Brasil
DiDi/99: Silveira articula investimentos em eletromobilidade e cobra avanços na segurança de usuários e motoristas de aplicativos de mobilidade urbana
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se nesta segunda-feira (19/1), em Shangai, na China, com executivos da DiDi Global, controladora da 99 no Brasil, para discutir investimentos em eletromobilidade e cobrar melhorias na segurança para motoristas e usuários de plataformas de aplicativos, especialmente para as mulheres.
Silveira foi recebido por Jacky Chen, executivo responsável pela área de Desenvolvimento do Ecossistema Automotivo da plataforma DiDi. O encontro teve como eixo central a integração entre segurança, tecnologia digital, energia limpa e mobilidade urbana, visando à construção de um ambiente regulatório mais moderno, seguro e atrativo para investimentos no Brasil.
Durante a reunião, o ministro destacou a importância do aprimoramento do marco legal do transporte por aplicativo, de forma a garantir mais proteção aos usuários e motoristas, com atenção especial às mulheres, tanto no uso quanto na prestação do serviço. Segundo Silveira, a segurança é um elemento estruturante para o crescimento sustentável do setor e para a ampliação da confiança da sociedade nesse modelo de mobilidade.
O ministro de Minas e Energia do Brasil cobrou a implantação de tecnologias de filmagem, no modelo observado da china, com instalação de câmeras internas e externas que garantam maior segurança para os usuários e motoristas.
Alexandre Silveira informou ainda que irá se reunir com o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, para tratar das novas iniciativas legais voltadas ao setor. O objetivo é construir, de forma integrada, soluções normativas que ampliem a segurança, fortaleçam os mecanismos de prevenção e aprimorem a atuação do poder público em parceria com as plataformas digitais.
No encontro com executivos da DiDi Global, o ministro também apresentou a matriz elétrica brasileira, composta por cerca de 90% de fontes limpas e renováveis, destacando a abundância de energia. Alexandre Silveira evidenciou, ainda, o elevado potencial de crescimento e a robustez do sistema elétrico nacional, fatores que colocam o Brasil em posição estratégica para a expansão da eletromobilidade e para a atração de investimentos sustentáveis no setor de transportes.
“O Brasil reúne condições únicas para liderar a transição para a mobilidade elétrica. Temos uma matriz elétrica limpa, renovável e robusta, com abundância de energia e grande potencial de crescimento, o que nos permite avançar com segurança, competitividade e sustentabilidade”, destacou Silveira.
Segundo informações de mercado, a DiDi deve investir cerca de R$ 10 bilhões no Brasil nos próximos anos, considerando a aquisição da 99, investimentos em delivery e programas estruturados de apoio a entregadores e eletromobilidade.
Eletromobilidade
Ainda na reunião desta segunda-feira (19/1), o ministro Alexandre Silveira anunciou a iniciativa do governo brasileiro de criar uma área específica, no âmbito do Ministério de Minas e Energia (MME), dedicada à agenda da eletromobilidade, com foco na articulação de políticas públicas, no aperfeiçoamento do ambiente regulatório e no estímulo a investimentos em veículos elétricos, infraestrutura de recarga e inovação tecnológica aplicada ao transporte urbano.
Silveira ressaltou também o trabalho do Governo do Brasil para reduzir o custo da energia elétrica, por meio do uso de soluções de armazenamento em baterias, consideradas estratégicas para a estabilização do sistema elétrico e para o melhor aproveitamento da geração renovável, especialmente das fontes solar e eólica no Nordeste, região de elevada abundância energética.
O ministro defendeu, ainda, a implantação de eletropostos com tarifas diferenciadas, mais baixas em horários de maior oferta de energia. A ideia é estimular o carregamento inteligente de veículos elétricos, aumentar a eficiência do sistema e reduzir custos para usuários e operadores.
Ao tratar da expansão da eletromobilidade no país, Alexandre Silveira destacou a importância do acesso à tecnologia de ponta e ao financiamento de bancos chineses, considerados instrumentos estratégicos para acelerar a implementação da eletromobilidade nacional, ampliar a escala dos projetos e reduzir os custos de investimento.
Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
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Brasil
“A redução da jornada leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, diz Luiz Marinho no Senado
O Senado Federal realizou, nesta quarta-feira (1º), sessão temática para debater os impactos sociais e econômicos da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019), que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 no país.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou dos debates a convite da mesa, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Também participaram da sessão o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira; além de outros representantes do governo, lideranças sindicais, representantes de entidades de empregadores e trabalhadores e da sociedade civil.
