Agro
Conflito no Oriente Médio e desafios globais influenciam cenário das exportações de carne bovina brasileira em 2026
Setor reage à guerra no Oriente Médio e à logística global
Exportadores brasileiros estão atentos aos efeitos do conflito no Oriente Médio na cadeia logística internacional, que pode impactar rotas de transporte e custos de frete. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, já havia manifestado preocupação com um possível prolongamento do conflito, que envolve países como Irã e Israel, e sua relação com a circulação de cargas marítimas no estreito de Ormuz — trecho estratégico para navios que partem do Brasil rumo à Ásia.
Desempenho das exportações brasileiras em 2026
Apesar dos riscos geopolíticos, as exportações de carne bovina brasileira iniciaram 2026 em ritmo forte. Segundo dados compilados pela Abiec com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil registrou em janeiro embarques recordes para o mês, totalizando US$ 1,4 bilhão em receitas e 264 mil toneladas de carne bovina exportada, crescimento de mais de 26 % em volume na comparação com o mesmo mês de 2025. A Associação Brasileira de Frigoríficos também registrou esse desempenho positivo, destacando que os volumes embarcados cresceram 16,4 % no início do ano.
A China segue como principal destino, respondendo por quase metade do valor e volume exportados em janeiro, reforçando sua importância para o agronegócio brasileiro.
Panorama 2026: projeções e desafios à frente
Para 2026, a Abiec projeta que as exportações brasileiras de carne bovina devem se manter estáveis, entre 3,3 e 3,5 milhões de toneladas, cifra semelhante ao recorde de 2025, mesmo diante de desafios como medidas comerciais adotadas por mercados importantes. Essa expectativa inclui a possibilidade de direcionar volumes a novos destinos ou fortalecer presença em mercados como Vietnã e Japão, além de negociações em andamento com outras economias da região Ásia-Pacífico.
Impacto das medidas comerciais na China
No fim de 2025, o governo da China implementou medidas de salvaguarda que estabelecem cotas máximas para importações de carne bovina isentas de tarifas adicionais. Acima desses limites, as cargas estão sujeitas a uma sobretaxa de 55 %, o que pode dificultar ou inviabilizar negociações em certos volumes. Segundo estimativas da Abrafrigo, tais mudanças podem representar até US$ 3 bilhões em impacto sobre a receita das exportações brasileiras em 2026 caso as cotas limitem significativamente os volumes embarcados ao mercado chinês.
Cenário global e logística afetada pela guerra
Analistas do setor apontam que, embora o Brasil não dependa diretamente de importações via Oriente Médio em grande escala, o conflito tem efeito indireto sobre fretes internacionais, seguros e custos logísticos, o que pode refletir nos preços e na competitividade do produto brasileiro no exterior. A incerteza sobre rotas de transporte marítimo e possíveis aumentos de custo de frete são fatores que as indústrias acompanham de perto.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Na Agrishow, Governo do Brasil lança crédito para máquinas agrícolas e reforça apoio ao setor produtivo
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou, neste domingo (25), ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, da abertura oficial da 31ª edição da principal feira de tecnologia agrícola do país, a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
O vice-presidente ressaltou a importância da Agrishow para o desenvolvimento do setor e anunciou medidas voltadas ao financiamento e à modernização do agro. “Hoje, uma das maiores Agrishows do mundo é aqui, em Ribeirão Preto. Como cresceu”, afirmou Geraldo Alckmin.
Na oportunidade, o ministro André de Paula destacou que a feira é um espaço que simboliza o que o Brasil tem de melhor: a capacidade de produzir, inovar, gerar renda e alimentar o país e o mundo.
“Ribeirão Preto é reconhecida como a capital brasileira do agronegócio, consolidando-se como um dos principais polos agroindustriais do país. A região reúne alta produtividade, inovação e integração entre produção e indústria, sendo referência nacional. Simboliza o Brasil que produz energia limpa, alimento e desenvolvimento. Trata-se de uma das regiões com maior concentração de produção de açúcar e etanol do mundo, estratégica para a transição energética”, evidenciou o ministro.
