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Política Nacional

Empréstimo ao Ceará para combate a fome e pobreza rural vai a Plenário

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (9) autorização para que o governo do estado Ceará contrate operação de crédito externo no valor de 92 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 584 milhões, com o Instituto de Crédito Oficial da Espanha (MSF 79/2025). Os recursos serão destinados ao Projeto Paulo Freire II, voltado ao enfrentamento da fome e da pobreza extrema na zona rural do estado. A mensagem, enviada pela Presidência da República, recebeu parecer favorável do relator, senador Cid Gomes (PSB-CE) e segue agora para votação em Plenário com pedido de urgência. 

Segundo o relator, o financiamento integra a estratégia do governo estadual para ampliar programas de inclusão produtiva, assistência técnica rural, fortalecimento de cooperativas, agroecologia e geração de renda para famílias em situação de vulnerabilidade extrema. O projeto também prevê investimentos em segurança hídrica, saneamento básico e infraestrutura produtiva no campo.

Ele destacou o impacto estrutural da iniciativa para o desenvolvimento sustentável do semiárido cearense e informou que a operação conta com garantia da União.

— Na prática, a União dá garantia ao estado para o empréstimo internacional, mas o estado dá contragarantia à União. Se [o estado] não pagar o empréstimo internacional, a União retêm recursos do FPE e de outras fontes de transferência federal, retêm já na fonte. 

Cooperação internacional

O Projeto Paulo Freire II é resultado de cooperação entre o Governo do Ceará e a Espanha e envolve, além do financiamento internacional, contrapartidas do próprio estado e participação direta das comunidades beneficiadas. O modelo inclui o protagonismo de mulheres agricultoras, jovens rurais e comunidades tradicionais, com foco no desenvolvimento local sustentável.

De acordo com o relatório aprovado, a Secretaria do Tesouro Nacional classificou o estado do Ceará com nota “A” em capacidade de pagamento, além de atestar a regularidade fiscal necessária para a concessão da garantia da União. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional também confirmou a legalidade dos contratos.

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Condições 

O empréstimo autorizado tem prazo total de 300 meses, com 78 meses de carência e 222 meses para amortização. A taxa de juros é fixa de 3,5% ao ano, com pagamentos semestrais. O valor da contrapartida do estado será de 23 milhões de euros.

Os desembolsos estão previstos entre os anos de 2025 e 2030, com parcelas escalonadas ao longo do período. A operação prevê ainda atualização monetária pela variação cambial.

Banco Central 

Durante a discussão da matéria, o senador Cid Gomes argumentou que os estados e o próprio país, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), têm recorrido a empréstimos internacionais em razão das altas taxas de juros mantidas pelo Banco Central. Ele criticou o instituto da autonomia da instituição, disse que o BC não tem argumentos para manter a elevação dos juros diante de uma depreciação do dólar e de uma inflação. Para Cid, a inflação registrada no país foi criada de forma artificial, servindo de base para o índice da taxa básica de juros do Brasil, em 15% ao ano, o que tem impedido investimentos público e privados. 

— Então, o Brasil tem mais de U$ 350 bilhões em reservas cambiais, e desde o final do ano passado, o Banco Central começou a comprar dólar, com a reserva de U$ 350 bilhões começou a comprar mais dólar, o dólar subiu, o dólar subindo repercute na inflação, óbvio, porque o trigo é importado, porque o produto que exporta tem relação com o dólar (…). Então, o Banco Central artificialmente sobe o dólar, comprando dólar, aumentando as reservas cambiais, aumenta a inflação e isso justifica a elevação dos juros. Se estabiliza em três vezes a inflação. Uma inflação causada pelo dólar. 

A crítica à autonomia do BC foi rebatida pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), autor do projeto que gerou a lei de independência da instituição. Ele elogiou a atuação do órgão, disse que, graças à autonomia, a diretoria do BC não tem sofrido interferências políticas e ideológicas e que investigações de combate à criminalidades financeiras tem ocorrido em razão da autonomia. 

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— Graças à autonomia do Banco Central pudemos desvendar o escândalo do Banco Master. Isso é uma grande contribuição para o país. Se não fosse a autonomia do Banco Central, os sigilos teriam sido mantidos e o Banco Master não teria sido exposto com esse escândalo de bilhões. 

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), aproveitou para cobrar do presidente do BC, Gabriel Galípolo, o envio do acordo (termo de compromisso) firmado entre o BC e o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto, que permitiu o encerramento de um processo administrativo, aberto quando ele ainda presidia o banco. 

