Brasil
COP30, proteção de crianças, mulheres e cooperação: confira o balanço de 2025 da Secretaria Executiva do MTur
O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a Secretaria Executiva do Ministério do Turismo, sob a liderança de Ana Carla Lopes. Da participação histórica na COP30, que consolidou o protagonismo do Brasil na pauta do turismo sustentável, às articulações internacionais que garantiram avanços inéditos no G20, nos BRICS e na Assembleia Geral da ONU Turismo, o período reforçou o lugar do país como referência global em inovação, cooperação e desenvolvimento do setor.
A agenda do ano também esteve fortemente voltada para a proteção de crianças e adolescentes, com o II Encontro de Turismo Responsável e o fortalecimento do Movimento Turismo que Protege, além de iniciativas de acolhimento às mulheres viajantes e ações de integração regional, como o lançamento da Rota Turística do Futebol do Mercosul.
Em entrevista à Agência de Notícias do Turismo, a secretária-executiva Ana Carla Lopes detalha as conquistas que marcaram 2025 e aponta os caminhos que preparam o Brasil para uma atuação ainda mais ambiciosa em 2026. Confira!
1. Este ano, um dos grandes destaques sob a sua coordenação foi a participação do Ministério do Turismo na COP30. Qual balanço a senhora faz desse grande evento e qual legado a COP30 deixará para o turismo, especialmente na Amazônia?
Encerramos o ano com muita alegria por termos participado ativamente da COP30, um evento que certamente deixa um legado estruturante para o turismo brasileiro, especialmente para a Amazônia. Coordenamos um Grupo de Trabalho extremamente efetivo, que atuou em vários eixos – desde a qualificação profissional até ações simbólicas e educativas. Um dos destaques foi a participação dos alunos formados pela Escola Nacional do Turismo, que atuaram como monitores guiando delegações e visitantes pelas ruas de Belém (PA) em um city tour realizado por meio de ônibus panorâmico. Além disso, estivemos presentes em debates fundamentais tanto na Blue Zone quanto na Green Zone.
Tivemos ainda o estande “Conheça o Brasil”, que reuniu diversos atores em discussões estratégicas. Foi uma participação robusta, madura e integrada, que reforça a importância do turismo sustentável e posiciona o Brasil como protagonista global nessa agenda. O legado que fica é de articulação, inovação e fortalecimento da capacidade institucional para promover um turismo que valoriza a sociobiodiversidade amazônica e prepara o país para novas oportunidades em 2026.
2. A senhora participou de agendas internacionais importantes ao longo do ano. Quais avanços podemos destacar dessas participações, especialmente no âmbito dos BRICS, G20 e Assembleia Geral da ONU Turismo?
Este foi um ano de avanços expressivos no cenário internacional. No G20, alcançamos um marco histórico: pela primeira vez, o turismo foi incluído na declaração final, no artigo 116, que dedicou um parágrafo exclusivo ao fortalecimento do setor. O texto aprovado — fruto do consenso construído na reunião ministerial de Mpumalanga — reafirma o forte apoio dos líderes à inovação e ao investimento no turismo, com ênfase na ampliação da conectividade aérea, abertura de novas rotas, expansão de mercados, segurança na aviação e coordenação política para garantir uma concorrência justa no setor.
No âmbito dos BRICS, sediamos um encontro robusto no Brasil, reunindo os países membros e também nações convidadas, o que fortaleceu nossa cooperação em turismo e abriu caminhos para novas parcerias. Também destaco nossa participação na Assembleia Geral da ONU Turismo, um espaço que reforçou o posicionamento global do Brasil e ampliou nossa capacidade de diálogo multilateral. Durante o evento, foi aprovada a Declaração de Riade, que orienta o uso de sistemas de Inteligência Artificial (IA) de forma segura, protegida e confiável para impulsionar o desenvolvimento sustentável. Todas essas ações demonstram que o Brasil voltou a ocupar seu papel no mundo e que estamos transformando diplomacia em resultados concretos para o setor.
3. O II Encontro de Turismo Responsável, com foco no combate à exploação sexual de crianças e adolescentes, também foi coordenado pela Secretaria Executiva. Quais impactos essa agenda – incluindo o Movimento Turismo que Protege – traz para o turismo brasileiro?
O II Encontro de Turismo Responsável foi um momento muito significativo. Recebemos aqui no Brasil o GARA – um grupo internacional composto por 16 países dedicado ao enfrentamento e prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo – e conseguimos dar visibilidade a essa agenda tão fundamental. A partir desse movimento, ampliamos ações e firmamos compromissos importantes, incluindo o lançamento do Movimento Turismo que Protege, que inclusive recebeu um prêmio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) por ser uma iniciativa inovadora. É uma pauta que nos emociona e que reforça a importância de um turismo que seja ético, seguro e comprometido com a proteção das crianças e adolescentes. Esse trabalho terá continuidade e se fortalece como um dos grandes legados de 2025.
4. Neste ano, a pauta de experiências mais seguras e acolhedoras para as mulheres ganhou força, com o lançamento do guia “Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres” e o desenvolvimento de uma outra publicação para mulheres viajantes solo. O que motivou essas ações e como a senhora avalia o impacto dessas iniciativas para 2026?
Essa pauta nasce da constatação de que as mulheres estão viajando cada vez mais e que o setor precisa estar preparado para acolher essas viajantes com segurança, respeito e qualidade. Em parceria com a UNESCO, lançamos o guia “Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres”, que já está disponível no site, e estamos finalizando o guia para mulheres que viajam solo, que será lançado em breve. São ações que refletem nosso compromisso com um turismo mais inclusivo e que dialoga com novas tendências de comportamento. Para 2026, esperamos que essas iniciativas consolidem uma rede de acolhimento feminino no turismo, contribuindo para ambientes mais seguros e ampliando oportunidades de viagem e lazer para mulheres de todo o Brasil.
5. Uma novidade de grande destaque foi o lançamento da Rota Turística do Futebol do Mercosul. Como ela contribui para a integração e o fortalecimento do turismo nos países do bloco?
A Rota Turística do Futebol é um dos projetos que mais refletem o espírito de integração regional. Lançar uma rota sul-americana do futebol enquanto presidimos o Mercosul é motivo de muita alegria. O futebol é um elemento cultural poderoso na nossa região, e transformar essa paixão em experiências turísticas é uma forma de gerar desenvolvimento, promover intercâmbio e fortalecer os vínculos entre os países. A rota valoriza estádios, museus, histórias e símbolos que nos conectam como povos, impulsionando a economia criativa e reforçando a cooperação internacional em torno do turismo.
6. Para encerrar: que mensagem a senhora deixa para os servidores, gestores e parceiros do Ministério do Turismo?
Encerramos com o coração cheio de gratidão e entusiasmo. Foi um ano de muita responsabilidade, muitos sonhos realizados, muitas metas cumpridas – mas também de consciência de que ainda podemos e vamos fazer muito mais. Sou profundamente grata aos servidores, colaboradores, estagiários e parceiros do Ministério do Turismo que estiveram engajados em cada entrega. Nada disso seria possível sem esse comprometimento coletivo. Em 2026, temos uma trajetória ainda mais ambiciosa pela frente. É uma alegria enorme estar aqui, ver as coisas acontecerem e contribuir para que continuem acontecendo. Seguimos juntos, com energia e trabalho – porque o turismo brasileiro merece e porque o Brasil pode ainda mais.
Por Lívia Albernaz
Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
Brasil
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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