Brasil
Centro na Paraíba vai receber primeiros computadores quânticos operacionais do País
A Paraíba (PB) está dando mais um passo na consolidação de sua infraestrutura científica com a implementação do Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba (Ciquanta). Na sexta-feira (27), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, visitou as obras de readequação do espaço que irá abrigar o empreendimento, uma parceria do ministério com o governo do estado.
Com investimento estimado em cerca de R$ 150 milhões, o centro terá dois computadores quânticos, com capacidades de 20 e 100 qubits, além de ambientes altamente controlados, como sistemas criogênicos, salas blindadas e estruturas de estabilização.
A tecnologia quântica chega com uma forma distinta de processar informações. Diferentemente dos computadores tradicionais, que operam com bits, os sistemas quânticos utilizam qubits, capazes de representar múltiplos estados ao mesmo tempo. Na prática, essa tecnologia pode ser aplicada no desenvolvimento de medicamentos, na previsão climática, na segurança de dados, na logística, na indústria e na inteligência artificial, por exemplo. “São poucos países no mundo que têm essa tecnologia. Aqui vamos ter muita capacidade e rapidez para processar dados e dar soluções para a indústria, a saúde, a defesa e outras áreas”, afirmou a ministra Luciana Santos, após visitar as obras do centro, que vai funcionar onde era a Estação das Artes, na capital João Pessoa.
A ministra destacou que a iniciativa também tem papel estratégico no enfrentamento das desigualdades regionais. “Levar tecnologia de ponta para todas as regiões do País é uma prioridade. A Paraíba já tem um ecossistema robusto e está dando um passo decisivo com essa infraestrutura de pesquisa”, declarou.
O secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba, Claudio Furtado, ressaltou a importância da cooperação federativa para viabilizar o projeto. “Essa é uma política pública construída em parceria com o Governo Federal. E essa é uma pauta de futuro, que vai formar pessoas e transferir tecnologia nesse equipamento, que servirá não só à Paraíba, mas ao Brasil e à América Latina”, afirmou.
O Ciquanta se insere de forma estruturante na Iniciativa Brasileira para Tecnologias Quânticas (IBQuântica), política em construção no âmbito do MCTI voltada à coordenação nacional de esforços em computação, comunicação e sensoriamento quânticos, com foco no desenvolvimento de capacidades científicas, tecnológicas e industriais estratégicas.
Parque Tecnológico Horizontes da Inovação
Ainda em João Pessoa, a ministra visitou o Parque Tecnológico Horizontes da Inovação da Paraíba, onde conheceu iniciativas de apoio a startups e fortalecimento do ecossistema local. A atividade reforçou a integração entre infraestrutura científica, formação de pessoas e estímulo à inovação como eixos da política nacional de ciência e tecnologia.
Investimentos do MCTI fortalecem ciência na Paraíba
De 2023 a 2025, o MCTI destinou R$ 513,6 milhões para a Paraíba, quase três vezes o volume registrado de 2019 a 2022. Os recursos contemplam bolsas, projetos de pesquisa, infraestrutura científica e apoio à inovação empresarial.
As ações incluem iniciativas voltadas à educação científica, como o programa Mais Ciência na Escola, apoio a feiras e olimpíadas científicas e incentivo à participação de meninas nas ciências exatas.
Além disso, a Lei do Bem estimulou a inovação no setor produtivo local, com 37 empresas beneficiadas e R$ 144,7 milhões em investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento.
Brasil
Brasil reforça compromisso com pesca e aquicultura sustentáveis e segurança alimentar na FAO
O Brasil reforçou o compromisso com a pesca sustentável, a aquicultura responsável e a segurança alimentar durante a 37ª Sessão do Comitê de Pesca da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. A participação ministerial marca o retorno do Brasil ao principal fórum internacional de discussão sobre pesca e aquicultura após 14 anos.
Em seu discurso inaugural, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, destacou a recriação do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em 2023, e a importância do setor para a segurança alimentar e nutricional. O ministro também ressaltou que o Brasil deixou o Mapa da Fome da FAO em 2025.
“Temos a convicção de que a pesca e a aquicultura são fundamentais para sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e diversificados”, afirmou.
Ciência e sustentabilidade
Entre os avanços apresentados está a reconstrução da série histórica da pesca marinha brasileira, de 1950 a 2025, e o desenvolvimento de uma plataforma para ampliar o acesso e a transparência dos dados pesqueiros. O Brasil também restabeleceu o Grupo Técnico Interministerial para prevenção e combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INDNR) e vem preparando suas equipes para a implementação do Acordo sobre Medidas do Estado do Porto. Com cerca de 1,7 milhão de pescadores e pescadoras, o país defende uma gestão pesqueira baseada em ciência e evidências, aliada à conservação dos ecossistemas aquáticos.
Aquicultura e mudanças climáticas
Na aquicultura, o Brasil está construindo o Plano Nacional da Aquicultura, com diretrizes para os próximos dez anos e foco em investimentos, inovação, sustentabilidade e agregação de valor. O país também trabalha para ampliar a resiliência das comunidades pesqueiras e aquícolas diante das mudanças climáticas, por meio do Plano Clima, além de fortalecer a assistência técnica, a extensão e o acesso ao crédito. Outra prioridade é ampliar o consumo de pescado e sua presença nos programas de alimentação escolar, contribuindo para a segurança alimentar e fortalecendo a cadeia produtiva.
Valorização da pesca artesanal
O ministro destacou ainda a realização da Cúpula da Pesca de Pequena Escala, realizada em Roma, e reforçou a importância da participação dos pescadores na construção das políticas públicas. No Brasil, esse compromisso está refletido na construção do Plano Nacional da Pesca Artesanal, voltado ao fortalecimento do setor e ao reconhecimento de sua importância para a segurança alimentar, a geração de renda e as economias locais. No cenário internacional, o Brasil também destacou a presença dos alimentos aquáticos nas discussões do G20, dos BRICS e da COP30 e COP15 da CMS.
Ao concluir, o ministro reafirmou que pesca sustentável, aquicultura responsável, segurança alimentar, geração de renda e conservação dos recursos aquáticos são agendas inseparáveis.“O Brasil reafirma seu compromisso com a cooperação internacional e com uma gestão pesqueira baseada na ciência, em dados de qualidade e na participação dos pescadores.”
ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
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