Brasil
Brasil leva cooperação científica ao China Space Day e discute novos satélites e missões
O uso de tecnologias espaciais já faz parte do cotidiano, seja no monitoramento de desastres, na agricultura ou no planejamento das cidades. Nesse cenário, o Brasil participou da 11ª edição do China Space Day 2026, nesta sexta-feira (24), em Chengdu, na província de Sichuan, como país convidado de honra, reforçando uma parceria que contribui para políticas públicas baseadas em dados e para o desenvolvimento sustentável.
A delegação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) foi liderada pelo chefe de gabinete do MCTI, Rubens Diniz. O encontro, que é o principal evento do setor espacial chinês, reuniu autoridades e especialistas de diferentes países e apresentou as diretrizes do programa espacial da China, com anúncios sobre missões a Marte, estudos solares, iniciativas no espaço comercial e novas oportunidades de cooperação.
Durante o evento, Rubens Diniz destacou o papel da parceria entre Brasil e China no cenário internacional. “O encontro marca um momento importante da cooperação sino-brasileira no setor aeroespacial. Em um contexto global de tensões, os dois países demonstram que a colaboração é um instrumento relevante para o desenvolvimento e para a paz”, afirmou. Segundo ele, o reconhecimento ao Brasil como país convidado reflete quase quatro décadas de atuação conjunta em tecnologia de ponta, com destaque para o Programa CBERS.
Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ressaltou a importância da cooperação internacional no setor espacial. “Explorar o vasto universo é uma aspiração compartilhada pela humanidade. A China sempre defendeu a igualdade, o benefício mútuo e o uso pacífico do espaço, promovendo uma cooperação aberta com diversos países”, disse. Ele também destacou o papel do CBERS na proteção de florestas tropicais na América do Sul.
Cooperação com a China reforça autonomia tecnológica brasileira
A participação brasileira no China Space Day também foi marcada pela apresentação de iniciativas conjuntas e pelo destaque à cooperação científica entre os dois países. O evento reuniu representantes institucionais e especialistas para discutir caminhos de integração tecnológica e desenvolvimento no setor espacial.
Para o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MCTI, Carlos Matsumoto, o convite ao Brasil reflete o reconhecimento dessa parceria. “O China Space Day é um evento nacional da China que, a cada edição, convida um país parceiro. Neste ano, o Brasil foi o escolhido, em reconhecimento a uma cooperação de 38 anos no setor espacial”, afirmou.
Durante o encontro, representantes brasileiros apresentaram iniciativas que vão além do Programa CBERS, como o laboratório sino-brasileiro de clima espacial (Space Weather), experimentos científicos com o radiotelescópio Bingo e a articulação para uma constelação de satélites no âmbito do Brics. Também foram discutidas ações de formação acadêmica e intercâmbio, com oportunidades para estudantes brasileiros em instituições chinesas.
A participação incluiu ainda a apresentação de avanços e perspectivas do CBERS, com destaque para seu papel no monitoramento ambiental. A cooperação contribui para a autonomia tecnológica do País, especialmente na observação de biomas como a Amazônia, por meio de sistemas como o Deter e o Prodes.
O encontro também abordou os próximos passos da parceria, como o desenvolvimento do CBERS-6, com tecnologia de radar capaz de gerar imagens mesmo em períodos de chuva, e as negociações para o CBERS-5, primeiro satélite geoestacionário da cooperação. A iniciativa amplia a capacidade nacional na geração de dados meteorológicos e ambientais e reduz a dependência de informações externas.
Carta presidencial reforça parceria estratégica
A abertura do evento contou ainda com a leitura de uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Xi Jinping, apresentada por Rubens Diniz. No documento, o chefe de Estado brasileiro destacou o papel da cooperação espacial para o desenvolvimento dos países e para a sociedade.
Na mensagem, Lula afirmou que o China Space Day “celebra os avanços notáveis da China no campo espacial e reafirma o valor da cooperação internacional para o uso pacífico do espaço exterior”. O presidente também ressaltou que os satélites do programa CBERS contribuem diretamente para o monitoramento ambiental, a gestão de recursos naturais e o planejamento territorial, beneficiando não apenas Brasil e China, mas também outras nações.
Missão incluiu cooperação técnica e reuniões bilaterais
Além da participação no China Space Day, a missão do MCTI na China prevê atividades em Chengdu e Pequim voltadas à ampliação da cooperação científica e tecnológica. Entre os compromissos estão reuniões com a Administração Espacial Nacional da China (CNSA), discussões técnicas sobre novos satélites e articulações institucionais com entidades do setor.
A programação também contempla a participação em espaços expositivos e fóruns técnicos, com foco no fortalecimento de projetos conjuntos e na ampliação da presença brasileira em iniciativas internacionais de alto valor tecnológico.
Brasil
Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.
Confira o cronograma das medidas:
- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
INTERESSE PÚBLICO
A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.
A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.
As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.
PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES
Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:
- exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
- divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
- uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
- facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
- fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
- localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).
SAÚDE PÚBLICA
As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.
Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.
Fonte: Ministério da Saúde
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