Agro
Cobrança de royalties será discutida na Câmara após reação de produtores
A cobrança de royalties sobre sementes de soja voltou ao centro do debate no agronegócio, com desdobramentos simultâneos no Legislativo e no Judiciário. A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados marcou para 8 de abril uma audiência pública para discutir o modelo de cobrança, enquanto produtores do Rio Grande do Sul obtiveram decisão liminar suspendendo o pagamento em casos específicos.
A audiência deve abordar, entre outros pontos, o uso de sementes salvas — prática tradicional no campo — e os critérios de cobrança de tecnologias embarcadas nas variedades de soja. O tema tem gerado crescente tensão entre produtores e empresas detentoras de biotecnologia, especialmente em relação à forma de aplicação dos royalties.
No Rio Grande do Sul, três produtores rurais conseguiram na Justiça, em decisão da comarca de São Vicente do Sul, a suspensão da cobrança no modelo atual até julgamento do mérito. A medida vale apenas para os autores da ação e ainda pode ser revertida em instâncias superiores.
O questionamento não recai sobre a existência dos royalties, mas sobre sua aplicação prática. Segundo a defesa dos produtores, o modelo atual prevê desconto automático de cerca de 7,5% no momento da entrega da produção — prática conhecida como cobrança na moega —, mesmo em casos em que não houve adesão prévia ao sistema de certificação da tecnologia.
Outro ponto central da contestação é o método de identificação da biotecnologia nos grãos. Os produtores alegam que os testes realizados não diferenciam as gerações tecnológicas, o que pode levar à cobrança indevida sobre materiais cuja patente já expirou, como no caso das primeiras gerações de soja transgênica.
A Bayer, detentora de tecnologias amplamente utilizadas no cultivo da oleaginosa, informou que irá recorrer da decisão assim que for formalmente notificada. A empresa sustenta que não há, até o momento, determinação judicial que obrigue mudanças no modelo de cobrança, especialmente em relação à tecnologia Intacta, uma das mais difundidas no País.
O debate também mobiliza entidades do setor no Estado. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul manifestou posição contrária ao modelo atual, apontando falta de flexibilidade por parte das empresas. Já a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul informou que há ao menos três frentes judiciais em andamento contra a cobrança considerada abusiva, além da avaliação de novas ações, incluindo questionamentos sobre a chamada “multa na moega”.
A discussão ocorre em um momento de pressão sobre os custos de produção e tende a ganhar dimensão nacional. Para produtores, a falta de transparência na cobrança e a ausência de critérios mais claros aumentam a insegurança jurídica. Já as empresas defendem a necessidade de remuneração das tecnologias, consideradas essenciais para ganhos de produtividade no campo.
Com a audiência marcada na Câmara, a expectativa é de que o tema avance para um debate mais amplo, envolvendo regras para uso de sementes, propriedade intelectual e equilíbrio entre inovação e custo de produção — pontos sensíveis para a competitividade da soja brasileira.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Vacinação de precisão melhora bem-estar das aves, aumenta produtividade e reduz prejuízos na avicultura
A vacinação é uma das principais ferramentas para garantir a sanidade dos plantéis avícolas, mas sua eficiência depende muito mais do que da qualidade dos imunizantes. A forma como o procedimento é realizado influencia diretamente o bem-estar das aves, os índices produtivos e a rentabilidade das granjas.
Segundo o médico-veterinário Filipe Dalla Costa, coordenador técnico de Bem-Estar Animal da MSD Saúde Animal, a vacinação deve ser conduzida com precisão técnica e manejo adequado para evitar estresse, lesões e perdas de desempenho.
De acordo com o especialista, uma operação eficiente considera três pilares fundamentais: ambiente preparado, interação adequada entre pessoas e animais e respeito aos cinco domínios do bem-estar animal — alimentação, saúde, conforto, comportamento e estado mental.
“As aves são, por natureza, animais de presa e interpretam a contenção física como uma ameaça. Quando esse manejo ocorre de forma brusca ou por equipes sem treinamento, o estresse pode ser intenso, provocando hipertermia e outras reações que comprometem o desempenho do lote”, explica.
