Política Nacional
Câncer de mama: especialistas debatem baixa cobertura de rastreamento e avanços no tratamento
Representantes do governo e especialistas debateram, nesta quarta-feira (29), os desafios e avanços na política de combate ao câncer de mama.
Um dos principais desafios apontados é a urgência em aumentar a cobertura de rastreamento na faixa etária de maior incidência, entre 50 e 74 anos de idade.
Entre os avanços, foi destacada a compra de um medicamento inovador pelo Ministério da Saúde para o tratamento da doença.
O debate ocorreu no seminário “Rumo a Zero Mortes Evitáveis por Câncer de Mama”, organizado pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados e pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, em parceria com a bancada feminina e a Procuradoria da Mulher no Senado Federal. O evento faz parte do Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama.
Baixa cobertura
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2024, a cobertura de rastreamento do câncer de mama na faixa etária de 50 a 69 anos foi de apenas 24%. As organizações internacionais recomendam pelo menos 70% para um controle eficaz da doença.
A cobertura varia entre 5% em Roraima e 33% no Espírito Santo. “O Norte e Nordeste do país têm taxas muito abaixo do ideal do que a gente precisa alcançar para ter um controle melhor dessa doença”, reforçou a representante do Inca, Renata Maciel.
Em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou aproximadamente 4 milhões de mamografias de rastreamento e 376,7 mil exames diagnósticos. Desse total, 30% (mais de 1 milhão) foram feitos em pacientes com menos de 50 anos.
Maciel observou que o Ministério da Saúde ampliou a faixa etária para o rastreamento ativo (mamografia preventiva a cada dois anos). A idade limite, que era de 69 anos, passa a ser 74 anos. Conforme os dados, quase 60% dos casos da doença estão concentrados nessa faixa (50 a 74 anos).
Medidas para ampliar a cobertura
A representante do Ministério da Saúde, Suyanne Monteiro, afirmou que é preciso elevar a cobertura do rastreamento no Brasil dentro da faixa etária mais incidente. “As mulheres de 50 a 74 anos precisam realizar uma mamografia a cada 2 anos. Vamos trabalhar junto aos gestores locais para que o rastreamento populacional organizado aumente essa adesão”, disse.
Monteiro reforçou que a mamografia não previne o câncer de mama, mas pode antecipar o diagnóstico, inclusive quando a lesão ainda é impalpável (Veja infográfico).
Para as mulheres de 40 a 49 anos, a mamografia pode ser realizada por demanda médica, após esclarecimentos de riscos e benefícios. “Isso já era possível e agora foi reafirmado pelo Ministério da Saúde para garantir uma uniformidade da assistência”, frisou Monteiro.

Diagnóstico e tratamento
Integrante da Procuradoria da Mulher, a deputada Flávia Morais (PDT-GO), lembrou que a campanha Outubro Rosa reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. “Nós que vivemos hoje a realidade de 60% dos casos de câncer de mama com diagnóstico tardio no Brasil. Então, a gente precisa realmente trabalhar e fazer o fortalecimento da prevenção”, disse.
A representante do Instituto Oncoguia, Helena Esteves, informou que 65% das pacientes com diagnóstico de câncer no SUS não são atendidas em até 60 dias, como prevê a lei. “A grande maioria das mulheres ainda não consegue que o seu tratamento seja iniciado nesse tempo”, pontuou.
Apesar disso, ela destacou a recente aquisição pelo Ministério da Saúde do Trastuzumabe Entansina, para tratamento de um tipo de câncer de mama mais agressivo. “Fico muito feliz de a gente poder fechar esse mês de outubro com essa perspectiva de realmente começar a dar acesso para essas mulheres”, disse.
Conforme o Ministério da Saúde, a compra atenderá a 100% da demanda atual pelo medicamento no SUS, beneficiando 1.144 pacientes ainda em 2025.
Desafios de informação
Conforme estudo realizado em 2025 pelo Instituto Natura, só 29% das mulheres brasileiras têm informações suficientes para cuidar da saúde das mamas, informou a executiva Mariana Lorencinho. Segundo ela, 86% das mulheres pesquisadas não sabiam que têm o direito de fazer uma mamografia diagnóstica pelo SUS gratuitamente, mesmo sem ter sintomas da doença.
“Será que quando as mulheres percebem uma alteração no seu corpo (…) elas procuram o Sistema Único de Saúde para poder receber esse diagnóstico? Ou elas nem sequer sabem que têm o direito de fazer esses exames?”, indagou.
O estudo também mostrou que 50% das mamografias são feitas em mulheres brancas, e apenas 36% das mamografias de rastreamento são feitas em mulheres pretas ou pardas.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
Política Nacional
Comissão aprova projeto que cria programa de distribuição de livros para crianças de até 6 anos
A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria o Programa Nacional de Incentivo à Leitura na Primeira Infância – “Ler desde o Berço”.
O objetivo é distribuir kits de livros gratuitos para crianças de 0 a 6 anos em todo o país, a fim de promover o desenvolvimento integral por meio do acesso precoce à leitura.
Os kits deverão conter livros adequados a cada faixa etária, culturalmente diversos e, quando necessário, em formatos acessíveis (como braile e audiolivros). Além das obras, o material incluirá orientações para que as famílias realizem a leitura compartilhada.
As medidas estão previstas no Projeto de Lei 6569/25, da deputada Duda Salabert (Psol-MG). A relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), apresentou parecer favorável à proposta.
Laura Carneiro defendeu o estímulo à leitura desde a infância pelas famílias, como forma de abrir portas na vida dos futuros adultos e aumentar a participação familiar no desenvolvimento infantil.
“Crianças criadas em lares onde os pais promovem a ‘literacia familiar’ se tornam melhores leitores e estudantes mais bem sucedidos”, afirmou a relatora. “Trata-se de interagir, conversar e ler em voz alta com os filhos e estimulá-los a desenvolver habilidades fundamentais: ouvir, falar, ler e escrever.”
Funcionamento
A distribuição dos livros será feita prioritariamente aproveitando a rede de serviços públicos já existentes, como:
- unidades de saúde (durante vacinação e consultas de puericultura);
- centros de Referência de Assistência Social (CRAS); e
- creches e escolas de educação infantil.
O projeto também prevê a capacitação de profissionais de saúde e assistência social para que orientem os pais sobre a importância da leitura. Além disso, o poder público deverá fomentar a criação de “bebetecas” (bibliotecas para bebês) em espaços públicos.
Laura Carneiro lembrou ainda que o Ministério da Educação já conta hoje com programa que tem objetivo semelhante ao proposto por Duda Salabert. “O público-alvo [do Conta pra Mim] são todas as famílias brasileiras, tendo prioridade aquelas em condição de vulnerabilidade socioeconômica.”
Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Da Reportagem/NN
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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