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Economia

Em manobra ‘suicida’, Caixa executa dívidas da Odebrecht e lança grupo à recuperação judicial

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Folhapress

BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Caixa Econômica Federal executou dívidas da Odebrecht como forma de pressionar a empresa a abrir negociação e oferecer garantias mais firmes que protejam o banco estatal caso o grupo entre em recuperação judicial.

O movimento, no entanto, foi visto pelos demais bancos credores e pela própria empresa como um manobra suicida, que jogou de vez o grupo na vala da recuperação judicial e deixará todos mais frágeis a partir de agora. Na Justiça, as negociações seguem o rito de uma lei própria e tudo é decidido pelo juiz.

As dívidas executadas pela Caixa estavam em atraso há mais de dois meses e se referem a empréstimos tomados para a construção da Arena Corinthians, em São Paulo, e o Centro Administrativo de Brasília, em Taguatinga (DF).

Nesta sexta-feira (14), ocorreu a primeira rodada de conversas depois das execuções. Pessoas que participaram das negociações afirmam que os representantes da Odebrecht se mostraram céticos em encontrar uma saída.

Por outro lado, os negociadores da Caixa acreditam que há mais espaço para que consigam levar ações da Braskem, a petroquímica do grupo que é o único ativo valioso. Para eles, foi uma forma de mostrar que o banco não está blefando e que, de fato, quer garantias melhores.

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A Caixa decidiu esticar a corda porque, os demais bancos credores, como Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, têm ações da petroquímica que dão proteção para boa parte dos empréstimos concedidos. No BB, por exemplo, além das provisões já realizadas para compensar perdas, pelo menos 40% da dívida está coberta pelas ações da Braskem.

Essas instituições estavam dispostas a renegociar as dívidas da Odebrecht, mas foram surpreendidas com o pedido de recuperação judicial da Atvos, braço de açúcar e álcool do grupo.

A Caixa e o Votorantim eram os bancos mais expostos ao grupo (sem ações da Braskem em garantia, por exemplo).

Sob nova gestão, a Caixa decidiu partir para uma estratégia agressiva. Outros bancos tentaram demover o presidente da instituição, Pedro Guimarães, mas foi inútil. Ele já tinha autorizado seus advogados a executarem as dívidas em atraso.

Somente em operações diretas e avais dados pelo controlador (a Odebrecht S.A.) aos bancos em operações de suas empresas controladas, como a Atvos, a dívida é de mais de R$ 20 bilhões: R$ 7 bilhões com a Caixa; R$ 7 bilhões com o Banco do Brasil; e R$ 6 bilhões com o BNDES.

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Informações vindas dos bancos apontam números menores: R$ 2,2 bilhões na Caixa; R$ 1,5 bilhão no FI-FGTS (que é gerido pela Caixa); e R$ 4 bilhões no BB.

No entanto, mesmo esses bancos não estão mais totalmente cobertos. Quando a holandesa LyondellBasel desistiu da aquisição da Braskem há duas semanas, o valor das ações despencou e as garantias deixaram de ser suficientes para todos.

Pessoas próximas ao processo duvidam que seja possível evitar, a essa altura, que a holding Odebrecht S. A peça uma trégua à Justiça. Argumentam que o caixa está acabando e que os funcionários precisam de uma proteção contra um eventual ataque de credores.

A companhia fez uma proposta de reestruturação da dívida aos bancos, que inclui um corte no valor da dívida e uma prorrogação do prazo de pagamento. Mas os cálculos só fazem sentido se o braço de construção da Odebrecht se recuperar e se for possível obter um bom dinheiro com a venda da Braskem, o que, segundo os envolvidos, parece pouco provável.

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Economia

Caixa reduz juros e anuncia R$ 33 bi em estímulos para economia

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A Caixa Econômica Federal reforçou, em R$ 33 bilhões, as linhas de crédito para enfrentar a crise provocada pelo coronavírus. O dinheiro se somará aos R$ 78 bilhões anunciados na semana passada, o que totalizará R$ 111 bilhões em recursos injetados.

Os R$ 33 bilhões adicionais serão destinados a linhas de capital de giro para empresas, que ganharam reforço de R$ 20 bilhões; para a compra de carteiras (R$ 10 bilhões); para o crédito a Santas Casas (R$ 2 bilhões) e para o crédito agrícola (R$ 1 bilhão).

A Caixa também cortou as taxas de juros do cheque especial para pessoa física, do parcelamento da fatura do cartão de crédito, de capital de giro, de empréstimos para hospitais, para o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e para o penhor. Os juros reduzidos entrarão em vigor em 1º de abril para o cheque especial e o cartão de crédito. Para os demais produtos, as taxas já estão em vigor.

Os juros do cheque especial passaram de 4,95% para 2,90% ao mês. As taxas do parcelamento da fatura do cartão caíram de 7,7% ao mês (em média) para juros a partir de 2,90% ao mês. Para o capital de giro, as taxas máximas passaram de 2,76% para 1,51% ao mês. As taxas do CDC caíram de 2,29% para 2,17% ao mês. Os juros do penhor foram cortados de 2,1% para 1,99% ao mês. Nas linhas de crédito para hospitais, as taxas passaram de 0,96% para 0,8% ao mês

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O período em que o cliente pode ficar sem pagar as parcelas passou de 60 para 90 dias. A medida abrange o crédito a pessoas físicas, a pessoas jurídicas, a hospitais e o crédito habitacional para pessoas físicas e empresas.

Estados e municípios

O banco reforçou o volume de empréstimos para estados e municípios. A medida abrange os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Financiamento à Infraestrutura e Saneamento Ambiental (Finisa). De 2 a 17 de março, a Caixa empestou R$ 3,35 bilhões a governos locais, em 246 operações com 195 tomadores. Ainda estão em estudo outras 324 operações, no total de R$ 1,81 bilhão.

Conforme a Medida Provisória 927, o banco suspendeu o recolhimento do FGTS pelos empregadores em março, abril e maio. Quem não recolher pode parcelar o valor em até seis vezes, tendo o certificado de regularidade do FGTS prorrogado por 90 dias. O empregador que precisar suspender o pagamento precisará declarar as informações dos trabalhadores no aplicativo Sefip.

Micro e pequenas empresas

A Caixa anunciou uma linha de capital de giro para manutenção da folha de pagamento das micro e pequenas empresas. O valor não foi divulgado. O banco firmou parcerias para ampliação de linhas de crédito e para o suporte a pequenos negócios por meio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A antecipação de recebíveis, quando o comerciante recebe adiantado o valor de compras com cartão de crédito, terá taxas reduzidas.

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