Luiz Marinho ressaltou que o debate sobre a redução de jornada surgiu a partir de uma demanda da sociedade, especialmente das mulheres e da juventude. Ele chamou atenção para estudos e experiências de empresas que apontam aumento da produtividade e redução das taxas de absenteísmo após a diminuição da jornada de trabalho.
“Algumas empresas relatam que reduziram a jornada de 6×1 para 5×2 e verificaram melhorias de produtividade, preencheram as vagas que precisavam e zeraram o absenteísmo. A redução da jornada de 44 para 40 horas, com duas folgas na semana, leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, explicou.
O ministro citou estudos, como o realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. “Nessas 19 empresas que experimentaram a redução de jornada, o estudo da FGV mostra que 72% delas aumentaram sua receita, sua produtividade e seu resultado econômico efetivo. Em 44% delas, houve melhora no cumprimento de prazos operacionais e no fluxo de trabalho, levando a um processo de melhoria. É isso que os estudos estão mostrando”, disse.
Com base nos dados do eSocial — sistema do MTE que reúne mensalmente informações das empresas —, o ministro explicou que o impacto estimado nos custos é variável, entre 1,6% e 10%. “Não estamos falando de um impacto proibitivo, que não possa ser suportado pelas empresas brasileiras. São dados reais e concretos”, afirmou.
Luiz Marinho ressaltou ainda que, quando foi discutido o aumento da licença-maternidade, houve argumentos de que a medida poderia gerar impactos negativos no mercado de trabalho feminino. “Ao longo do tempo, vimos que a licença-maternidade não gerou o impacto relatado. O que assistimos foi o contrário: houve impacto positivo. Hoje temos mais mulheres no mercado de trabalho. Falas catastróficas não fazem frente à realidade”, informou.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, ressaltou que “não é verdade que ganhos reais para os trabalhadores, seja no âmbito salarial ou da redução de jornada, impactem em custos para a economia. Esse não é um debate só econômico, é um debate humano. A redução da jornada é uma demanda da sociedade brasileira”.
Em sua fala, o ministro Paulo Henrique Pereira destacou que mais da metade (51%) dos microempreendedores consideram a medida positiva. “Tivemos crescimento de produtividade nos últimos anos e a economia brasileira, com a menor taxa de desemprego e a menor inflação da história, dá sinais de que é capaz de assumir um custo como esse”, afirmou.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, reforçou que o governo é favorável à proposta e defendeu o diálogo. Segundo ela, “se olharmos a história das relações de trabalho, os avanços sociais nunca significaram colapsos”. A senadora criticou aqueles que são contra a discussão em ano eleitoral.
“O tempo político muitas vezes não combina com o calendário. Vamos fazer o debate com a complexidade que o tema exige, mas também com os dados que nos inspiram, assim como foi na CLT, na Constituição que reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais, na licença-maternidade ou na licença-paternidade”, ressaltou.
Adaptação
Representantes do setor produtivo defenderam, principalmente, um período maior de transição para adaptação às novas regras.
Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, “vocês nunca ouviram de nenhum setor produtivo que somos contra a 6×1 ou a redução de jornada, mas sim quanto à forma como ela deve ser feita. Estamos discutindo a forma, não o conceito”.
As centrais sindicais reforçaram o apoio à redução da jornada sem corte de salários. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Antônio Neto, ressaltou que o Brasil está há 38 anos sem promover constitucionalmente a redução da jornada.
“E aqui se confunde muito redução de jornada e escala de trabalho. São duas coisas distintas”, frisou.
Para o presidente da CTB, a PEC prevê exatamente isso: a redução da jornada de trabalho, a garantia de dois dias de descanso e a possibilidade de que as negociações coletivas estabeleçam diferentes formatos de escala.
“Desde 1988, a economia e a tecnologia avançaram, a automação reorganizou processos produtivos, a inteligência artificial já redefine setores inteiros, os ganhos se multiplicaram e o lucro encontrou formas mais sofisticadas de expansão. O que não avançou foi a disposição de parte da elite econômica em compartilhar esses ganhos com quem produz a riqueza nacional, o trabalhador brasileiro”, avaliou.
A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio deste ano e está em análise pelos senadores. Se aprovada pelo Senado, a proposta seguirá para sanção presidencial. O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário, com garantia de ao menos duas folgas semanais e prazo de até 14 meses após a promulgação para entrar em vigor.
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