— Na oportunidade, eu falei para o presidente do Banco Central que se ele não mandar, se alegar problema de sigilo, nós vamos quebrar o sigilo na CPI do Crime Organizado. Porque esta comissão merece, claro, ter acesso a esse acordo de leniência assinado sem transparência nenhuma pela atual diretoria do Banco Central. 

Durante audiência com o presidente do BC na CAE, no final de novembro, Renan Calheiros chegou a afirmou que Roberto Campos Neto foi acusado de cometer diversas irregularidades quando era presidente do Santander, antes de assumir a presidência do BC. Ainda de acordo com o senador, Campos Neto “pagou R$ 300 mil para se livrar das responsabilidades desse esquema” e foi blindado pela diretoria do BC.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Senado aprova MP do financiamento de veículos para motoristas de aplicativo e taxistas

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O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (1º) a medida provisória que destina recursos para o financiamento de veículos a motoristas de transporte privado de passageiros — incluindo motoristas de aplicativo (motos ou carros), taxistas, cooperativas de taxistas e profissionais de transporte escolar.

A medida provisória (MP 1.366/2026) aprovada pelos senadores mantém a redação que passou ontem na Câmara dos Deputados. A única mudança é uma emenda de redação feita pelo relator da matéria, senador Giordano (Podemos-SP). Agora o texto segue para a sanção da Presidência da República.

Durante a tramitação na Câmara, o texto incorporou dispositivos de outra medida provisória, a MP 1.359/2026, que destina até R$ 30 bilhões para o financiamento da compra de veículos novos que respeitem critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica. O prazo de validade da MP 1.359/2026 termina no próximo dia 15.

A emenda de redação de Giordano fez com que o texto fizesse referência explícita à MP 1.359/2026.

Outra mudança feita na Câmara é a permissão para o financiamento de infraestrutura, equipamentos e renovação da frota do transporte urbano de passageiros ou cargas. O foco principal do governo ao editar a MP 1.366/2026 era a concessão de empréstimos para a compra de motos e motocicletas por entregadores de aplicativo.

A versão aprovada pelos deputados federais também incluiu novas regras para o Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis), além de incorporar medidas relacionadas ao transporte escolar, à acessibilidade, à transparência e às áreas de trânsito, habitação e indústria de baterias.

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Pagamento flexível

A Câmara também incluiu na MP 1.366/2026 a autorização para que os bancos adotem um sistema de pagamento flexível para as operações. Essa regra permite a cobrança de parcelas com valores diferentes no início e no final do financiamento, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito pelos trabalhadores.

O acesso à linha de crédito fica limitado a um veículo por motorista de transporte privado ou taxista e, no caso das cooperativas, a um veículo por cooperado. O texto também permite o financiamento do seguro do veículo e do seguro prestamista, desde que sejam contratados com o bem financiado.

Além disso, o texto permite o uso da linha de crédito para custear a adaptação de veículos para motoristas com deficiência e para a adaptação de táxis ao transporte de passageiros em cadeiras de rodas.

A medida provisória também trata do financiamento de itens de segurança para mulheres motoristas. Nesse sentido, atribui ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a competência para estabelecer taxas, prazos e carências com condições diferenciadas para mulheres.

Agentes financeiros

O texto determina que as linhas financiadas com recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) terão como agentes financeiros o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Essas instituições poderão habilitar outros agentes financeiros, públicos ou privados, desde que eles assumam os riscos das operações.

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As linhas financiadas com recursos do Fiis terão como agentes financeiros o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Essas instituições poderão habilitar outros agentes financeiros, públicos ou privados, desde que eles assumam os riscos das operações.

Durante a tramitação na Câmara, foi retirado do texto a referência explícita às fintechs, mas não foi proibida a participação dessas empresas como agentes habilitados.

Para aderir, os beneficiários deverão autorizar o compartilhamento das informações necessárias à verificação dos critérios de elegibilidade. No caso dos profissionais vinculados a aplicativos, as plataformas digitais serão responsáveis por fornecer os dados.

Transparência

O texto autoriza o uso de recursos do Fiis para financiar a renovação de frota e investimentos relacionados ao transporte urbano. Para reduzir os riscos das operações e ampliar a oferta de crédito, o arranjo prevê a cobertura de garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO) e do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI).

Pelo texto, os bancos divulgarão dados abertos com o número de operações, valores contratados, taxas praticadas e inadimplência, em observância à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O comitê gestor do Fiss deverá encaminhar ao Congresso Nacional um relatório anual de avaliação de impacto social, econômico e ambiental.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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