Falhas na vacinação comprometem produtividade e aumentam prejuízos
Erros durante a aplicação das vacinas podem transformar um procedimento preventivo em um fator de risco para a produção.
Entre as falhas mais comuns estão a aplicação em locais anatômicos inadequados, profundidade incorreta da agulha, utilização de materiais danificados ou contaminados, além de problemas relacionados à dosagem e à diluição das vacinas.
Esses erros costumam provocar sinais clínicos facilmente observados nas aves, como dificuldade de locomoção, inchaços na região da aplicação, redução do consumo de ração e água e queda no desempenho produtivo.
Além de comprometer a resposta imunológica, o estresse provocado pelo manejo inadequado reduz o ganho de peso, prejudica a uniformidade dos lotes e pode comprometer auditorias relacionadas aos protocolos de bem-estar animal, cada vez mais exigidos pelo mercado nacional e internacional.
Capacitação das equipes é decisiva para o sucesso da imunização
Para minimizar riscos, a recomendação é investir continuamente na capacitação das equipes responsáveis pela vacinação.
Segundo Filipe Dalla Costa, profissionais treinados realizam a contenção das aves de forma mais rápida e segura, reduzem o tempo de manejo, evitam movimentos bruscos e respeitam os locais anatômicos indicados para cada tipo de vacina.
O especialista também destaca que um planejamento adequado da operação reduz a fadiga dos colaboradores, melhora a segurança do trabalho e garante maior eficiência durante todo o processo.
“Quando a vacinação é realizada corretamente, as aves retornam rapidamente ao comportamento normal. Dessa forma, o investimento em sanidade se converte efetivamente em produtividade e sustentabilidade para a atividade”, afirma.
Bem-estar animal fortalece a competitividade da avicultura
A adoção de boas práticas de vacinação contribui para que as aves desenvolvam uma resposta imunológica eficiente sem desviar energia metabólica necessária para o crescimento ou para a produção de ovos.
Na avaliação do especialista, investir em bem-estar animal deixou de ser apenas uma exigência de mercado e passou a representar uma estratégia econômica para aumentar a eficiência produtiva.
“Alinhar as boas práticas de vacinação ao bem-estar animal é garantir que todo o potencial produtivo do lote seja alcançado, reduzindo perdas econômicas e entregando um produto final de elevada qualidade ao mercado”, ressalta.
Tecnologia torna vacinação mais segura e sustentável
A evolução tecnológica também vem contribuindo para aperfeiçoar os processos de vacinação na avicultura. Entre as inovações disponíveis está a tecnologia Sphereon®, desenvolvida pela MSD Saúde Animal.
O sistema utiliza vacinas armazenadas em pequenos recipientes de alumínio totalmente recicláveis, substituindo os tradicionais frascos de vidro. Além de facilitar o manuseio e acelerar a diluição do produto, a tecnologia proporciona maior uniformidade na aplicação, reduz riscos de contaminação e diminui significativamente a geração de resíduos nas propriedades.
Disponível no mercado brasileiro desde 2021, a solução também integra ações de sustentabilidade. Por meio de uma parceria com a organização WeForest, a comercialização das vacinas Sphereon® contribui para projetos de reflorestamento.
No Brasil, a iniciativa já possibilitou o plantio de mais de 16 mil árvores nos estados de São Paulo e Amazonas, reforçando o compromisso da cadeia avícola com a produção sustentável e a preservação ambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
-
Educação7 dias agoPND: 58 municípios de Pernambuco aderiram ao exame
-
Agro5 dias agoPlano Safra 2026/27 será lançado terça e deve ficar entre R$ 570 e R$ 652 bi
-
Política Nacional6 dias agoUso responsável do plástico favorece desenvolvimento, afirmam debatedores
-
Brasil6 dias agoEmprego formal alcança 57,2% dos jovens ocupados no Brasil, aponta estudo do MTE
-
Educação7 dias agoPrazo para preencher Diagnóstico Equidade 2026 acaba em 30/6
-
Brasil5 dias agoMinistério da Saúde inaugura primeira UTI inteligente do SUS no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ)
-
Educação6 dias agoMEC lança curso de IA para professores do ensino fundamental
-
Educação7 dias agoPND: 60 municípios do Rio de Janeiro aderiram ao exame
