Agro
Brasil projeta safra recorde de soja com expansão de área para 48,8 milhões de hectares
O Brasil iniciou o plantio da safra 2025/26 de soja com projeção de 48,8 milhões de hectares, segundo dados da consultoria Safras & Mercado. O número representa um crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior, equivalente a um acréscimo de 1,4 milhão de hectares.
A estimativa de produção também foi revista para cima e deve atingir 180,92 milhões de toneladas, alta de 5,3% frente à temporada passada.
Diferença estrutural com os Estados Unidos aumenta
Enquanto o Brasil amplia sua área de soja, os Estados Unidos seguem no caminho oposto. A previsão é de redução de 4% na área plantada, que deve somar 33,7 milhões de hectares. Esse movimento amplia a distância estrutural entre os dois maiores produtores mundiais da oleaginosa.
Importância estratégica para o agronegócio brasileiro
Para Luiz Almeida, diretor de operações da EEmovel Agro, o avanço da soja fortalece a competitividade nacional.
“Estamos atentos a cada detalhe desse crescimento, pois a volatilidade do mercado pode impactar diretamente nossos negócios. O mapeamento das culturas em todo o território nacional nos permite entender a dinâmica de expansão e preparar nossos clientes e parceiros para as oportunidades que surgem com o fortalecimento da soja brasileira”, afirma o executivo.
Projeções indicam crescimento até 2034
Estudos apontam que a área dedicada à soja no Brasil pode alcançar 57 milhões de hectares até 2034, com produção projetada em 199 milhões de toneladas. Essa tendência reforça a liderança global do país e amplia sua influência no comércio internacional.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já reduziu suas projeções de exportação, enquanto Argentina e Ucrânia ganham participação no mercado. A China, maior compradora da soja brasileira, deve seguir aumentando a dependência de fornecedores mais competitivos.
Oportunidade histórica para o Brasil
Almeida avalia que o cenário cria condições favoráveis para consolidar o protagonismo brasileiro no setor.
“A desvalorização do real torna nossas exportações mais competitivas, ao mesmo tempo em que a guerra tarifária entre Estados Unidos e China favorece o Brasil. Com a perspectiva de maior oferta nacional, estamos diante de uma oportunidade histórica de ampliar nossa participação global e consolidar de vez o papel do Brasil como protagonista no agronegócio mundial”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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