Na abertura, também ocorreu o lançamento da nova modalidade do MOVE Brasil, voltada para máquinas e implementos agrícolas, com a disponibilização de R$ 10 bilhões em crédito. “O governo está liberando recursos para o setor de máquinas. Serão R$ 10 bilhões, com juros bem mais baixos, para financiar tratores, implementos e colheitadeiras, fortalecendo a modernização do campo”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A iniciativa dá continuidade ao sucesso da primeira etapa do programa, voltada ao setor de caminhões, cujos recursos foram integralmente utilizados em cerca de 90 dias, evidenciando a alta demanda por crédito no segmento. Nesta nova fase, denominada Move Agricultura, os financiamentos contarão com taxas de juros em patamar de um dígito e serão operacionalizados por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com participação do Banco do Brasil, cooperativas e instituições financeiras privadas.
Além disso, o vice-presidente também destacou outras medidas voltadas ao fortalecimento do setor produtivo, como a disponibilização de R$ 15 bilhões por meio do programa Brasil Soberano, direcionado a segmentos impactados no comércio exterior, e mais R$ 10 bilhões para financiamento de bens de capital. Segundo ele, o conjunto de ações amplia o acesso ao crédito e contribui para a modernização da produção, o aumento da competitividade e o estímulo à indústria de máquinas e equipamentos no país.
APOIO AOS PRODUTORES RURAIS
O deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim, reforçou a importância do alinhamento entre o setor produtivo e o governo federal. “Nós precisamos de um projeto de renegociação das dívidas para que o produtor possa retomar a sua produção e restabelecer a sua capacidade produtiva. Isso é indispensável”, disse. Ainda, evidenciou o papel do diálogo contínuo entre o Mapa e a FPA na construção de soluções para o fortalecimento do agro brasileiro.
Sobre o tema, o ministro André de Paula salientou o compromisso de ampliar ainda mais a pujança do setor, por meio da redução de taxas, da aprovação dos projetos de lei do Seguro Rural e da renegociação de dívidas rurais no país, que tramitam no Congresso Nacional.
“Primeiro, buscamos um novo recorde no nosso Plano Safra, mas com a consciência de que, mais importante do que assegurar um valor expressivo de recursos, é conseguir trabalhar com uma taxa compatível, que viabilize o acesso dos nossos produtores a esses recursos. Quero, com o apoio de todos, aprovar o projeto de lei do seguro rural, porque esse é um instrumento essencial para dar segurança ao produtor. Também estamos envolvidos nos esforços para aprovar uma nova proposta de renegociação de títulos rurais no país, garantindo fôlego e previsibilidade para o setor”, afirmou o ministro.
É compromisso do Governo Federal buscar soluções definitivas para os produtores rurais, conforme complementou Geraldo Alckmin. “Para quem está inadimplente e também para quem está adimplente, em ambos os casos haverá empenho na renegociação das dívidas. De outro lado, destaco a questão do seguro rural. É evidente que as mudanças climáticas criam uma insegurança muito maior. Há, sim, necessidade de integração e apoio, dentro do rigor fiscal que o governo precisa ter, para melhorarmos o seguro rural”, acrescentou.
O ministro André de Paula reforçou a importância da parceria institucional e da abertura ao diálogo com o setor produtivo. “Sei que o sucesso que possamos alcançar depende muito da parceria e da capacidade de estabelecer diálogo com as associações, entidades e parlamentares”, disse.
Ele também destacou a relevância estratégica do agro para o país. “Sobre a minha responsabilidade recaiu liderar um setor que é orgulho do Brasil, responsável por 25% do nosso PIB e por 49% da pauta de exportações do país”, concluiu.
AGRISHOW
Uma das principais feiras do agronegócio da América Latina, a Agrishow ocorre anualmente em Ribeirão Preto (SP) e reúne produtores rurais, empresas de máquinas e equipamentos, fornecedores de insumos, startups e instituições do setor para apresentar novidades, fechar negócios e discutir tendências do agro. É vista como uma grande vitrine de inovação para o campo, onde são lançados tratores, colheitadeiras, sistemas de irrigação, soluções de agricultura de precisão, armazenagem, conectividade e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e da eficiência.
O presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, destacou que a feira representa mais do que inovação tecnológica, sendo também um símbolo da força e da resiliência do setor. “O mundo espera que o Brasil aumente a oferta de alimentos em 40% até 2050. Isso não é apenas uma pressão, é uma oportunidade soberana”, disse.
Além disso, reforçou que a edição de 2026 da feira demonstra a confiança do produtor no futuro e a capacidade do setor de aliar tecnologia, sustentabilidade e produtividade.
Em 2025, a feira recebeu cerca de 197 mil visitantes e movimentou R$ 14,6 bilhões em negócios.
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