrobras afirma que a Ansa vem apresentando recorrentes prejuízos desde que foi adquirida em 2013. Conforme a estatal, de janeiro a setembro de 2019, a Araucária gerou um prejuízo de quase R$ 250 milhões. Para o final de 2020, as previsões indicam que o resultado negativo pode superar R$ 400 milhões.
A Petrobras afirma que no contexto atual de mercado, a matéria-prima utilizada na fábrica, que é o resíduo asfáltico, está mais cara do que seus produtos finais – amônia e ureia – e as projeções para o negócio continuam negativas. A Ansa é a única fábrica de fertilizantes do país que opera com esse tipo de matéria-prima.
PRODUÇÃO
Usando resíduo asfáltico (RASF), a unidade é capaz de produzir diariamente 1.303 toneladas de amônia e 1.975 toneladas de ureia, de uso nas indústrias química e de fertilizantes. A planta também produz 450 mil litros por dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas.
A planta ainda pode produzir 200 toneladas/dia de CO2, que é vendido para produtores de gases industriais; 75 toneladas/dia de carbono peletizado, vendido como combustível para caldeiras; e 6 toneladas/dia de enxofre, usado em aplicações diversas.
Curitiba
Curitiba tem um bairro gigante que supera municípios da Região Metropolitana
A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) carrega o título de bairro mais populoso da capital paranaense e figura entre os cinco maiores do Brasil. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 172.510 moradores, número superior ao de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, que têm 127 mil e 118.730 habitantes, respectivamente.
Além da densidade populacional, a CIC se destaca pelo tamanho territorial, com 43 km² de extensão. Oficialmente fundada em 1973, a Cidade Industrial nasceu de uma parceria entre a Urbs e o Governo do Paraná.
A ideia era criar uma área planejada para receber indústrias e, ao mesmo tempo, oferecer moradia para trabalhadores. As primeiras casas começaram a surgir nos anos 1980 e, desde então, a região nunca parou de crescer.
Nos anos 1970, o bairro parecia isolado às margens da BR-116. Hoje, no entanto, faz parte do coração econômico da capital, com conexões diretas para o interior do Paraná.
Bairros mais populosos de Curitiba
Atualmente, a CIC lidera o ranking dos bairros mais populosos de Curitiba, seguida por Sítio Cercado, Cajuru, Uberaba e Boqueirão. Somadas, essas cinco regiões concentram 503.664 habitantes, ou seja, quase 30% de toda a população curitibana.
Na outra ponta, bairros como Riviera, Lamenha Pequena e Cascatinha mal chegam a somar 10 mil moradores.
Boom de investimentos após a pandemia
Desde 2022, a CIC tem atraído grandes investimentos em diferentes setores. Estima-se que cerca de R$ 2 bilhões já tenham sido confirmados em projetos industriais para os próximos três anos
A região também foi a mais procurada da cidade para abertura de empresas no primeiro semestre de 2022. Segundo a prfeitura, 2.761 novos negócios se instalaram ali, número maior que o registrado no Centro e no Sítio Cercado.
Atualmente, o bairro reúne aproximadamente 20 mil empresas, responsáveis por mais de 80 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com a Associação das Empresas da CIC.
Entre os investimentos mais expressivos estão os R$ 1,5 bilhão da Volvo em pesquisa e desenvolvimento até 2025; os R$ 200 milhões da Fiocruz na construção de uma fábrica de vacinas; e outros R$ 200 milhões da alemã Horsch, que pretende implantar uma unidade de máquinas agrícolas na região.
Desafios do maior bairro de Curitiba
Apesar da relevância econômica e social, a CIC enfrenta desafios típicos de grandes centros urbanos. O bairro aparece em segundo lugar no ranking de crimes contra o patrimônio em 2025, com 2.545 ocorrências registradas apenas no primeiro semestre, ficando atrás apenas do Centro.
Além da questão da segurança, o trânsito intenso e as demandas por urbanização acompanham o crescimento acelerado da região.
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