Brasil
CMSE destaca excelente desempenho do sistema elétrico em 2025 e apresenta previsão para 2026
O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou, nesta quarta-feira (3/12), a 313ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) que destacou o ótimo desempenho do sistema elétrico brasileiro ao longo de 2025, garantindo a segurança eletroenergética para toda a população brasileira. O colegiado também apresentou a previsão para 2026.
Durante a reunião, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou as propostas de curvas de referência de armazenamento (CRef) para 2026 – ferramenta que auxilia na tomada de decisão do Comitê quanto à necessidade de adoção ou permanência de medidas adicionais para garantir o atendimento energético no país. A metodologia utilizada na construção da CRef foi a mesma utilizada em 2025, culminando com sua aprovação pelo CMSE.
O colegiado aprovou a metodologia apresentada pelo ONS para a caracterização de excedente energético, previsto na Portaria MME nº 115/2025, que estabelece diretrizes para o uso de geração inflexível de Usinas Termelétricas (UTE). A rotina operacional proposta para o aceite das ofertas de redução de inflexibilidade de UTE, associada a Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEAR), visam priorizar a segurança eletroenergética do Sistema Interligado Nacional (SIN), não causar aumento de custos para o setor elétrico brasileiro e não impactar o armazenamento dos reservatórios.
Em cumprimento à Resolução CMSE nº 1/2025, que estabelece ritos e prazos próprios para avaliar e aprovar alterações no nível de aversão ao risco dos modelos computacionais do setor elétrico, foi apresentada a proposta de atualização da metodologia de calibração do CVaR (Conditional Value at Risk), que incorpora contribuições da última consulta pública realizada sobre o tema (Rito Extraordinário, ciclo 2025-2026), em que os agentes destacaram, dentre outros pontos, a necessidade da ampliação da transparência e previsibilidade na escolha da tolerância para atendimento à CRef e a necessidade de contabilizar, além dos déficits, os excessos de geração térmica.
Com a nova metodologia e com base nos resultados verificados pela política operativa adotada no último ciclo hidrológico (2024-2025), bem como a CRef 2026 aprovada, o CMSE deliberou pela manutenção da percepção de risco, quando da avaliação de aversão ao risco dos modelos computacionais do setor elétrico no próximo ano, tendo em vista as necessidades atuais do SIN, conforme representado oficialmente na base de dados vigente.
No intuito de dar transparência e publicidade à atualização da metodologia de calibração do CVaR, está prevista a realização de um workshop com os agentes em janeiro de 2026, oportunidade em que serão apresentadas todas as alterações e premissas, permitindo participação ativa dos interessados no processo, garantindo transparência e previsibilidade.
Além disso, o ONS apresentou os resultados da operação do sistema elétrico no período da realização dos eventos do ENEM e da COP30, períodos em que foram adotados graus adicionais de segurança, conforme determinado na Resolução do CMSE nº 1, de 25 de janeiro de 2005. A atuação do setor elétrico garantiu a segurança e a continuidade do atendimento durante os eventos com grande repercussão nacional.
Informações Técnicas:
Curvas de Referência de Armazenamento (CRef): O CMSE aprovou as CRef do Sistema Interligado Nacional (SIN) para 2026, atualizando as ferramentas estratégicas para a gestão do SIN.
As CRef possuem três faixas – verde, amarela e vermelha –, que variam conforme a criticidade do armazenamento, e indicam montantes de geração termelétrica para garantia do suprimento de energia elétrica mesmo em condições hidrometeorológicas adversas. Neste ano, foram utilizadas as mesmas metodologias da construção das CRef de 2025, o que sinaliza positivamente a favor da previsibilidade do setor elétrico.
O uso da ferramenta está alinhado à avaliação contínua da eficácia do recurso termelétrico, à análise de custos e à busca por soluções alternativas que possam mitigar riscos no abastecimento. O foco está em decisões fundamentadas, garantindo previsibilidade e economicidade na gestão do sistema.
A Nota Técnica sobre a metodologia aprovada será finalizada pelo ONS e disponibilizada aos agentes.

Curvas Referenciais de Armazenamento (CRef) para 2026
Condições hidrometeorológicas: Em novembro, as frentes frias avançaram pelas regiões Sul e Sudeste e atingiram o estado da Bahia, onde configurou a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A precipitação foi superior à média mensal nas bacias dos rios Paranapanema e Madeira, e na incremental das usinas hidrelétricas de Itaipu e de Sobradinho. Nas demais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN) a precipitação foi inferior à média.
Em relação à Energia Natural Afluente (ENA), ainda durante novembro, foram observados valores abaixo da média histórica para todos os subsistemas, sendo 73%, 94%, 30% e 44% da Média de Longo Termo (MLT) para as regiões Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente. Em termos de SIN foi verificada ENA de 70% da MLT.
Com relação à previsão meteorológica, o tema foi apresentado na reunião pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a convite do CMSE. Os destaques da previsão indicam, para a primeira semana chuva abaixo da média nas bacias do Sul e na maior parte da Bacia do Paraná e chuva acima da média na Bacia do Rio Doce, na parte alta da incremental Sobradinho e na bacia do Madeira. Nas outras bacias as chuvas devem ficar em torno da média. Já para a segunda semana do horizonte, a tendência é de chuva próxima da média ou acima na bacia do Rio Paraná, próxima da média na bacia do Madeira e abaixo da média no Doce, no Tocantins-Araguaia, Xingu e incremental Sobradinho.
Energia armazenada: ao final de novembro, foram verificados armazenamentos equivalentes de 42%, 88%, 45% e 59% nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente. No SIN, o armazenamento foi de aproximadamente 46%.
