Agro
Clima adverso no Vietnã e impasse comercial entre Brasil e EUA mantêm volatilidade nos preços do café
Mercado do café inicia semana com comportamento misto nas bolsas internacionais
Os contratos futuros do café começaram a semana operando em direções opostas nas principais bolsas mundiais nesta segunda-feira (10). Enquanto o arábica registrava alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o robusta recuava mais de 1% na Bolsa de Londres (ICE Europe), refletindo a influência do clima nas regiões produtoras e a instabilidade do cenário comercial global.
Chuvas e tufão atrasam colheita no Vietnã e pressionam o robusta
De acordo com informações da Reuters, o mercado de café robusta segue sob pressão devido às fortes chuvas que atingem o Vietnã, maior produtor mundial dessa variedade. O tufão Kalmaegi, que chegou à costa vietnamita em 6 de novembro, provocou ventos intensos, queda de árvores e inundações, comprometendo plantações na principal região produtora do país.
Segundo o portal Bloomberg, os cafeeicultores vietnamitas iniciaram a colheita no mês passado, mas as condições climáticas adversas no Planalto Central devem reduzir a qualidade dos grãos e impactar a produtividade. O país estava a caminho de colher sua melhor safra em quatro anos, cenário agora ameaçado pelos danos causados pelas chuvas.
Impasses comerciais e baixos estoques aumentam a volatilidade
Além das preocupações com o clima, o mercado cafeeiro enfrenta incertezas comerciais. Segundo o boletim do Escritório Carvalhaes, não houve avanços nas negociações entre Brasil e Estados Unidos para a retirada da tarifa de 40% sobre as exportações de café brasileiro. A medida, em vigor desde 2024, segue como um dos principais entraves às exportações para o mercado norte-americano.
Os baixos estoques globais e as condições climáticas instáveis continuam a sustentar a volatilidade dos preços internacionais. O cenário é de cautela entre traders e exportadores, com oscilações diárias influenciadas por notícias sobre o clima e a política comercial.
Cotações do arábica e robusta nos contratos futuros
Por volta das 9h10 (horário de Brasília), as cotações do café arábica registravam avanço expressivo:
- Dezembro/25: alta de 480 pontos, cotado a 412,60 cents/lbp;
- Março/26: +295 pontos, a 388,80 cents/lbp;
- Maio/26: +310 pontos, negociado a 374,05 cents/lbp.
Enquanto isso, o robusta apresentava desempenho misto:
- Novembro/25: alta de US$ 118, a US$ 4.662/tonelada;
- Janeiro/26: queda de US$ 72, cotado a US$ 4.576/tonelada;
- Março/26: recuo de US$ 60, a US$ 4.507/tonelada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mercado de arroz enfrenta travamento nas negociações e pressão nos preços em maio
O mercado brasileiro de arroz encerrou o mês de maio em um ambiente de forte defensividade, marcado por baixa liquidez, negociações lentas e dificuldade crescente na formação de preços ao longo de toda a cadeia produtiva. O cenário reflete a perda de sintonia entre produtores, indústrias beneficiadoras e varejo, ampliando a fragilidade comercial do setor.
De acordo com análise da consultoria Safras & Mercado, o fluxo de comercialização segue limitado no mercado físico, com negócios acontecendo de forma pontual e sem presença significativa de compradores. As referências permanecem abaixo de R$ 60 por saca de 50 quilos FOB Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país.
Em Santa Catarina, as indicações de preços variam predominantemente entre R$ 52 e R$ 56 por saca, reforçando o movimento de pressão observado no Sul do Brasil.
Segundo o analista e consultor Evandro Oliveira, o mercado atravessa um momento de fragmentação entre os diferentes segmentos da cadeia. Enquanto os produtores tentam evitar novas reduções diante das margens apertadas, a indústria mantém postura cautelosa nas aquisições e o varejo segue pressionando os preços de reposição.
“O setor vive um cenário de travamento operacional, com baixa previsibilidade comercial e dificuldade de alinhamento entre produção, beneficiamento e supermercados”, aponta o consultor.
Produto beneficiado se torna gargalo nas negociações
O arroz beneficiado voltou a ganhar destaque como um dos principais pontos de dificuldade do mercado neste momento. A desaceleração nas vendas no varejo tem reduzido o ritmo das compras por parte das grandes redes supermercadistas, afetando diretamente o escoamento do produto industrializado.
Segundo agentes do setor, o consumo mais retraído e a maior seletividade dos consumidores têm limitado o giro nas gôndolas em diversas regiões do país. Com isso, os supermercados seguem reduzindo volumes de compra e pressionando ainda mais os preços negociados com a indústria.
Cenário internacional traz sinais mais positivos
Apesar das dificuldades no mercado doméstico, o setor começa a observar fatores externos que podem contribuir para uma melhora gradual do ambiente comercial nos próximos meses.
Entre os elementos considerados mais favoráveis estão as dificuldades competitivas enfrentadas pelos Estados Unidos, a recente valorização dos preços do arroz na Ásia e os riscos climáticos globais que podem impactar a oferta mundial do cereal.
Esses fatores vêm sendo monitorados pelo mercado como possíveis sustentadores de preços no médio prazo, especialmente caso ocorram ajustes na oferta internacional.
Preço do arroz acumula forte queda em 2025
No fechamento do dia 28 de maio, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul — produto com 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista — foi cotada a R$ 59,49.
O valor representa recuo de 0,13% em relação à semana anterior. Na comparação mensal, a desvalorização chega a 6,61%. Já frente ao mesmo período de 2025, a queda acumulada atinge 18,87%, refletindo o momento de fragilidade vivido pelo mercado arrozeiro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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