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Cumprimento das Metas do RenovaBio Aumenta em 2025, mas Estoques Elevados Mantêm Pressão nos Preços dos CBios

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Avanço no Cumprimento das Metas do RenovaBio

O mercado de créditos de descarbonização (CBios) encerrou 2025 com avanço no cumprimento das metas do programa RenovaBio, segundo dados da Consultoria Agro do Itaú BBA. Foram aposentados 40,06 milhões de CBios, além de 180 mil créditos antecipados, o que representa 82% de cumprimento das metas, acima dos 77% registrados em 2024.

Mesmo com a melhora, o volume de 9,11 milhões de CBios não aposentados superou as expectativas do mercado, que previa inadimplência de cerca de 7,4 milhões. A elevação das metas individualizadas — que passaram de 46,83 milhões para 49,36 milhões — e a entrada em vigor da “Lei dos CBios”, com regras mais rigorosas para distribuidoras, criaram uma expectativa de resultado ainda melhor.

Estoques Acumulados Indicam Pressão no Mercado

O total de CBios gerados em 2025 foi de 43,17 milhões, um pouco acima da projeção inicial de 42,6 milhões. Com isso, o estoque final atingiu 19,5 milhões de títulos, acima dos 17,1 milhões esperados e também dos 16,4 milhões registrados no fim de 2024.

Esse aumento sinaliza que os volumes emitidos superaram as aposentadorias, criando um excedente que pode pressionar os preços dos CBios em 2026. O Itaú BBA ressalta que a expectativa de crescimento da produção de etanol neste ano deve manter os valores sob influência de maior oferta.

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Para reverter esse cenário, o relatório aponta dois caminhos: redução da inadimplência, com mais rigor na fiscalização e solução de disputas judiciais, ou revisão das metas de descarbonização, considerando o aumento da mistura de combustíveis fósseis e novos compromissos de médio prazo.

Preços dos CBios Caem, Mas Reagem no Fim do Ano

Em dezembro de 2025, os preços dos CBios atingiram mínimas de R$ 25,00, mas se recuperaram nos últimos dias do mês, fechando a R$ 38,90 na B3. O movimento representou alta de 19,7% em dezembro, mas ainda 29% abaixo da média anual.

A média do preço em 2025 ficou em R$ 54,70 por crédito, queda de 32% frente ao ano anterior. Mesmo assim, a liquidez aumentou: foram negociados 11,39 milhões de CBios em dezembro, 49% a mais que em novembro e 81% acima do mesmo mês de 2024. No total do ano, as negociações chegaram a 89,2 milhões de títulos, ligeiramente acima de 2024.

Emissões em Alta e Estoques Distribuídos

O volume de CBios emitidos em dezembro foi de 3,82 milhões, 9% superior ao mês anterior e 7% maior que em dezembro de 2024. No acumulado do ano, as emissões cresceram 2%, confirmando a tendência de ampliação do mercado.

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Ao fim de 2025, o balanço indicava 19,5 milhões de CBios disponíveis. As distribuidoras obrigadas detinham 5,47 milhões, os emissores (usinas e produtores de biocombustíveis) 13,92 milhões, e investidores não obrigados, como instituições financeiras, cerca de 108 mil contratos.

Expectativas para 2026

O Itaú BBA aponta que o mercado de CBios entra em 2026 com desafios estruturais. Embora o desempenho de 2025 tenha mostrado avanços, a sobragem de créditos e o ritmo ainda moderado de aposentadorias podem manter os preços em níveis baixos no curto prazo.

O banco reforça a necessidade de ajustes regulatórios e revisão das metas do RenovaBio, de modo a equilibrar oferta e demanda e garantir previsibilidade aos agentes do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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