Previsão hidroenergética para dezembro/2025:

Expansão da geração e transmissão: a expansão verificada em novembro de 2025 foi de 186 MW de capacidade instalada de geração centralizada de energia elétrica, 328 km de linhas de transmissão e 2.310 MVA de capacidade de transformação, totalizando no ano de 2025, até novembro, 6.751 MW de geração, 4.000 km de linhas e 10.897 MVA de capacidade de transformação. Foi destacada a entrada em operação das últimas quatro usinas do Complexo Solar Fotovoltaico – UFV Boa Sorte (MG) – 176,4 MW e a usina UFV Mauriti 9 (CE) – 9,82 MW.
Exportação/Importação: sobre a exportação de geração de usinas termelétricas, em setembro, a CCEE registrou a exportação de 51 MW médios (37 GWh) de energia elétrica, integralmente para a Argentina, gerando benefício de R$ 150 milhões para compensação na Conta Bandeiras. Não houve exportação proveniente de geração de usinas hidrelétricas nos meses de setembro e outubro. Em relação à importação, em setembro, registrou-se um valor de 3,6 MW médios (2,6 GWh). Desse total, 50% da energia foi importada do Uruguai e 50% da Argentina, resultando em um valor total de R$ 1,5 milhão.
O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País, adotando as medidas para a garantia do suprimento de energia elétrica. As definições finais sobre a reunião do CMSE desta quarta-feira (03/12) serão consolidadas em ata devidamente aprovada por todos os participantes e divulgada conforme o regimento.
*Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico
Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
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Brasil
Meu SUS Digital oferecerá até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas
O Sistema Único de Saúde (SUS) passa a disponibilizar, a partir desta terça-feira (4), até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas. O serviço disponibiliza atendimento remoto, sigiloso e acolhedor, com orientação e acompanhamento profissional, além de suporte aos familiares. A iniciativa amplia o acesso ao cuidado em saúde mental e funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Durante agenda na Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou o passo a passo para acessar a plataforma e destacou a importância do teleatendimento. “Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, ressaltou.
O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário à plataforma da AgSUS, parceira da iniciativa. A equipe é formada por profissionais de psicologia, enfermeiros e outros profissionais de saúde capacitados para oferecer escuta qualificada, com uma abordagem acolhedora, sem julgamentos e centrada nas necessidades de cada pessoa.
Quem tem o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular já recebeu uma notificação sobre a nova oferta do teleatendimento, com a mensagem: “O SUS ampliou o cuidado para quem tem problemas com apostas e para familiares. Agende pelo app Meu SUS Digital. O cuidado é para todos, sem julgamento”. O recado é importante para que mais pessoas conheçam o serviço e tenham acesso oportuno ao atendimento.
O serviço de teleatendimento voltado a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas iniciou em março, com oferta inicial de 600 atendimentos mensais, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Diante da alta procura pelo cuidado em saúde mental no ambiente digital, a capacidade de atendimento foi ampliada para até 100 mil teleatendimentos mensais.
Como acessar
Para acessar o serviço, é necessário entrar no aplicativo Meu SUS Digital com a conta gov.br. Em seguida, o usuário deve clicar em “Miniapps” e selecionar a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. Após realizar o autoteste, será direcionado à plataforma da AgSUS.
Na plataforma, é preciso aceitar o Termo de Uso para iniciar o acolhimento digital e responder a um formulário sobre sua situação. Em seguida, o usuário preenche seus dados cadastrais, informa se o atendimento é destinado ao próprio apostador ou a um familiar, escolhe a forma de contato e finaliza a solicitação.
Ao concluir essa etapa, o sistema gera um número de protocolo para acompanhamento do pedido. Após o agendamento da consulta, o usuário recebe automaticamente a confirmação do atendimento, o link para a videochamada, orientações para a preparação da consulta e lembretes sobre o horário e os equipamentos necessários.
As consultas psicológicas são realizadas por videochamada, têm duração aproximada de 50 minutos e ocorrem, preferencialmente, uma vez por semana. O profissional de psicologia poderá indicar um ciclo inicial de até dez sessões, seguido de uma nova avaliação. A partir dessa avaliação, o paciente poderá receber alta, ser encaminhado para um novo ciclo de teleconsultas ou para atendimento presencial.
Na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), as pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas podem contar com serviços como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Atualmente, o Brasil conta com 3.120 CAPS em funcionamento, distribuídos por todo o território nacional.
Sinais de alerta
Entre os sinais que podem indicar uma relação problemática com jogos e apostas estão alterações no sono, na alimentação ou no humor, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não está jogando, dificuldade para reduzir ou interromper as apostas e sentimentos de culpa ou vergonha. Também merecem atenção comportamentos como esconder ou mentir sobre as apostas, comprometer o orçamento ou as relações pessoais e profissionais e recorrer aos jogos como forma de lidar com situações de estresse, ansiedade ou frustração.
Plataforma de autoexclusão
O Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda mantêm, em parceria, o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, iniciativa voltada ao monitoramento dos impactos das apostas na saúde e ao desenvolvimento de ações de prevenção e cuidado. Entre as ferramentas disponibilizadas pelo observatório está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite ao cidadão solicitar o bloqueio voluntário do CPF para impedir o acesso às plataformas de apostas autorizadas.
Mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão do CPF por meio da ferramenta. Entre os usuários, 35% indicaram a perda de controle sobre o jogo como motivo para a solicitação. Outros motivos informados foram a decisão voluntária de interromper as apostas (15,26%), dificuldades financeiras (11,82%) e recomendação de profissional da área da saúde (1,32%).
Só no período da Copa do Mundo, de 11 de junho a 19 de julho, 387.645 cidadãos solicitaram o bloqueio do CPF. O número representa 38% do total de autoexclusões registradas pela plataforma.
Julianna Valença
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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